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Especialistas desvendam 20 mitos e verdades na hora de comprar calçados

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Sapatos altos estão entre os principais pesadelos para os pés imagem: Getty Images

Catarina Arimatéia

Do UOL, em São Paulo

Você sabia que os pés costumam aumentar depois dos 20 anos? E que não são apenas os sapatos apertados que provocam calos? Pois é, existem vários mitos relacionados ao universo dos sapatos. Para não errar na hora de comprá-los, mais importante do que saber se o modelo está na moda é desvendar esses erros e acertos. Veja, abaixo, alguns deles.

1) Ao provar, os sapatos precisam estar um pouco largos para não apertar os pés depois
Errado. O solado precisa ter o formato aproximado do pé, nem mais nem menos, ou ficará desconfortável caminhar .

2) Depois da adolescência, calçaremos o mesmo número para sempre
Errado. Segundo a ortopedista Cibele Réssio, especialista em pés e tornozelos e docente da Unifesp - Universidade Federal de São Paulo, a partir dos 20 anos 90% das pessoas aumentam o número do pé. “Da mesma maneira que nos pesamos, também precisamos medir os nossos pés com frequência. Só assim compraremos o calçado adequado”, diz ela.

3) Mulheres grávidas podem calçar até dois números a mais do que antes da gestação
Correto .E isto acontece não apenas pela retenção hídrica, que costuma ocorrer na gravidez, mas também pelo relaxamento dos ligamentos do tornozelo, reação automática do corpo para auxiliar no trabalho do parto.

4) Só sapatos muito apertados dão problema
Errado. Os folgados costumam provocar bolhas bastante dolorosas, resultado do atrito da pele com o calçado. “O calcanhar nunca pode sair do sapato”, afirma o ortopedista Fabiano Nunes, do Hospital Beneficência Portuguesa, de São Paulo.

5) O tipo de pisada não interfere na hora de comprar calçados
Errado. De acordo com o ortopedista Fabiano Nunes, há três tipos de pisadas: normal, em que a pessoa pisa com o meio do pé, distribuindo equilibradamente o peso corporal; supinada, quando se pisa mais com a lateral externa do pé, com impulso no dedinho; e pronada, em que a pessoa joga o peso para a parte interna do pé, tomando impulso com o dedão.  Quem tem pisada pronada, precisa de mais estabilidade no calçado, portanto não é indicado utilizar sapatos e sandálias macios demais, eles precisam ser firmes. Já a pisada supinada acaba gerando uma sobrecarga grande de peso na parte interna dos pés, e nesse caso o mais indicado é o calçado macio. A pisada normal se adapta a qualquer tipo de produto.

6) O melhor momento para se comprar calçados é no final da tarde ou à noite.
Certo. Se alguém comprar um belo scarpin pela manhã para ir a uma festa à noite, é provável que tenha problema. “O pé dilata no final do dia”, diz o médico Fabiano Nunes.

7) A ponta dos dedos não pode encostar no final do calçado 
Certo. Na hora da compra, é importante verificar se há uma distância de, aproximadamente, 1,5 cm entre os dedos e ponta do sapato.  “Os dedos precisam desse espaço para se movimentar dentro do calçado. Se estão muito rentes à ponta, serão comprimidos, o que pode gerar calos e deformações”, fala Cibele Réssio, ortopedista e docente da Unifesp.

8) Apenas sapatos muito apertados provocam calos
Errado. Os sapatos de salto alto costumam provocar calos também, já que os dedos precisam se movimentar mais do que o ideal para dar estabilidade ao andar.

9) As sandálias plataformas são seguras
Errado. Com salto, normalmente se tem mais cuidado ao andar. Com plataforma, há uma falsa impressão de segurança e não nos preocupamos tanto ao caminhar.  E se o solado for estreito, a atenção tem de ser redobrada.

10) É preciso prestar atenção no taquinho (que fica na ponta do salto) na hora de comprar calçados
Certo. O taquinho deve sempre ser levado em consideração. “Nem todos são iguais, os emborrachados são mais estáveis, prendendo-se melhor ao chão”, informa Lígia Villa, docente do curso técnico de design de calçados do Senai - Serviço Nacional da Indústria.

