Moda

Com sapatos que chegam a custar R$ 2.600, estilista Simone Rocha é destaque na moda inglesa

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A estilista Simone Rocha aparece na boca de cena ao fim de seu desfile da semana de moda de Londres para o Verão 2013 (18/09/2012) imagem: Getty Images

Do The New York Times

O estúdio de Simone Rocha, em East London, é um espaço branco e congelado pela luz do sol que entra pelas grandes janelas.
Simone, de 26 anos e cabelos negros, recém indicada ao British Fashion Awards como Novo Talento, está sentada em uma mesa lotada dos seus brogues (modelo de calçado masculino de amarrar, com biqueira perfurada) flutuantes em várias cores, o item que ela chama de “clássico” de sua marca, hoje com dois anos de vida. 

“Eu sempre fui fascinada pelos brogues, e com o quão masculino eles eram, mas eu queria elevá-los a um item feminino. Então, a gente realmente os elevou ao colocar o sapato nas pontas dos pés, congelando-os ali com esta estrutura acrílica”, criando um salto transparente.

Ela disse que os sapatos lhe trouxeram muita exposição em novos mercados: “A IT, em Hong Kong, começou comprando somente os sapatos e voltou, na temporada seguinte, para comprar roupas também”. Dezoito lugares ao redor do mundo, inclusive a Corso Como em Milão e o Club 21 em Singapura, agora vendem seus sapatos, que custam 800 libras no varejo (cerca de R$ 2.600 na cotação de 21/11/12).

Simone diz que os sapatos, produzidos em Ancona, na Itália, foram inspirados pela sua linha de roupas, que brinca com transparências e contrastes entre o romântico e o moderno, e entre materiais duros e macios. Uma olhada em seu painel de inspirações revela fotos de bolos de casamento de concreto e da artista francesa Louise Bourgeois segurando um falo de pedra. Agora, os sapatos levaram-na a criar uma nova linha de bolsas.

Filha do designer de moda sino-irlandês John Rocha, Simone se formou na renomada Central Saint Martins, em Londres, em 2010, e imediatamente abriu sua própria marca sob o comando de Lulu Kennedy, a fundadora do Fashion East, uma iniciativa que ajuda a dar asas aos novos estilistas. 

“Nunca me imaginei como uma estilista londrina. Tenho o apoio do Conselho da Moda Britânica, mas, num primeiro momento, todos os meus varejistas eram internacionais, portanto mantivemos um ponto de vista internacionalizado”, disse. 

Este tipo de foco não se perdeu na mídia e entre os compradores. “Foi incrível ver algo tão bem pensado e sofisticado, vindo de uma designer tão jovem”, declara Alexander Fury, o editor da revista de moda britânica “Love”, sobre sua coleção de Verão 2012. “Foi um desfile que se destacou em toda a temporada, não só em Londres.”

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