Moda

Mulheres vencem inseguranças e viram personal stylist de si mesmas

Arquivo pessoal
A designer carioca Ana Soares queria brincar mais com suas roupas. Ela conta a escolha do look: "Nesse dia, eu queria muito tentar uma mistura ousada de estampas e texturas. O barroco da calça acabou coordenando perfeitamente com a estampa de oncinha da blusa, me inspirei um pouco nas cores da natureza. O blazer entrou para equilibrar a minha silhueta, pois sou um triângulo, ou seja, sou mais estreita em cima e mais larga nos quadris. Apesar de parecer uma mistureba, o resultado final ficou harmônico, e... imagem: Arquivo pessoal

Claudia Silveira

Do UOL, em São Paulo

Quem sabe se vestir bem já leva vantagem na hora de montar o look para uma importante reunião de trabalho, uma entrevista de emprego ou um primeiro encontro. Quem acha que não sabe procura inspiração na internet, pede dica para as amigas ou, em alguns casos, chega a contratar uma consultoria de imagem ou personal stylist para encarar o guarda-roupa com outros olhos. As que enfrentam essa insegurança de não saber o que combina com o que estão voltando para a sala de aula para aprender o bê-á-bá de como se vestir bem em qualquer ocasião.

Essa foi a decisão tomada há cerca de três meses por Roseli Mignella, 49. Ex-executiva de uma rede hoteleira, ela ligava o piloto automático na hora de se vestir para trabalhar e sabia o que ia bem com o tailleur ou com a calça de alfaiataria, mas não fazia ideia do que vestir em um jantar num fim de semana de folga ou até mesmo para ir ao supermercado.  “Eu ia para um casamento como se estivesse indo trabalhar. Eu sabia que estava bem vestida, mas não era isso o que eu queria”, conta Roseli, que se matriculou em um curso de Personal Stylist na Escola Panamericana, em São Paulo.

“Eu queria ter conhecimento de moda para me vestir”, diz a ex-executiva. “Não sabia que existia um corpo ampulheta, retângulo, triângulo invertido. Descobri como era o meu corpo e aprendi a me vestir para valorizar o que eu tenho. Aprendi até a me expor um pouco mais, porque usava sempre cores neutras, mas adorava laranja e não tinha coragem de usar”, conta Roseli.

De cada 20 alunas que procuram os cursos de curta duração de moda ministrados pela professora Jo Souza em escolas de São Paulo, duas ou três estão lá para usar os conhecimentos em si mesmas e não necessariamente para trabalhar no segmento.

  • Claudia Silveira/UOL

    Roseli Mignella aprendeu a como se vestir fora do trabalho. Para ela, entre as maiores evoluções no guarda-roupa estão o uso da calça estampada e o mix de colares. Antes, Roseli não sentia confiança para arriscar na calça e costumava usar apenas um acessório de cada vez

“Normalmente, são mulheres recém-separadas ou que querem voltar ao mercado de trabalho depois de ter parado de trabalhar para cuidar dos filhos”, lista. “Mas também tem mulheres que trabalham na área de direito ou da saúde, que vestem branco por muito tempo. Elas dizem: ‘Eu não sei o que é roupa de fim de semana ou de trabalho’”, observa Jo, que, além de professora do curso de Personal Stylist da Escola Panamericana, é coordenadora da pós-graduação em Comunicação e Cultura de Moda no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo.

Segundo ela, também existem casos em que a aluna procura o curso por indicação do terapeuta, para melhorar o autoconhecimento do corpo e melhorar a autoestima. Há ainda aquelas que querem se libertar do consumo excessivo e sem consciência. Esse não era o objetivo da ex-executiva Roseli, mas, após as 36 horas que ficou em sala de aula, ela percebeu uma mudança no seu comportamento durante as compras.

“Eu aprendi a comprar menos, porque passei a comprar não só pela moda, mas pelo meu corpo, minha cor de pele. Se vestir bem não é só grife”, afirma.

A designer carioca Ana Soares, responsável pelo blog “Hoje vou assim off”, já sabia que se vestir bem não é sinônimo de grife e abusava da criatividade na hora de se vestir. Mesmo assim, ela decidiu fazer, no ano passado, um curso de Consultoria de Imagem e Estilo no Senac do Rio de Janeiro. O que ela queria era continuar brincando com as roupas, mas conquistar cada vez mais um visual harmonioso.

Entre os aprendizados, Ana diz que aprendeu a se vestir de acordo com o seu corpo e passou a misturar estampas, cores e texturas com mais audácia. “Eu também percebi que aquela blusa que eu tinha e cismava em não usar era porque era de uma cor que não me favorecia. Passou a fazer sentido”, exemplifica a designer, que diz adorar amarelo, mas por saber que essa cor não a favorece, aprendeu a usá-la mais nos acessórios e menos nas blusas.

Quando estava em sala de aula, Ana observou uma certa diversidade entre os colegas de classe. Além dos que estavam lá com o objetivo de trabalhar na área, ela encontrou um vendedor de uma joalheria e funcionários públicos que queriam se vestir melhor. Ao final do curso, Ana se sentiu ainda mais segura, perdeu o preconceito com alguns tipos de roupa, como a alfaiataria, e passou a colher elogios dos leitores do blog e das amigas. “Eles diziam que eu estava mais elegante”, comemora.

