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Gosto dos homens por relógios está ligado ao interesse por carros

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O executivo Luc Perramond, diretor geral da La Montre Hermès, divisão de relógios da grife francesa de luxo imagem: Divulgação

Fernanda Schimidt

Do UOL, em São Paulo

Os relógios são o acessório preferido dos homens seja no Brasil ou no exterior, mesmo em tempos de smartphones. A atração pela peça pode ser explicada pela relação íntima que o público masculino tem com os carros.

“O relógio é uma peça única de luxo que combina um forte design e um conteúdo altamente técnico. Os homens se interessam muito pelo lado mecânico, o que funciona por dentro dos objetos”, explica Luc Perramond, diretor geral da La Montre Hermès, divisão de relógios da tradicional grife francesa de luxo. É claro que aí também entra uma questão cultural de quais são os acessórios considerados “adequados” para homens e mulheres. Segundo ele, ambas as indústrias de relógios e automóveis miram o mesmo consumidor: apaixonado por uma bela mecânica e design.

O cuidado com o maquinismo e a aparência é crucial para que o clássico indicador de horas sobreviva ao desenvolvimento da tecnologia. “Hoje, você tem inúmeras maneiras de saber as horas. O que se busca em um relógio é mais do que só o horário, é um objeto que diz muito sobre quem você é e qual a sua personalidade”, afirma Perramond, que tem no currículo posições de liderança à frente de marcas como Tag Hauer, LVMH e H. Stern.

O mercado de relógios foge das tendências comuns da moda que forçam a troca de modelos na frequência do entra-e-sai de estações. Suas novas coleções trazem poucas mudanças e são lançadas a cada dois ou três anos, incorporando detalhes que estão em alta no vestuário para oferecer peças distintas, porém consistentes com as diferentes categorias de produtos oferecidos pelas empresas. Nesta área, de acordo com Perramond, “a eternidade é a chave do sucesso”. Ele cita o Rolex Oyster entre as peças que mantiveram o mesmo design por décadas e atingiram o status de ícone.

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    A linha de relógios com mecanismos desenvolvidos especialmente pela Hermès levou seis anos para ficar pronta

Diferentemente da concorrente Rolex, a Hermès preza pelas pulseiras em couro num estilo menos chamativo, herança de seu início como uma manufatura de selas para hipismo. Essa característica, afirma Perramond, permite que os relógios, mesmo muito caros, sejam usados no dia a dia sem chamar a atenção de ladrões – “um problema muito específico neste país e em alguns mercados emergentes”, diz ele durante entrevista ao UOL no hotel Fasano, em São Paulo. Outras peças, com detalhes em brilhantes, por exemplo, devem ser tratadas como joias e usadas apenas em ocasiões especiais.

Os relógios da Hermès são produzidos na Suíça, país que se mantém como líder no mercado graças à “expertise” e qualidade cultivadas há décadas. “É uma habilidade difícil de ser dominada. É muito específica”, afirma Perramond. Para se ter uma ideia da complexidade de produção, a grife francesa lançou em 2012 a sua primeira linha de relógios com mecanismo próprio após seis anos de estudos. A linha de relógios da grife tem preços a partir de R$ 5.900 no Brasil.

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