Moda

Moda brasileira lamenta a perda da estilista Clô Orozco

Divulgação/Arquivo Pessoal
A estilista Gloria Coelho (esq.) compartilhou uma foto de seu arquivo pessoal, tirada ao lado da amiga Clô Orozco, dona das marcas Huis Clos e Maria Garcia, que morreu na manhã desta quinta-feira (28) imagem: Divulgação/Arquivo Pessoal

Fernanda Schimidt*

Do UOL, em São Paulo

Com a notícia da morte da estilista Clô Orozco, 62, na manhã desta quinta-feira (28), estilistas, empresários e editores de moda manifestaram choque e tristeza nas redes sociais. Dona das marcas Huis Clos e Maria Garcia, a estilista foi um dos principais nomes da moda contemporânea nacional por suas criações marcadas pelo minimalismo e arquitetura.

Nos últimos anos, as grifes de Clô passavam por dificuldades financeiras, motivo pelo qual teriam fechado algumas lojas e deixado de participar das edições mais recentes do São Paulo Fashion Week. "Neste momento, é inapropriado falar sobre as causas, pois ainda não temos mais detalhes", informou sua assessoria de imprensa. A estilista foi encontrada morta nesta manhã, em frente ao prédio onde morava no bairro de Higienópolis, em São Paulo. Segundo o Corpo de Bombeiros, uma viatura foi deslocada até o local, mas o atendimento foi efetuado pelo SAMU, que constatou o falecimento.

Leia abaixo o que figuras importantes da moda disseram sobre Clô Orozco, outros nomes como a empresária Costanza Pascolato estão abalados demais para se manifestar.

"Estou tão perplexa. A Clô foi uma mulher extremamente bonita e sensível, uma estilista de respeito. A moda perde uma das pessoas que conseguia fazer uma das melhores passarelas do Brasil. Sinto muito que tenha sido de uma maneira tão trágica. Ela passava por uma fase difícil, assim como a moda brasileira está em um momento muito difícil, com esse 'pool' de moda estrangeira invadindo o Brasil. Para as pessoas que fabricam roupa aqui, é um baque. Não dá para competir com quem compra na China e na Índia", disse a veterana crítica de moda Regina Guerreiro, em entrevista ao UOL.

Clô, sua história

A estilista Clotilde Maria Orozco de García, conhecida como Clô Orozco, 60, cursou faculdade de sociologia e política, tinha aulas de teatro e por hobby confeccionava peças hippies, que logo se popularizaram entre os colegas. Ela aprendeu a costurar no ateliê de sua tia, na rua Augusta, região central de São Paulo, e, em 1977, fundou a Huis Clos.


O nome da marca é uma referência à peça do filósofo Jean-Paul Sartre, que influenciou os jovens dos anos 1970. A empresa conta atulmente com 200 funcionários, três lojas próprias em São Paulo e está presente em 25 pontos de venda pelo Brasil.


A marca começou a mostrar suas coleções em 1996, na programação do Morumbi Fashion e, posteriormente, do SPFW, onde desfilou de 2004 a 2012. Quando a Huis Clos completou 30 anos, a estilista Sara Kawasaki passou a ser responsável pela direção criativa, enquanto Clô se manteve na direção-geral.


Além da Huis Clos, marca caracterizada pelo cuidado no acabamento e nas construções “clean” em tecidos sofisticados, a estilista ainda tinha a Maria Garcia, de moda jovem, a Clô Orozco, com roupas de festa, e a Vírgula, que propunha coleções de roupas para descansar.

"Estou meio em choque, boba ainda. Não assimilei isso. A Clô era uma pessoa que pensava e vivia elegantemente, e isso ela transferiu com muita propriedade para a moda. Tudo o que ela fazia era uma verdadeira arquitetura de tecidos, tudo de bom gosto, de toque exclusivo e fino, como ela era. A moda da Clô era um reflexo do que ela foi. Para a moda e para os amigos, foi uma perda irreparável", disse de Milão a amiga e cliente fiel Marília Gabriela, em entrevista ao UOL com voz bastante abalada.

"Conheci a Clô em 1978, quando tínhamos ateliê no mesmo prédio, na rua Hungria. Depois, fizemos parte do Núcleo Paulista de Moda. Muito talentosa, uma mulher extremamente racional, dedicada, com visão empresarial e uma excelente diretora criativa. Sempre ia a jantares em seu apartamento, onde ela mesma cozinhava com primor, um refinamento único. Uma mulher que jamais conseguiria viver sem a beleza, a arte e a excelência", lembrou a estilista Gloria Coelho, por meio de sua assessoria de imprensa.