11) As rasteirinhas são sempre seguras
Errado. Se o material do solado for escorregadio há risco de queda. As solas emborrachadas são sempre as mais indicadas, e a parte interna também merece atenção. “Às vezes, você está com uma rasteirinha e o pé escorrega dentro do calçado. É importante que esse tipo de calçado tenha tiras para segurar o pé (como as gladiadoras) e que seja fechado no calcanhar”, diz a designer.

12) É impossível errar na hora de comprar chinelos
Errado. O solado tem de ser antiderrapante e o material da palmilha não pode ser escorregadio. “Se a parte interna do calçado for de verniz, por exemplo, ele vai ficar muito liso. É como se estivéssemos pisando em cima de um plástico. Palmilhas ou material interno com tecido ou ráfia são mais indicados”, conta Lígia.

13) Sapatos e sandálias em couro sintético provocam mau cheiro nos pés
Certo. O couro verdadeiro é mais poroso do que o sintético, permitindo aos pés “respirarem” melhor.  “Se o pé está sempre quente e úmido, ele escorrega dentro do calçado e também fica com chulé”, diz Lígia.  “O pé transpirou? Então é preciso secar o sapato. Se não secar, é como se a gente usasse uma camiseta dias seguidos e não a lavasse”, explica.

14) Os sapatos e sandálias meia-pata são mais seguros do que os de plataforma
Certo. A meia pata acaba “diminuindo” o salto ao reduzir a diferença de altura entre ele e a parte frontal do calçado. Ou seja, se o salto tiver sete centímetros e a meia-pata três, é como se o salto tivesse apenas quatro centímetros. Portanto, calçados assim são mais estáveis e confortáveis para caminhar.

15) Sapatos de salto alto podem provocar encurtamento de músculo da perna
Certo. O salto alto muda o nosso centro de gravidade, já que o peso é jogado cada vez mais para frente. A tendência, nesse caso, é um músculo chamado tríceps sural (a “batata” da perna) encurtar, a ponto de a pessoa ter dificuldade em usar saltos mais baixos. Com a idade, também é comum o músculo ficar mais curto. “Há médicos que dizem para as pessoas idosas usarem um saltinho, mas o ideal é que façam um alongamento da parte posterior da perna. O salto pode resolver o problema momentaneamente, já que irá ‘complementar’ o que falta do músculo, mas vai causar problema mais adiante”, diz a ortopedista Cibele Réssio.

16) Sapatos baixos podem provocar calos na planta dos pés
Errado. O que provoca calos são os sapatos apertados.

17) Pessoas com sobrepeso devem usar sempre saltos baixos
Errado. A estabilidade ao andar depende da biomecânica, da maneira como a pessoa caminha, e também de sua destreza. “Os problemas que uma pessoa com sobrepeso tem em relação aos calçados são os mesmos de alguém magro. Não há diferença”, afirma Cibele Réssio, docente a Unifesp.

18) Calçados plásticos costumam provocar mau cheiro nos pés.
Certo. Em ambientes quentes e úmidos, sem ventilação, as bactérias proliferam, gerando o famoso chulé. Há plásticos mais e menos sofisticados, alguns podem ser perfumados para disfarçar o odor. Mas, na maioria dos casos, os calçados plásticos não só criam um ambiente propício ao chulé como também provocam escorregões. “É importante comprar sapato que deixa os pés respirarem”, diz Valesca Fonseca Nakad, coordenadora do curso de Design de Moda do Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo.

19) Hoje em dia, vale tudo na hora de escolher sapatos e sandálias, mesmo que seja para ir ao trabalho
Errado. A não ser que o trabalho exija o uso de salto alto ou rasteirinhas. “Assim como não utilizamos roupas de baladas para ir ao trabalho, também devemos usar calçados adequados às ocasiões”, diz Valesca. De acordo com ela, saltos de cinco, sete e dez centímetros, por exemplo, são adequados para festas e eventos. No dia a dia, para trabalhar, o melhor é optar por um saltinho de três centímetros. E, se possível, evitar rasteirinhas no ambiente de trabalho. “Nem sempre os locais são tão descontraídos. Em vez de rasteirinha, o melhor é dar preferência a sapatilhas”, fala a especialista.

20) Bico fino “acaba” com os dedos
Certo e errado. Depende do material utilizado para fazer o calçado e também da largura de sua forma. “Se os dedos não chegarem até a ponta e o sapato for confeccionado com material macio, como pelica, por exemplo, o calçado fica bem mais confortável”, diz a designer Lígia Villa.

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