Moda

Renovação da alfaiataria é destaque das novas coleções masculinas

Silvia Boriello/UOL
Terno casual: assim como as marcas internacionais, as brasileiras buscam novas ideias para atualizar a peça mais tradicional do guarda-roupa masculino: o terno. Os recursos mais utilizados foram a silhueta ajustada, o paletó mais curto, a estampa, novos materiais e cores fortes imagem: Silvia Boriello/UOL

Ricardo Oliveros

Do UOL, em São Paulo

O outono mal acabou de começar, e as marcas já apresentaram suas apostas para o verão de 2014! A principal semana de moda do Brasil, o São Paulo Fashion Week, teve uma versão enxuta com apenas 25 marcas - sete delas apresentaram sugestões para a moda masculina. Apesar do número reduzido, as coleções deram ênfase na alfaiataria, renovando o repertório de peças clássicas como o terno, o blazer e o colete.

João Pimenta, a única marca com moda voltada exclusivamente para homens, além de Amapô, Cavalera, Colcci, Ellus, Osklen e Triton desfilaram coleções mistas. Apesar do evento dar a impressão de que a moda masculina está em baixa no Brasil, o mercado do varejo de moda masculina cresceu 44,4%  nos últimos cinco anos, e movimentou perto de R$ 47 bilhões em 2012, segundo dados do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI). A produção anual deste segmento é de 1.287.400 bilhão de peças.

Reinaldo Lourenço lança linha masculina

A grande surpresa para os homens aconteceu fora do SPFW: o estilista Reinaldo Lourenço, conhecido pela moda feminina, lançou sua coleção masculina pela Daslu, no sábado (23).

A inspiração veio da alfaiataria do fim dos anos 1970, do rock e do estilo militar. É voltada para o homem que prefere o clássico, mas que já se arrisca em novas proporções, cores e detalhes. Os destaques são a silhueta rente ao corpo, o uso de cores fortes e a releitura de clássicos com a bermuda cargo em alfaiataria.

A coleção é uma espécie de volta às origens, já que ele teve a Camisaria São Paulo, em sociedade com Zizi Carderari, antes de abrir a própria marca, em 1984.

A situação poderia ser melhor, não fosse o “fantasma chinês”, que é responsável por 49% de toda a produção mundial de roupas. Para se ter uma ideia, só a compra de ternos produzidos na China totalizou US$ 36,8 milhões no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

Apesar do crescimento da moda masculina, as marcas não apresentaram excessos estilísticos. Nesta temporada, elas focaram com força em desfiles com uma moda quase pronta para usar, embaladas pelas combinações espertas dos stylists, profissionais responsáveis por montar os conjuntos usados nas passarelas. Se você prestar atenção e separar as peças, vai ver que a maioria é muito usável, pelo menos pelos jovens, já que as marcas direcionam suas criações para esta fatia de público.

A grande aposta para o Verão 2014 está na renovação da alfaiataria, na busca de novas ideias para modificar as peças clássicas do guarda-roupa do homem. Ternos, costumes, blazers e coletes ganharam versões estampadas e coloridas, em tecidos que normalmente não são usados neste segmento. Isto é um indício importante do amadurecimento do consumidor, que está em busca de peças mais bem acabadas, mas com um toque de modernidade, indo além da batida dupla camiseta e calça.   

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