"Meu coração está pequeninho, eu já não tinha mais tanto contato, mas ela foi uma das pessoas mais importantes da minha vida. Nos encontramos em 1983, eu ainda trabalhava na revista 'Manequim', e em 1984 fui convidado por ela para fazer parte do 'team' da Huis Clos. (...) Ela foi minha mestra, minha guia. Sua elegância, seu senso de estilo e seu amor à moda sempre me contagiaram. Vou sentir saudades, vou me recordar de nossas idas ao Anne Future, das idas à sua chácara, do "boa noite Elizabeth, boa noite John Bob", que era como nos despedíamos antes de dormir. Você vai fazer falta Clô, neste mundo cada vez mais deselegante! Obrigado por tudo o que você me ensinou!", escreveu em sua página no Facebook o estilista Walter Rodrigues, que começou a carreira ao lado de Clô Orozco.

"Eu, assim como todo o mercado de moda, estamos muito sentidos. Foi realmente uma grande perda. A Clô era uma mulher extremamente inteligente e sensível. Ela merecia o título de 'grande dama da moda brasileira', como era conhecida. Fiquei muito triste com a notícia. Lembro muito dela. Nós éramos vizinhos, nos encontrávamos no bairro, na locadora...", disse Dudu Bertholini, estilista da Neon, em entrevista ao UOL.

"Tive a oportunidade de trabalhar para ela e ver a tamanha sensibilidade que tinha em criar com personalidade suas coleções e o quanto era afetiva com seus funcionários", contou a estilista Adriana Degreas, por meio de sua assessoria de imprensa.
 
"Hoje, logo cedo, postei uma imagem de uma orquídea do meu jardim! Viva, linda! Desejei um belo início de Páscoa para todos! Horas depois, soube desta perda terrível de uma amiga, doce criatura, apaixonada pelo seu ofício, um talento e um bálsamo para a nossa moda! Que difícil momento pra todos nos! Sem dúvida carecemos de reflexões profundas sobre tudo!", escreveu Paulo Borges, responsável pelas semanas de moda de São Paulo e Rio de Janeiro, em eu perfil no Instagram.
 
"Tive o privilégio de trabalhar com a Clô em dois projetos distintos, em 2011 e 2012. Foi uma das mulheres mais elegantes que conheci, sempre muito doce, serena e educada, mas sabendo exatamente o que queria. Tinha um estilo completamente autoral e criava estruturas surpreendentes. Foi uma grande perda para a moda brasileira", disse Marcella Kanner, gerente de marketing da Riachuelo, rede de varejo que lançou coleção em parceria com a Huis Clos no fim de 2011.
 

"Clô está entre as estrelas de maior brilho na história da moda brasileira. Fundou sua marca no final dos anos 70 e criou um estilo com quê intelectualizado igual ao nome que escolheu, Huis Clos. Foi fundamental pra profissionalização e construção do mercado de moda aqui, incluindo o SPFW, e formou várias gerações. O minimalismo elegante, muito próprio, era sua marca registrada", disse a jornalista e apresentadora Lilian Pacce ao UOL.

 
"Estou passada. A Clô é uma das pessoas mais bacanas da moda, era uma mulher culta, inteligente e interessada, não era um objeto. Ela caminhava para um lado contrário ao que a moda está passando, a moda de coisas fúteis, fáceis e vulgares. Fico triste por ela não ter conseguido manter um negócio de moda autorial e de qualidade. Choro pela morte dela, e agora a moda brasileira entrou em um momento de luto. A moda brasileira tem poucas coisas para se orgulhar", disse a consultora de moda Mariana Rocha em entrevista ao UOL.
 
"Muito triste por mais uma perda na moda brasileira, vai em paz Clô Orozco", escreveu o estilista Marcelo Sommer no Facebook.
 
"É uma perda enorme, fiquei muito chocada", disse Raquel Davidowicz, estilista da Uma, ao UOL.
 
"Muito triste com a morte da Clô, não sei nem o que dizer", escreveu a modelo Michelli Provensi em sua conta no Twitter.
 
Assista, a seguir, à entrevista que a estilista concedeu ao UOL, em 2009, em que mostrou seu ateliê, assim como desfiles e outros bate-papos:
 
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O microblog Twitter recebeu inúmeras mensagens de pesar. Veja abaixo uma seleção:


*Com colaboração de Geovanna Morcelli e Julia Guglielmetti

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