Moda

Saiba de onde veio e como usar alfaiataria, um grande coringa da moda

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Corte perfeito e caimento bem alinhado ao corpo fazem com que as peças de alfaiataria vistam bem todo tipo de silhueta imagem: Divulgação

Caroline Pereira

Do UOL, em São Paulo

A alfaiataria pertencia exclusivamente ao vestuário masculino até o início do século 20, a partir daí a produção de blazers, ternos e calças para mulheres se popularizou. Desde aquela época até os dias de hoje, é possível ver uma releitura intensa dessas peças, comumente atribuídas a ocasiões sóbrias, em diversas versões, cores e formas, ganhando ousadia e transformando a tradição em uma criativa desconstrução moderna. “Na minha visão, alfaiataria é baseada num apuro estético, na estrutura da roupa, feita para o encaixe perfeito no corpo”, define a professora de história da moda, Denise Pollini.

A Primeira Guerra Mundial impulsionou a revolução do vestuário feminino para que ele se aproximasse ao que conhecemos hoje. Com boa parte dos homens alistados nos campos de batalha, as mulheres assumiram diversos postos de trabalho tipicamente masculinos para a época que incluíam até a produção de armamento. Os vestidos preenchidos por anáguas e demais adereços obviamente não eram apropriados ao trabalho pesado, então calças, jaquetas e macacões foram então introduzidos primeiramente como uniforme das fabricas para, alguns anos depois, ganhar as ruas com tecidos mais delicados.

O uso da calça se tornou um dos símbolos da luta feminista, a transformação de uma sociedade e de mulheres que, uma vez ocupando postos de trabalho, não abriram mão da liberdade alcançada. Não só financeiramente, mas para ser responsável por seu futuro e suas escolhas, inclusive com o que iriam vestir. Esse novo mercado passou a ser amplamente explorado com mais variedade de cortes, modelos e tecidos de blazers, saias retas e, finalmente, calças.

A Inglaterra é um dos países com maior tradição em alfaiataria, um dos endereços mais famosos do segmento no mundo é a Savile Row, em Londres. Mas foi a francesa Coco Chanel uma das primeiras estilistas a inspirar muito de seu trabalho na alfaiataria dedicada à mulher. Famosa por popularizar o estilo de vestir mais solto e simples, ela disseminou uma nova forma de comportamento fashion no final da primeira metade do século 20 e que repercute até hoje. Outro importante nome na história da alfaiataria feminina é Paul Poiret, entre suas criações estavam vestidos inspirados nos casacos masculinos.

Hoje o que se vê é a mutação e adaptação da alfaiataria em todas as suas possibilidades, entre os principais criadores contemporâneos estão a alemã Jil Sander, o brasileiro Francisco Costa com a Calvin Klein, Karl Lagerfeld à frente da Chanel e os britânicos Stella McCartney e Alexander McQueen. No Brasil, alguns exemplos da produção de alfaiataria com um novo olhar, inspirados ou totalmente desconstruídos são Sara Kawasaki, Pedro Lourenço, Huis Clos, Gloria Coelho e Alexandre Herchcovitch. “Tudo que é estruturado remete à alfaiataria”, completa Denise.

Como usar

Peças de alfaiataria podem ser verdadeiros coringas do guarda-roupa, o corte perfeito e o caimento bem alinhado ao corpo fazem com que elas vistam bem todo tipo de silhueta. Como são encontradas em diversas cores, estampas e materiais, é possível investir pouco em peças que podem ser camaleões, deixando o look sóbrio para reuniões de trabalho e descolado para a balada, por exemplo. A mistura é a palavra de ordem para um visual moderno e estiloso. É permitido usar blazers com jeans, camisetas e até macacões. 

Estilistas do mundo todo produzem releituras e desconstruções do estilo com saias despontadas e ousadia em cores e estampas. Casacos com top cropped, vestidos com saia jeans e tênis. Os acessórios também permitem diversas possibilidades, do clássico passando por uma pegada roqueira até um look praiano com cores leves.

As mais ousadas podem seguir a fila de Diane Keaton, Anne Hathaway e Tilda Swinton, que já passaram por grandes tapetes vermelhos portando seus smokings. Há modelos elegantes para ocasiões festivas como casamentos, até no verão, com versões de blazers com manga ¾ e shorts. Para as mais discretas, a inclusão de um blazer básico no guarda-roupa já garante elegância e modernidade a qualquer visual.

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