Moda

Exagero dos desfiles foi feito para durar poucos minutos; entenda

Alexandre Schneider/UOL
Nas últimas temporadas do Fashion Rio, a Reserva substituiu seus desfiles por "happenings". Para o Verão 2014, a marca optou por esconder suas roupas sob cabides com fantasias imagem: Alexandre Schneider/UOL

Julia Guglielmetti

Do UOL, em São Paulo

Modelos com looks extravagantes, chapéus e acessórios imensos, vestidos transparentes, maquiagem de zumbi, cabelo de quem acabou de acordar e sapatos difíceis de se equilibrar. Para muita gente um desfile de moda pode parecer um show de exageros, mostrando looks que jamais serão usados nas ruas. Então, afinal, para que ele serve?

Os desfiles começaram a acontecer no século 19 e serviam para apresentar a coleção dos costureiros para suas clientes. O conceito foi se transformando ao longo do tempo e, hoje em dia, tornou-se um momento de espetáculo voltado para a mídia.

"É basicamente um evento de marketing, é a expressão visual de uma marca. É a demonstração do que o estilista sabe fazer e o momento que ele tem com toda a imprensa prestando atenção", explicou a empresária Costanza Pascolato. "Hoje, não é mais feito para compradores, geralmente a coleção é apresentada no showroom".

A Reserva, que faz parte do Fashion Rio, gosta de substituir seus desfiles por grandes acontecimentos, seja por meio de uma festa da diversidade, com direito a beijo gay, ou pelo questionamento dos desfiles-padrão, escondendo suas peças atrás de fantasias. Nem sempre suas intenções são compreendidas pelo público. A imprensa, que como disse Costanza é um dos principais alvos das semanas de moda, não gostou nem um pouco de ter sua visão impossibilitada por trajes de palhaço, Chapolim e Homem-Aranha.

Principal semana de moda brasileira, o São Paulo Fashion Week mostrou na última semana as propostas de 27 marcas para o Inverno 2014. As coleções foram apresentadas de diversas maneiras, desde o desfile com trilha sonora sertaneja da Amapô, o beijo lésbico de Lino Villaventura, as modelos imitando bonecas de porcelana de Samuel Cirnansck até a forte imagem comercial da Colcci com Gisele Bündchen.

Para alguns profissionais, este é o momento para emocionar. "Para mostrar o que o estilista sonha em fazer em uma coleção. Afinal, nem sempre um sonho é realidade, mas é só transformá-lo em realidade depois", contou o diretor de desfiles Ruy Furtado. A estilista Fernanda Yamamoto diz que "é o momento de exibir o trabalho autoral do artista".

  • Alexandre Schneider/UOL

    31.out.2013 - As tops Isabel Hickman e Alicia Kuczman dão beijo durante desfile de Lino Villaventura para o Inverno 2014. O estilista apresentou sua moda festa com vestidos longos e dramáticos que misturavam cores e bordados

João Pimenta, estilista de moda masculina, começou na Casa de Criadores, semana de moda voltada para novos talentos, e trouxe sua veia conceitual para as passarelas do SPFW, com homens de saias e roupas que dificilmente seriam vestidas nas ruas. "Pra mim, que tenho um trabalho mais experimental, é o momento de você dividir com as pessoas as suas ideias, embora as adaptações ainda vão acontecer. É muito especial, é muito sublime", explicou.

Porém, nas últimas coleções, João Pimenta mostrou uma moda mais comercial, que explicou trazer mais resultados de venda. "Ainda acredito muito na linguagem e acho que o caminho é esse, mas a gente precisa sobreviver e a coisa tem que andar", completou. O mesmo deve acontecer no Fashion Rio, que começa nesta quarta-feira (6) e tem a programação marcada pela presença de marcas tidas como mais comerciais.

A estilista Helô Rocha, da marca Têca, que se apresentava no Fashion Rio e migrou para o SPFW há quatro estações, conta que tudo o que é desfilado vai direto para as lojas, tudo é comercializado. Segundo ela, um desfile "serve para expor a minha identidade e a imagem de moda que quero passar, o que é diferente da pessoa ver a roupa sozinha".

Portanto, não se assuste ao ver os exageros das passarelas, eles foram criados para durar apenas o tempo do desfile e não sair às ruas.

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