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Crise, luxo e renovação: saiba para onde caminha a moda masculina

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A estratégia das marcas para atualizar o guarda-roupa masculino é aproximar o universo formal do esportivo imagem: Getty Images/Getty Images/Divulgação/Getty Images

Ricardo Oliveros

Do UOL, em São Paulo

Os lançamentos de moda masculina para a temporada Primavera/Verão 2014 aconteceram em Londres (15 a 18 de junho), Milão (21 a 25 de junho) e Paris (26 a 30 de junho), reunindo um total de 134 marcas. Para além das roupas apresentadas, os grandes destaques foram o questionamento entre as divisões dos desfiles em estações, o novo mercado de luxo, o rompimento dos limites entre formal e informal e a recorrente discussão entre masculino e feminino.

Em 2007, o crítico inglês de moda Colin McDowell, em palestra no Brasil, fez uma declaração que parecia absurda, afirmando que "por causa do aquecimento global, as diferenças climáticas de uma estação para outra estavam cada vez menores, daqui a um tempo não teremos esta concentração em uma determinada semana, mas os estilistas poderão lançar coleções ao longo do ano”.

Ele raspou na trave, como dizemos no futebol. De acordo com a WGSN, um dos maiores escritórios de tendências do mundo, há indicativos muito fortes em direção ao consumo consciente, e o comprador procura cada vez mais itens atemporais. Por isso, as coleções de inverno e verão ganharam produtos que se enquadram em ambas as estações do ano. Então, não é de se espantar a quantidade de casacos, jaquetas de couro, blusas, sobretudos e calças pretas que foram vistos nas coleções que supostamente deveriam estar apresentando uma moda direcionada para um clima mais quente.

Por outro lado, o mercado de luxo na Europa e Estados Unidos está sofrendo com o seu poder de compra, enquanto que países emergentes como Brasil, Rússia, Índia e China (os BRICS) se tornaram um excelente destino para as marcas. A China tem 154 bilionários, o Brasil tinha, no ano passado, 53 e terá, em 2022, 136, segundo a pesquisa anual Wealth Report. Em 2012, mais de uma dezena de marcas estreladas abriram lojas por aqui, confirmando a tendência.

A crise econômica, ao lado da mudança geográfica de capital trouxeram consequências para o mundo da moda. A onda minimalista, com roupas de cortes simples e sem muitas complicações, e uma distância cada vez menor entre o que o consumidor usa e o que está nas passarelas, é muito mais recorrente do que há poucos anos. Se antes, marcas de "fast fashion”, termo utilizado por grandes magazines para produção rápida e contínua de novidades, esperavam para ver o que as grandes grifes lançavam para produzir suas peças, atualmente, a coleção da Topman, marca inglesa de roupas acessíveis, por exemplo, apresentou calças mais largas, peças floridas, como fizeram Prada e Gucci, marcas italianas de luxo, reconhecidas por ditarem tendências.  

Todavia, a moda, para continuar com seu poder de sedução, tem que se reinventar. Uma estratégia, que não é nova, usada para a temporada de 2014 foi romper com os limites entre o formal e o informal. Assim, paletós ficam próximos do desenho da camisa, ou vice-versa, roupas esportivas ganharam versão na alfaiataria. Destaque para as camisetas, que também dominaram o cenário dos lançamentos. Mas não se engane, nas passarelas europeias, elas são feitas de tecidos nobres e seus preços podem alcançar quatro dígitos.

Por fim, uma discussão mais antiga, mas que continua a dar pano para manga, é sobre a questão do masculino e feminino. Muitas coleções apresentaram peças florais, inclusive nos ternos, numa imagem de um homem romântico, em oposição ao homem viril. O desfile de Rick Owens teve como pano de fundo a banda Winny Puhh, que combinava bem com as roupas apresentadas, como saias e transparências, mas com uma atitude punk metal. A experiência mais radical, no entanto, foi de Thom Browne, que a partir de uniformes militares, apresentou casacos bem cinturados, saias volumosas, e os modelos tinham aparência andrógina, reforçada pela maquiagem bem branca e batom vermelho, com direito a uso de blush.

No começo dos lançamentos de Primavera/Verão 2014 em Londres, a crítica de moa Suzy Menkes, uma das mais influentes do mercado, já tinha cantado a bola, quando entrevistou o jovem estilista Jonathan Anderson sobre a volta do estilo unissex
 

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