Moda

Camisetas femininas ainda têm pouca pluralidade de estampas e modelos

Arquivo Pessoal
Cansada da falta de opção nas lojas brasileiras, a estudante Laura Trigo, de 16 anos, começou a confeccionar as próprias vestimentas imagem: Arquivo Pessoal

Juliana Faddul

Colaboração para o UOL, de São Paulo

A mais comum peça de vestuário desde o início do século passado, a camiseta  virou alvo dos defensores da igualdade de gênero e ativistas plus size. O problema é a falta de opção de modelos modernos e femininos araras afora. Com a invasão incisiva da cultura pop na moda ao longo dos anos, muitas estampas vêm sendo restritivas apenas ao consumo masculino. Ou vai dizer que é fácil encontrar desenhos e logos de super-heróis masculinos em peças para mulheres com modelagem bacana?

Geralmente comuns são as versões em baby look (com recorte bastante ultrapassado) com alguma personagem feminina estampada --isso quando não recorrem a estereótipos, adornando com strass, bordados e lacinhos.

Montagem/UOL
As diferenças entre uma camiseta masculina e uma feminina do "Star Wars", produzida pela Riachuelo imagem: Montagem/UOL

Atento às demandas de mercado, lojas de fast-fashion estão apostando cada vez mais nesse nicho. “Vemos um aumento na procura de produtos licenciados para adultos, pois além de aparecem muito fortes nas tendências de moda, os personagens trazem um grande sentimento nostálgico”, explica Julia Medeiros, gerente sênior de licenciamentos da Riachuelo.

Quando questionada, no entanto, sobre a ausência de personagens masculinos nas estampas das araras femininas, Julia argumenta: “Nós já trabalhamos com diversos heróis e heroínas no segmento feminino e no masculino, pois muitas marcas já transcenderam a questão de gênero, agradando a todos. E além do babylook, temos regatas, camisetas, fits alongados, entre outros, em nossas coleções.” Procurados pelo UOL, C&A e Renner escolheram não se pronunciar.
 
Criando alternativas
Cansada da falta de opção nas lojas brasileiras, a estudante Laura Trigo, de 16 anos, começou a confeccionar as próprias vestimentas. “Eu tinha muita dificuldade em achar modelos que gostava e quando eu achava as estampas muito simples. Os desenhos legais eram muito caros ou não vendiam aqui no Brasil, então decidi fazer as minhas”, diz.

E ela teve uma significativa economia ao acrescentar no guarda-roupa mais de 30 peças. “O problema é que você não acha uma camiseta legal online por menos de R$45, sem contar o frete. Posso comprar uma camiseta por R$10, tinta por R$3 e fazer a estampa que eu quiser”, calcula a estudante. A moda pegou e atualmente ela até faz camisetas descoladas para os amigos.

Questão plus size
Outra garota que também fez da adversidade do mercado um próspero empreendimento foi Iara Felix, de 29 anos, proprietária do InsideJokeStore. A irmã, Marina Felix, apaixonada por camisetas com referências de livros e séries, sempre teve dificuldade em encontrar peças que alinhassem tamanho e estampa.

“Quando são longuetes e baby look dificilmente ficam bem, porque o tamanho G é muito pequeno. Já tive que comprar muitas t-shirts masculinas por causa disso ou porque a estampa era mais legal”, conta a radialista de 26 anos.

Flávia Durante, criadora do Bazar Pop Plus Size, explica este problema de maneira bastante sucinta. “Os movimentos de ‘body positive’ [aceitação do corpo, independente das suas curvas] foram fundamentais nessa nova realidade, mas as lojas de departamento precisam oferecer todas as suas coleções também em tamanhos plus size, não somente duas araras no fundo da loja. O mercado não é tão cretino de dispensar um segmento que já fatura mais de R$4 bilhões ao ano somente no Brasil”, fala.
 

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