Moda

Vista ternos como um astro de cinema

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O terno preto é um dos clássicos do cinema, tendo integrado o figurino de filmes como "Cães de Aluguel" (1992), de Quentin Tarantino imagem: Divulgação

Ricardo Oliveros

Do UOL, em São Paulo

O cinema sempre foi uma boa fonte de inspiração para moda e, por meio dele, podemos conhecer a história de uma peça como o terno e suas modificações através dos tempos. Conheça alguns filmes significativos, seus astros e a forma de usar o terno nos dias de hoje.

O terno, ou melhor, o costume, nome dado para o conjunto de paletó e calça (é terno inclui ainda o colete), sempre teve papel de destaque no cinema, desde sua invenção em 1895 pelos irmãos Lumière. No início, na década de 1920, o destaque é Rodolfo Valentino, ou a primeira encarnação do “latin lover”, amante latino. O estilo dos ternos segue os padrões da época, com lapelas bem largas, uso do colete, camisa com colarinho arredondado, lenço no bolso do paletó, barra das calças com dobra, conhecida como “barra italiana”, e uso de polainas, que iam sobre os sapatos. A gravata tinha nó estreito e também podia ser no modelo borboleta.

Nos anos 1930, temos o início de uma trajetória peculiar no cinema, os filmes gângste com suas quadrilhas de criminosos, que sempre renderam boas imagens de ternos. No primeiro deles, “Little Caesar” (1930), com Edward G. Robinson e Douglas Fairbanks Jr, já aparece o terno bem cortado, o padrão risca-de-giz e o chapéu Fedora, que viraram símbolos deste tipo de filme. “O Poderoso Chefão” (1972, e as sequências de 1974 e 1990), “Era uma vez na América” (1984) e “Os Bons Companheiros” (1990), são bons exemplos desta estética.

Ainda nos anos 1930 e 40, temos os atores Clark Gable e Humphrey Bogart como os melhores exemplos que os homens podiam copiar na época: durões, apaixonados e embalados em ternos com a cintura bem marcada, ombros largos, paletó de dois botões, colete e gravata e colarinho alongado - este era o padrão da época. Gable exigia em todos os seus filmes a presença de seu alfaiate particular, Eddie Schmidt.

Nos anos 1950, a silhueta ficou mais relaxada e os paletós deixaram de marcar tanto a cintura, os colarinhos diminuíram e, por conseguinte, as gravatas ficaram mais estreitas. As calças continuaram folgadas, com pregas, e barra italiana. É deste período um dos maiores clássicos de Alfred Hitchcock, “Um corpo que cai” (1958), com seu ator preferido, James Stewart.

Ternos mais justos, gravatas pretas finas, camisas brancas e tênis ou sapatos clássicos pretos. No início dos anos 1960, a moda masculina foi influenciada pelas roupas dos Beatles, especialmente pelos paletós sem colarinho de Pierre Cardin e o cabelo franjinha. Eles seguiam a moda ditada pelos “mods” (abreviatura de "moderno" em inglês), movimento surgido no final da década de 1950, entre jovens da classe média baixa inglesa que vestiam terno bem justo. O estilo prevaleceu na moda e foi homenageado pelo filme “Quadrophenia”, da banda The Who, em 1979.

É neste período que se inicia a maior saga de todos os tempos, James Bond, que começou em 1962, com “Dr. No”, tendo Sean Connery no papel principal. De lá para cá foram vinte e três filmes e seis atores que viveram o agente 007.  Vale prestar atenção nas pequenas mudanças que os ternos tiveram nestes últimos cinquenta anos, mesmo que as cores não tenham tanta variação, já que o preto, o azul marinho e o cinza continuem valendo até hoje.

Por falar em cores, o preto merece um capítulo especial nesta relação entre ternos e o cinema. Ele teveu destaque em vários filmes contemporâneos como “Os Irmãos Cara de Pau” (1980), “Cães de Aluguel” (1992), “Homens de Preto” (1997, e as sequências de 2002 e 2012), sem contar no agente Smith da trilogia “Matrix” (1999 e 2003).   

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