Moda

Do "maiô de miss" ao biquíni cortininha, livro repassa um século de estilo nas praias do Rio

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Capa do livro "Um Mergulho no Rio - 100 Anos de Moda e Comportamento na Praia Carioca", de Marcia Disitzer imagem: Divulgação

Adriana Terra

Do UOL, em São Paulo

Ambiente tão simbólico do Rio de Janeiro, a praia é palco de tendências de moda, momentos históricos e reflete importantes mudanças de comportamento.

Conectando situações ocorridas ao longo de um século nas areias cariocas ao contexto social e político brasileiro, a jornalista Marcia Disitzer aborda a evolução do traje de banho no recém-lançado livro “Um Mergulho no Rio - 100 Anos de Moda e Comportamento na Praia Carioca”.

Com jeito de edição especial de revista, a publicação conta, entre outras, a história do primeiro biquíni desfilado no litoral brasileiro, em 1948; trata do “menino do Rio” de cabelos parafinados e “dragão tatuado no braço”; fala sobre o famoso “verão da lata” e sobre o primeiro "topless", sempre buscando situá-los em momentos políticos do país. 
 
"Foi legal falar um pouco de tudo, porque a moda é um grande retrato do tempo que a gente vive”, diz Marcia. “Desde o começo eu queria falar sobre os personagens da praia, sobre como eles lançaram moda, e sobre como muitos destes modismos são ligados a momentos específicos. Como quando o [ex-deputado Fernando] Gabeira voltou [ao Brasil, em 1979] usando aquela sunga de crochê. Você não pode falar sobre o Gabeira sem falar sobre quem ele era, por que ele foi para o exílio, por que voltou, por que aquela foto foi tão importante, tão impactante. Esse olhar mais embasado era fundamental neste livro".
Apoiada em uma documentação visual que reúne mais de 200 imagens, entre fotos, anúncios antigos e ilustrações de artistas como J. Carlos, a autora apresenta a praia carioca desde o comecinho do século 20, quando foi construído o calçadão da Avenida Atlântica, estimulando a convivência à beira-mar.
 
Além da história dos muitos modelos de maiôs, bermudas, biquínis e sungas que fizeram sucesso ao longo dos anos (dos “maiôs de miss”, da grife Catalina, e o engana-mamãe, à sunga com lateral fina; da calcinha asa delta ao fio dental, incluindo ainda o bermudão floral, o biquíni cortininha, o de crochê), Marcia aborda a evolução do tecido do vestuário de praia, assim como detalhes da criação de marcas como Blue Man, Bumbum Ipanema, Lenny e Salinas. 
 
Dando frescor a uma narrativa que não visa pouco - são 100 anos de história para contar -, um ponto alto do livro são as entrevistas com personalidades que relembram seus verões. Musa das areias na década de 1980, Monique Evans revela, por exemplo, que fazia os próprios biquínis e chegou a se preparar para uma foto da revista “Capricho” trocando-se no mar mesmo, sem maquiagem ou qualquer produção. Já Luiza Brunet e Magda Cotrofe dizem que não tinham pudor em usar biquínis mínimos naqueles anos, enquanto a atriz e vedete Iris Bruzzi comenta a receita de bronzeador caseiro que usava na década de 1960, época em que pouco se sabia sobre os perigos da exposição ao sol.
 
“O que eu fui percebendo é que cada um tinha a sua própria praia. Cada um tem uma recordação específica, usou um determinado biquíni ou sunga, teve seu ‘point’ preferido”, diz a autora. E é costurando estas memórias (muitas delas deliciosas de se ler) a uma pesquisa de fôlego sobre moda, história e comportamento que o livro visa abranger “esse território no qual a gente se movimenta tão bem”, como Marcia descreve a moda praia brasileira. 
 
“Um Mergulho no Rio - 100 Anos de Moda e Comportamento na Praia Carioca”
Marcia Disitzer
Ed. Casa da Palavra
360 páginas, R$ 80
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