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MC Carol sobre roupa GG: "Queria fio dental, mas só tinha calcinha de vovó"

Reprodução/Facebook/MC Carol
MC Carol sempre foi gorda, mas nunca teve problema com isso: "Se eu não me achar maravilhosa, quem vai?" imagem: Reprodução/Facebook/MC Carol

Natália Eiras

Do UOL, em São Paulo

Na letra de um de seus maiores hits, "Meu Namorado é Mó Otário", a funkeira MC Carol diz que seu companheiro "lava suas calcinhas" enquanto ela vai para o baile. A frase se tornou um slogan do feminismo "zoeiro" e fez a fama da artista moradora do Morro do Preventório, em Niterói, no Rio de Janeiro, mas lingerie foi, até há algum tempo, um de seus maiores sufocos. "Eu gosto de usar calcinha fio dental, mas tinha que comprar calcinha de vovó porque as sensuais eram só P e M", reclama em entrevista ao UOL.

No fim de março, Carol conquistou o Twitter ao publicar uma foto sorrindo enquanto carregava conjuntos de roupas íntimas em tamanhos GG. "A suavidade no olhar de quem encontrou uma loja com tamanhos reais de uma mulher brasileira", escreveu a funkeira de 21 anos  na rede social. Ela estava comemorando pois, por ser gorda desde criança, já teve problemas até para comprar tênis. "Hoje em dia tem várias lojas plus size, mas antigamente, quando eu tinha 10, 12 anos, era muito complicado", narra.

Sua silhueta era motivo de piada dentro e fora de casa, mas a ex-participante do reality show "Lucky Ladies", do canal fechado Fox Life, não deixava quieto. "Tentaram me humilhar, mas eu nunca deixei. Sou uma pessoa muito extrovertida, então, quando vinham me zoar nas festas de família, eu debochava também", fala.

O jeito bem humorado e a língua ferina a transformaram em um ícone para outras mulheres plus size, alcunha que ela nega. "Não sou inspiração de nada. Ando lendo tantos depoimentos, recebendo tantas mensagens. Eu sempre levei as zoações na esportiva, mas tem gente que realmente fica mal com isso, fica depressivo. Eu acho legal mostrar que ser gorda não é o fim do mundo".

"Queria ser branca"
Fora as piadas, Carol conta que nunca sofreu preconceito por ser gorda, mas que já passou por situações constrangedoras por ser negra. "Tem maquiador que passa base um tom mais claro na minha pele porque não tem make da minha cor. Aí a gente finge que não vê, que não percebe", fala a funkeira, que já ouviu em shows xingamentos como "macaca" e "favelada".

A artista garante que sempre se aceitou, mas a cor de sua pele a incomodou um pouco quando era criança, já que sofria bullying na escola. "Um dia cheguei em casa e disse para meu avô que queria ser branca, porque eu ouvi que o Michael Jackson tinha conseguido. Levei um tapa na cara tão forte que eu nunca mais quis ser branca. Aquele tapa doeu", conta, rindo alto.

Na vida adulta, Carol deixa bem claro que se acha bonita exatamente do jeito que é publicando em suas redes sociais mensagens como "Sou gostosa, sou feliz, sou sexy", além de imagens em poses sensuais. A autoestima elevada também fica evidente nas letras de suas músicas. "Se eu não me amasse ia ser difícil entrar no funk, porque é tanta mulher gostosa…", comenta. "Se eu não me achar maravilhosa, quem mais vai achar?"

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