Moda

Estilosos e diferentões, leitores mostram quem são por meio da moda

Natália Eiras

Do UOL, em São Paulo

"Mãe, não é só uma fase, este sou eu de verdade". Esta frase, muito comum entre adolescentes de estilos alternativos, também pode sair da boca de pessoas adultas que preferem usar roupas fora do comum. Misturas malucas, cabelos ousados ou produções que parecem ter saído de filmes psicodélicos são, eventualmente, vistos como uma forma de "chamar a atenção", mas tem muita gente que usa a moda para se expressar e mostrar sua própria personalidade. O UOL conversou com leitores que gostam de assumir um guarda-roupa excêntrico para passar uma mensagem. Veja:

Tuira Orlandi, 27 anos
"Meu grande exemplo foi a minha mãe. Ela sempre esteve a frente do seu tempo no quesito moda, sempre costurou as próprias roupas, garimpou tecidos incríveis. Foi ela que me deu um norte de estética e liberdade, e me ajudou a abrir a cabeça também para misturar coisas, ousar. É se olhar várias vezes, para que o estranhamento saia da sua cabeça, sabe? Acredito que a forma de você se vestir reflete muito quem você é e o cuidado que você tem ao se expor e a procurar não consumir aquilo que é padrão e, de fato, mostrar para o mundo a que veio. Também tem uma coisa de afrontar com a coragem de ser quem você é. Você tem que se sentir confortável com você mesma pra sair por aí usando tudo aquilo que está fora do padrão. E eu mexo muito com essa coisa de gênero, aquilo que te disseram que é pra menino é pra menina também. Não existe certo, errado, bonito, feio. Eu me sinto bonita e que estou passando uma mensagem legal sobre a força da individualidade. É um ato de rebeldia, de colocar as pessoas na posição delas mesmas se questionarem. Você é e você pode tudo."

Leandro Dário, 33 anos
"Sempre tive um jeito só meu de vestir. Nunca consegui me encaixar num padrão e, mesmo quando trabalhava no mundo corporativo, eu sempre dava um jeito de usar uma estampa, uma sobreposição ou acessórios 'lacradores'. Porém, desde que me coloquei no mercado como artista (há 5 anos), decidi que precisava estar livre e pleno de mim, passei a tomar consciência de que o que eu visto é uma extensão da minha pesquisa de arte e comunica para o mundo quem eu sou de verdade! Hoje eu me sinto completamente confortável com meu visual, e, sinceramente, estou pouco me lixando para o que as pessoas pensam. Quando eu coloco uma roupa eu me visto pra mim, pra satisfazer meu desejo de ser quem eu sou. Uso meu visual  pra contestar, pra imprimir minhas ideias, meus pensamentos e a maneira como eu vejo o mundo, e não só pra sair numa foto."

Iran Giusti, 27 anos
"Sempre tive roupa colorida, camisa laranja. A princípio eu não entendia direito porque eu gostava dessas coisas. Curtia porque era alegre. Mas vivia com uma questão: sempre fui gordo. Era muito difícil porque não encontrava coisas do meu tamanho e, até 19, 20 anos, eu usava roupas que cobriam o meu corpo, mas aí eu entendi que não precisava passar calor. Foi quando eu comecei a usar microshorts, porque sempre gostei muito das minhas pernas. Aí percebi que a moda podia trabalhar muito mais a meu favor do que eu imaginava. Ela tinha que ser a expressão do que eu era, que é uma pessoa que gosta de interagir, de conforto e, acima de tudo, uma pessoa alegre. A única coisa mais chata da situação é que as pessoas se incomodam com isso. Tenho roupas que são consideradas muito chamativas, isso faz com que eu seja muito assediado na rua. A sensação é horrível, mas tudo bem, porque meu estilo é uma questão política, moral. Se eu fosse básico, não seria eu. Para mim, moda é força, poder, se sentir bem com você mesmo. É arte em sua completude, porque realmente expressa você o tempo inteiro para todo mundo."

Érica Imenes, 26 anos
"Eu sempre fui acostumada, desde criança, a gostar de coisas 'diferentes'. Cresci ouvindo da minha mãe que eu poderia ser o que eu quisesse e fazer o que eu quisesse com a minha vida e o meu corpo, e eu acreditei! Eu não me vejo saindo sem um adorno no pescoço, um brincão enfiado no alargador, ou um make cheio de cores e glitter. Meu cabelo já foi de todos os jeitos, mas foi quando eu decidi parar de usar química de relaxamento que eu me senti plena. Tirei as extensões, cortei um sidecut e fiz box braids coloridíssimas (porque eu gosto de achar que sou um unicórnio) e, mais recentemente, raspei mesmo. É de uma sensação inigualável você poder brincar com as características do seu corpo a sua própria vontade. Sempre fui alta, então já sabia que seria impossível me camuflar, mas eu acho que a vida é curta demais pra passar como paisagem. O desprendimento da opinião alheia é a maior e melhor forma de emponderamento que qualquer pessoa pode ter, especialmente quando falamos de pessoas que cresceram encaixadas em minorias sociais e foram ditas pelos outros que só poderiam ser tal coisa, ou se vestir de tal jeito. Sendo uma mulher negra, poder reassumir total controle sobre como eu me sinto bem, sexy, bonita e poderosa, mesmo --agora --  careca, é impagável."

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