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Grupo dono da Zara investe R$ 6 mi em Centro de Integração para Imigrantes

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Novo Centro de Integração para Imigrantes está situado na Barra Funda, em São Paulo imagem: A2Fotografia/DuAmorim

Do UOL, em São Paulo

Após a polêmica, em 2011, do uso de mão de obra em condições análogas à escravidão em uma de suas fornecedoras, a empresa espanhola Zara, comandada pelo Grupo Inditex, tem aumentado, ao longo dos últimos anos, seus investimentos no setor social, sobretudo com relação à condição de imigrantes. Para tanto, foi inaugurado, nesta segunda (15), o CIC (Centro de Integração da Cidadania do Imigrante), serviço criado pela Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania de SP para ajudar os imigrantes que chegam ao estado a garantirem acesso a direitos fundamentais. O projeto teve um investimento de R$ 6 milhões por parte do grupo espanhol.

De acordo com informações do Governo do Estado, o CIC, localizado na Barra Funda, conta com serviços da Defensoria Pública Estadual e Federal, do Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) e do Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor), incluindo emissão de segundas vias de certidões. No primeiro semestre de 2015, estarão disponíveis serviços de regularização migratória e também do Poupatempo. A medida atende à demanda de atenção a refugiados e combate ao trabalho análogo ao escravo.

No Brasil desde 1999, quando abriu sua primeira loja no Morumbi Shopping, em São Paulo, a Zara conta hoje com 62 estabelecimentos espalhados pelo país (53 deles Zara e nove Zara Home) e mais de três mil funcionários --tendo obtido um faturamento de R$ 962 milhões em 2013. O grupo alega ter investido mais de R$ 14 milhões nos últimos três anos, direcionando-se primeiramente à inserção social de imigrantes em parceria a ONGs como CDHIC (Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante) e CAMI (Centro de Apoio e Pastoral do Migrante), e também com programas de capacitação voltados para fornecedores, oficinas e trabalhadores.

“A Secretaria nos contatou porque tinha conhecimento dos tipos de programas sociais que realizamos não só no Brasil, como também em outros países nos quais atuamos comercialmente ou como consumidores de produtos do setor têxtil. Aqui, no caso, temos as nossas lojas, mas também somos clientes da indústria têxtil brasileira”, disse ao UOL Moda o porta-voz do Grupo Inditex, Raúl Estradera. “Em 2013 investimos, mundialmente, R$ 75 milhões em programas sociais. No Brasil, nos últimos anos, temos concentrado nossos investimentos em questões relacionadas à integração dos imigrantes. Acreditamos que esse projeto do CIC vai ser muito eficaz e que terá resultados efetivos na integração dessa comunidade.”

Questionado se a intensificação de investimento nos últimos três anos seria uma forma encontrada pela empresa de tentar melhorar sua imagem no mercado após a polêmica de 2011, Estradera fez questão de comentar que o aumento tem a ver com o crescimento do grupo no país ao longo dos anos e que a falha ocorrida foi assumida e corrigida --tanto com o descredenciamento da fornecedora AHA (que praticava as irregularidades detectadas pelo Ministério Público do Trabalho), como com a intensificação de auditorias da Inditex no que se refere aos fornecedores.

Ainda em dezembro de 2011, os representantes da Inditex assinaram um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) feito pelo MPT, que continha uma cláusula de investimento social no valor mínimo de R$ 3.477.831,22. No fim, o grupo acabou direcionando R$ 6 milhões à causa. A proposta inicial do MPT, porém, estipulava uma quantia de R$ 20 milhões de indenização por danos morais coletivos, mas um novo acordo, em menor valor, se firmou após a Zara assumir a responsabilidade jurídica pelas condições de trabalho de sua cadeia de produção.

A problemática do uso de mão de obra em condições degradantes tem sido assunto recorrente, envolvendo diversas marcas tanto no mercado nacional quanto internacional. A própria construção do CIC foi viabilizada não só pela Inditex, como também pela Restoque, dona da Le Lis Blanc, e pela construtora OAS --ambas igualmente se obrigaram, perante o ministério, a investir em projetos sociais.

De acordo com o procurador do Trabalho Luiz Fabre, responsável pelo TAC da Zara, para cada trabalhador explorado a vantagem para as empresas em geral é de cerca de R$ 2.300 por mês. "Não dá nem para concorrer. Um empresário que cumpre a lei acaba tendo só duas alternativas: ou ele fecha as portas ou ele copia as mesmas práticas", diz. 

Etiqueta consciente
Já anunciado meses atrás, a Zara deve colocar em ação o projeto até o momento intitulado "Fabricado no Brasil", que produz etiquetas codificadas que oferecerão informações sobre os fornecedores por meio de QRCode. A iniciativa, que visa dar mais "transparência" à produção da empresa, ainda não tem uma data definida para chegar às lojas do país, segundo informou Estradera, mas acontecerá em algum momento de 2015.

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