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Roupa com proteção solar realmente funciona? Conheça a tecnologia

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Peças com fotoproteção não dispensam o uso de protetor solar nas regiões descobertas imagem: iStock

Danielle Cerati

Do UOL, em São Paulo

As roupas com proteção solar podem parecer novidade, mas a fotoproteção mecânica --realizada por meio de barreiras como roupas e chapéus-- é a forma mais antiga, comum e fácil de se proteger da radiação ultravioleta (RUV). Hoje, no entanto, os efeitos do sol são muito mais preocupantes do que há anos, quando as pessoas não tinham noção de todos os malefícios proporcionados pela radiação emitida pelo astro.

“Além disso, os esportes ao ar livre, como a corrida de rua, ganharam muitos adeptos nos últimos anos, sendo mais um motivo para se proteger da exposição aos raios solares com a utilização de roupas com proteção”, diz Tina Carneiro, diretora de criação da marca Body for Sure.

De origem australiana, a fabricação de tecidos inteligentes que bloqueiam raios UV foi desenvolvida em 1996, como um método para reduzir a alta incidência de melanoma --tipo de câncer de pele-- no país, cujos habitantes são, em sua maioria, de pele clara e sofrem com a intensa radiação solar.

A ARPANSA (Agência Australiana de Proteção à Radiação e Segurança Nuclear) é a responsável pela criação da norma que quantifica o nível de proteção oferecido pelas roupas --ou seja, a porcentagem de raios UV filtrados por um tecido. “Roupas com FPU 15 e 20 bloqueiam de 93,3% a 95,9% da radiação ultravioleta, oferecendo boa proteção”, explica Daniela Palharine, coordenadora de produtos profissionais da fábrica nacional Cedro Têxtil.

E continua: “Roupas com FPU 20, 30 e 35 bloqueiam de 96% a 97,4% da radiação. Ou seja, fornecem muito boa proteção. E roupas com FPU 40, 45 e 50 bloqueiam mais de 97,5% da RUV. Portanto, permitem excelente proteção. Peças com índices abaixo de 93,3% não são consideradas fotoprotetoras.” Segundo recomendação dermatológica, o uso das peças não dispensa a aplicação do protetor solar nas regiões que estão descobertas.

Não tardou muito para o conceito ganhar o mundo e para que outros países criassem regulamentações próprias, levando em conta a incidência da radiação de cada região. Como no Brasil não há uma norma técnica específica, empresas têxteis adotaram como base os parâmetros australianos para proteção solar de vestuário.

Consequentemente, os tecidos utilizados são submetidos a rigorosos testes realizados em laboratórios credenciados pelo Inmetro, que seguem as normas da ARPANSA, a fim de comprovar a eficiência do FPU. Daí a importância da certificação para a segurança do consumidor. “Artigos como camisetas, bonés, viseiras, maiôs, luvas e itens para a prática de atividades físicas e de lazer recebem certificados e laudos que atestam sua capacidade protetora”, diz Karen Sarnelli, gerente de vestuário e acessórios da marca esportiva Mizuno.

Como são feitas?
Há dois processos que garantem o FPU nos produtos: enquanto os tecidos sintéticos, feitos de fibras de poliéster e poliamida, por exemplo, são fabricados com fios à base de dióxido de titânio, os de algodão recebem um aditivo fotoprotetor que é incorporado ao processo de beneficiamento, após a tinturaria, para complementar o bloqueio da passagem dos raios nocivos. “Trata-se de um banho químico aquoso que reforça os níveis de proteção de um tecido, seguindo as normas australianas. Um tecido comum de lojas de departamentos tem FPU até 5. Com o beneficiamento, ele passa a atingir os níveis mais altos de proteção, oferecendo FPU 50, por exemplo”, esclarece Daniela.

Assim como os bloqueadores solares tópicos, os tecidos com tecnologia UV Protection são feitos para refletir os raios UVA e UVB. Dessa maneira, ao se expor ao sol, a roupa não permitirá que a pele absorva a radiação. De acordo com fabricantes, o efeito de blindagem se inicia imediatamente ao vesti-las, não necessitando de um tempo de espera anterior à exposição solar, e continua enquanto se permanecer vestido.

A função protetora tem ação prolongada e está diretamente ligada aos cuidados com a peça. “É sempre indicado lavá-las sem o uso de alvejantes químicos, secar a sombra e não guardá-las molhadas para evitar o desgaste do tecido”, recomenda Ana Julia Pellegrino, sócia-diretora da UV.LINE, empresa que comercializa itens com esse apelo.

Também de acordo com o diretor da marca, Lyonel Pellegrino, a proteção é permanente e não se compromete com lavagens que seguem as recomendações contidas nas etiquetas. “A proteção dura enquanto o produto estiver inteiriço e só será comprometida se a roupa for danificada.” Entre os sinais de alerta estão puídos, furos, rasgos e desgastes que tornam o tecido mais fino, indicando que o escudo já não está 100%.

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