Moda

Faculdade da Condé Nast oferece olhar de primeira fila sobre a indústria

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Susie Forbes é editora veterana e diretora da faculdade Condé Nast imagem: Divulgação

Do The New York Times, em Londres

Há alguns meses, Zuzanna Ciszewska trabalhava em uma agência de relações públicas em Varsóvia, no crescente setor de tecnologia da Polônia. Mas um dia, a moça de 24 anos com mestrado em antropologia e paixão por moda viu um anúncio na “Vogue” britânica.

Agora, a senhorita Ciszewska é uma dos 45 estudantes da Faculdade Condé Nast de Moda e Design, matriculada em um curso de 10 semanas que introduzirá temas como calendário de moda, história da moda, estilistas importantes, jornalismo de moda, varejo, negócios, marketing e relações públicas.

“A única coisa que não estamos ensinando é o desenho em si”, disse Susie Forbes, uma editora veterana da Condé Nast e diretora da faculdade.

“Na Grã-Bretanha, temos o desenho de moda já bem coberto. Londres tem uns dos melhores estilistas do mundo e as melhores escolas de design do mundo. Por que competir com isso?”, disse Susie em uma entrevista na escola, que fica em um prédio recentemente renovado no SoHo que um dia pertenceu à Central Saint Martins e está a uma pequena caminhada da sede da “Vogue”. “O que oferecemos – particularmente no curso de 10 semanas – é uma ampla seleção de cursos voltados ao mercado que procuram mostrar para os estudantes como a indústria da moda funciona de fato”.

Também é oferecido o nome Condé Nast e uma promessa de associação com a empresa responsável por “Bíblias da moda” como “Vogue”, “Glamour”, “Allure”, “GQ” e “Women’s Wear Daily”.

No entanto, Susie disse ser importante para estudantes potenciais entender que, apesar de o curso dar a eles um lugar na primeira fila do mundo da moda, ele não compraria um emprego ou mesmo um estágio em uma publicação da Condé Nast. “Não somos uma escola para alimentar a Condé Nast. Nossos editores e publishers não querem se sentir obrigados e pegar nossos alunos”, disse Susie.

“Em termos de empregos, precisamos ter um toque bem leve – não só aqui, mas na indústria”, acrescentou. “Mas nós perguntamos aos empregadores quais qualificações eles procuram e se podemos mandar para eles de tempos em tempos sugestões de pessoas. E eles percebem que selecionamos muito cuidadosamente nossos inscritos, então eles estão entrando em contato conosco”.

Estudantes pagam R$ 22,5 mil por um curso de moda que terminará com um certificado de moda da “Vogue”. Com palestrantes de diferentes títulos da Condé Nast - que também inclui “Wired”, “The New Yorker” e “Vanity Fair” -, e passeios a museus, ateliês de moda e produtores, o curso lembra um estágio bombado mais do que um trabalho de rigor acadêmico.

  • Reuter/Getty Images

    Muitos dos alunos da Faculdade Condé Nast sonham com uma vaga nos principais títulos da publicação, trabalhando para editoras de moda famosas como Anna Wintou (esq.), Emmanuelle Alt e Anna Dello Russo (dir.)

A partir de outubro, a faculdade também vai oferecer um curso de um ano, no qual os alunos irão focar na história e influências do design de moda, mercado editorial ou negócios. Estudantes, que pagam R$ 66,7 mil, devem finalizar um projeto criativo e individual. Eles sairão com 30 créditos certificados pelo Open College Network, equivalente a um primeiro ano de ensino superior e poderão completar um curso em outras escolas de moda ou design no país ou exterior.

Em comparação, o curso de um ano da Central Saint Martins custa R$ 12 mil para estudantes locais e R$ 37 mil para estrangeiros.

Em um post intitulado “Faculdade Condé Nast: Uma escola apenas para os ricos ou para todos?”, a blogueira Farhana Nazir, do site “My Fashion Life”, questionou o alto custo do curso e se o programas como este “reforçam ainda mais a ideia de que educação de moda é restrita aos privilegiados”.

Susie respondeu que o custo do curso era justificado pela atenção individual dada aos estudantes. ”A estrutura da taxa é um reflexo do extraordinário alto nível da equipe e sua disponibilidade da qual os alunos irão se beneficiar, o acesso incomparável à indústria que eles receberão, e a natureza quase customizada da experiência de ensino pela qual cada estudante passará e o imenso investimento financeiro que a Condé Nast está colocando nesse projeto”, disse ela.

“Essa é uma atividade para lucro”, disse Nicholas Coleridge, diretor na Condé Nast, em entrevista ao telefone, acrescentando que “estamos oferecendo um contato mínimo de 16 horas semanais, quando as outras universidades dão muito menos”.

A faculdade deve começar com 45 estudantes em outubro e espera receber 300 alunos no próximo ano.

Apesar de certificada pelo conselho britânico, a escola não pode dar diplomas, pois tem de estar funcionando por mais de um ano para poder requisitar isso. O plano é oferecer um diploma de curso de dois anos, possivelmente em associação a outra escola universidade britânica. “com cursos comprimidos para que estudantes possam terminar um anos antes do que o usual”, disse Susie. Depois disso “podemos pensar em uma parceria com uma universidade para nós mesmos darmos diplomas”.

Muitas publicações famosas começaram como projetos nos campus. Nos anos 1920, Henry Luce e Briton Haddon, que trabalharam juntos no The Yale Daily News, começaram a revista “Time”. "Granta", a publicação transatlântica, originalmente foi uma revista literária na Universidade de Cambridge. Iniciar uma universidade a partir de uma revista é um feito muito mais raro, mas Susie cita a Domus Academy de Milão, uma escola de pós-graduação em design que teve sua origem na publicação mensal de mesmo nome.

Susie aponta também que a empresa licencia uma rede russa de cafés e bares com nomes de títulos como “Vogue” e “Tatler”. A faculdade Condé Nast é obviamente mais querida para a companhia. “Nosso presidente, Jonathan Newhouse, desafiou as diferentes empresas a ver se poderiam fazer algo que não dependesse de propaganda ou tiragem”, disse Coleridge. “Acreditamos que tínhamos uma autoridade para oferecer algo convincente”.

Zuzanna disse que voltaria para a Polônia ao fim do curso e procuraria por um novo emprego em relações públicas, “mas dessa vez em moda”, disse.

No entanto, Daniela Perinova, 29, estudante com diploma da Universidade de Praga e mestrado em marketing na Universidade Metropolitana de Londres, disse que esperava continuar na Grã-Bretanha. “Sempre me interessei por moda. Mas Praga é um mercado tão pequeno”, disse Daniela, que descreveu seu curso atual como sendo “de tirar o fôlego”.

Aos 19, Alice Carver é uma das estudantes mais novas no curso. Nascida em Londres e aceita na próxima turma do curso de psicologia da Universidade de Exter, ela decidiu estudar moda durante o intervalo de um ano, porque ofereceria “uma chance de entender de que eu realmente gosto antes de comprometer com algo”, disse ela.

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