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Agências de modelo estariam burlando leis que proíbem magreza na Europa

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Agentes estariam colocando pesos nas modelos antes de elas subirem na balança imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

Um dos assuntos mais comentados nos últimos tempos no mundo da moda são as leis que visam acabar com a magreza excessiva entre modelos e, assim, enfraquecer a influência dos sites chamados pró-ana (que apoiam a anorexia em mulheres que buscam "o corpo perfeito"). A França deve seguir o exemplo de países como Itália e Espanha, além de Israel, e em breve aprovar seu projeto que prevê cobrança de multa e até pena de prisão de agentes de modelos e empresas de moda que contratarem profissionais muito abaixo do peso saudável. Acontece que regras estão sendo burladas nos lugares onde essa lei já existe, segundo reportagem do "Observer".

O veículo conversou com uma modelo, identificada como Lauren (seu nome verdadeiro não foi revelado), que trabalhou durante a Semana de Moda da Espanha logo após a lei ter sido aprovada pelo governo do país. Segundo ela, não adiantou nada. "Nos vestiram com Spanx que continham alguns pequenos saquinhos de areia para que as meninas mais magras ficassem com um peso saudável na balança", revelou. "Vi até agente colocando peso no cabelo de algumas modelos."

De acordo com a lei, as modelos têm que apresentar um certificado médico mostrando um Índice de Massa Corporal (IMC) de pelo menos 18, cerca de 55 quilos para 1,75 metro de altura, antes de serem contratadas para um trabalho. O projeto que deve ser aprovado na França, por exemplo, garante que a violação poderá resultar em multas de até 75 mil euros  (R$ 250 mil) para as agências e até seis meses de prisão para funcionários envolvidos.

Para muitos, no entanto, a regra do IMC não representa muito. Em recente entrevista, a modelo canadense Coco Rocha mostrou-se contra a lei. "Nos meus dez anos de carreira como modelo, percebi que a maior parte das meninas não é extremamente magra porque faz esforços para não comer. Elas são naturalmente magras mesmo, é o tipo de corpo que elas têm", disse. "Quando vou a eventos e termino meu prato, as pessoas sempre comentam que ficam impressionadas pelo fato de eu me alimentar normalmente. Eu jamais aguentaria uma agenda lotada como a minha se eu não comesse."

Em matéria recente do jornal Folha de S. Paulo, a equipe de reportagem abordou as modelos brasileiras durante a São Paulo Fashion Week na temporada Verão 2016, que aconteceu entre 13 e 17 de abril, para saber a opinião delas a respeito do assunto. Muitas também se mantiveram contra. "O IMC não dá noção se a modelo é magra ou não. Isso não faz sentido. Na agência, não procuramos meninas pelo peso, mas pelo biotipo magro e pela altura", disse Liliana Gomes, que representa a modelo Laís Ribeiro. Assista abaixo:

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