  • Oficina de Estilo

    A personal stylist Cristina Zanetti durante aula do workshop "Descubra e aperfeiçoes seu estilo pessoal", ministrado em São Paulo

Autoestima elevada

A dupla de personal stylists Cristina Zanetti e Fernanda Resende, da Oficina de Estilo, começou atendendo clientes individualmente, mas logo percebeu uma demanda muito maior de mulheres que sentiam a necessidade de aperfeiçoar o estilo pessoal, mas não pensavam em recorrer a uma consultoria individualmente.  Em 2011, elas criaram o workshop “Descubra e aperfeiçoes seu estilo pessoal”, que, desde então, acumula 100 ex-alunas. 

O workshop aborda os mesmos elementos de uma consultoria individual, como análise do tipo físico, cores e compra inteligente, mas é feito em grupo, com até 20 pessoas. A aluna não sai pronta para atuar no mercado de trabalho, mas leva para casa uma extensa bagagem de autoconhecimento. Segundo Cristina, o objetivo do curso é o “empoderamento” das alunas, que têm, em sua maioria, entre 25 e 45 anos.

“Nós entregamos as ferramentas para que as pessoas tenham o poder, sejam responsáveis por elas mesmas. Quando ela é dona da ferramenta, ela consegue trabalhar sozinha e deixa de ser vítima [da moda]”, conta a personal stylist, que diz que o foco do workshop é trabalhar a autoestima de cada aluna e mostrar que ela precisa se vestir pra vida que tem e não a que gostaria de ter. “É fazer ela parar de olhar para fora, para o look do dia da blogueira, e olhar mais para si mesma”, resume. No mês passado, a experiência da dupla se materializou no livro "Vista Quem Você É", lançado pela editora Casa da Palavra.

Base teórica e prática

Nesses cursos, o aluno mergulha na teoria das cores, aprende a trabalhar a proporção dos acessórios e das estampas e aplica o que aprendeu na prática, ainda em sala de aula. Quando o curso acaba, a evolução no guarda-roupa ainda está só no começo. A ex-executiva Roseli tomou coragem e comprou uma blusa laranja. “Já usei várias vezes. Adoro!”, vibra ela, que pretende fazer mais cursos na área.

Quem toma gosto pela moda chega a levar o hobby até uma pós-graduação. A professora Clarice Garcia, da pós em “Criação de imagem e styling de moda” do Centro Universitário Senac São Paulo, calcula que entre 5% e 10% dos alunos em sala de aula estão lá pelo prazer e não para se profissionalizar. Eles estão em busca de conhecimentos mais aprofundados e acabam aprendendo muito mais que combinações de texturas. 

Para Clarice, a sala de aula “abre os horizontes e dá as ferramentas para o aluno ser um criador”. Quem também quiser ampliar os horizontes na hora de se vestir, existem algumas escolas pelo Brasil que formam profissionais em consultoria de imagem ou personal stylist e que estão abertas a qualquer interessado. Veja a seguir onde estudar.

Pelo Brasil

Senac
Presente em vários estados, possui cursos diversos, entre eles “Como desenvolver sua imagem e seu estilo pessoal” e Consultoria de Imagem”. Para consultar preços, datas e outras informações em www.senac.br

Em Belo Horizonte

Instituto de Arte e projeto (INAP)
Oferece cursos como “Imagem pessoal e comportamento”, "Produção de Moda" e "Moda e Estilo"
Informações: www.inap.com.br  ou pelo telefone 31 3273-3330

Em Porto Alegre

Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos)
Oferece o curso de extensão “Formação de consultoria de estilo: personal stylist”
Informações: www.unisinos.br ou pelo telefone 51 3591-1122

No Rio de Janeiro

SENAI - CETIQT
Possui vários cursos na área de moda, entre eles o de extensão “Consultor de imagem”
Informações: www.cetiqt.senai.br ou pelo telefone 21 2582-1001

Em São Paulo

Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
Tem o curso “Consultoria de imagem e estilo”
Informações: www.belasartes.br ou pelo telefone 11 5576-7300

Escola Panamericana
Oferece o curso livre “Personal stylist”
Informações: www.escola-panamericana.com.br ou pelo telefone 11 3661-8511

Escola São Paulo
Oferece vários cursos livres, entre eles, "Consultoria de moda", "Como encontrar seu estilo", "Consultoria de imagem: como encontrar seu estilo" e "Consultoria de moda feminina e masculina"
Informações: www.escolasaopaulo.org ou pelo telefone 11 3060-3636

Oficina de Estilo
Ministra o workshop “Descubra e aperfeiçoe seu estilo pessoal”
Informações: http://oficinadeestilo.com.br/estilo-pessoal

No exterior

Em Nova York

Fashion Institute of Technology (FIT)
Uma das principais escolas de moda no mundo tem curso de formação em consultoria de imagem e fashion styling. Também é possível fazer disciplinas isoladas e até on-line.
Informações: www.fitnyc.edu (em inglês)

Em Londres

London Image Institute
É uma das mais tradicionais escolas de formação em consultoria de imagem e já deixa claro que é aberta tanto para quem quer se profissionalizar quanto para quem quer aplicar na vida pessoal.
Informações: www.londonimageinstitute.com (em inglês)

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