Moda

Me empresta essa blusinha? Guarda-roupas compartilhados conquistam adeptas

Bruno Santos/UOL
A House of Bubbles, que trabalha com locação de roupas e acessórios imagem: Bruno Santos/UOL

Ju Silva

Do UOL, em São Paulo

Sabe aquela máxima "na crise as pessoas se unem"? A moda não ficou de fora e o consumismo desenfreado dos anos anteriores deu espaço a uma nova maneira de se vestir: o guarda-roupa compartilhado.

Quem está atento às redes sociais já deve ter trombado online com a House of Bubbles, uma "roupateca" de São Paulo (SP). O local contava com 700 peças de grifes como Reinaldo Lourenço, Osklen e Dior. Ao contrário de um brechó ou das lojas de aluguel de roupa de festa, a agora rebatizada Roupateca ganhou endereço próprio e funciona como se fosse um serviço por assinatura: o usuário paga uma mensalidade de R$100, R$200 ou R$300 e pode retirar, respectivamente, uma, três ou seis peças por mês.

Tudo começou quando as consultoras de estilo Daniela Ribeiro e Nathalia Roberto decidiram mudar a forma de trabalhar com moda. Elas tocavam o Entre Nós, projeto que funcionava como um bazar com peças de descarte dos guarda-roupas da clientela. "A gente quis criar algo novo e relacionado à economia colaborativa. O conceito tem conexão com nosso trabalho e, como estávamos mergulhadas nisso, chegamos no formato da biblioteca de roupas", diz Daniela. "As pessoas que assinam o serviço buscam também por design e informação de moda. Roupa é história e queremos que as pessoas contem as delas", completa.

Enquanto examinava as roupas nas araras, a estudante Catarina Rimbauld, que se tornou adepta dos guarda-roupas colaborativos quando morou na Europa, fazia looks mentais com as peças expostas. "Fiquei muito feliz quando o conceito chegou aqui! Por ser algo que você constrói em grupo, se forma uma espécie de comunidade, de seita", brinca a consumidora que não sabe ainda qual plano escolher.

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Luciana Nunes, fundadora da Lucid Bag imagem: Bruno Santos/UOL
Foi seguindo exatamente este conceito que Luciana Nunes decidiu largar o emprego na área da publicidade para ampliar não só o guarda-roupa, mas principalmente seu círculo de amigos e experiências. "Sempre trabalhei com moda e constantemente ouvia as pessoas reclamando que as peças ficavam encostadas no armário, mas tinham alguma história bacana para contar. Achei que era hora dessas roupas saírem e irem para as ruas", fala. Foi assim que nasceu o armário compartilhado Lucidbag, em São Paulo (SP).

A fotógrafa Raissa Nosralla é uma das usuárias do coletivo. "Gosto de pegar peças para o dia a dia, porque sou uma pessoa que não se monta muito. Deixei algumas saias e vestidos que adoro, mas não consigo usar", fala Raissa.

Luciana teve que adaptar seu negócio cinco vezes até chegar no formato de "guarda-roupa compartilhado". Agora são três planos disponíveis: um básico que custa R$ 50, com roupas de fast fashion e para o dia a dia; um mais refinado por R$ 150, com grifes bacanas como Herchcovitch e Cris Barros; e um luxuoso que sai por R$ 300, que também inclui Gucci e vestidos de gala. E o lucro, aliás, é dividido --para cada peça alugada, a "proprietária" recebe 20% do valor.

Mas não vá pensando que é só pagar a mensalidade para usufruir do armário estrelado. Para alugar, é preciso deixar pelo menos uma peça e passar por uma consultoria. "É muito difícil as pessoas entenderem que o vestuário delas, muitas vezes, não é tão especial quanto elas pensam. Por isso damos esse cursinho, analisamos o guarda-roupa e diagnosticamos o estilo de cada cliente", fala Luciana. "As peças de uma pessoa dizem muito sobre ela. Agora que nos tornamos uma comunidade, e consequentemente sabemos o que tem a ver com cada menina, rola essa cumplicidade. São histórias escritas em conjunto", conclui.

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Peças da Lucid Bag, que trabalha com locação de roupas e acessórios imagem: Bruno Santos/UOL
Ao que tudo indica, para multiplicar é necessário dividir. Segundo a revista "Forbes", a economia compartilhada já movimenta cerca de US$ 3,5 bilhões (cerca de R$ 11,4 bilhões) somente nos Estados Unidos e tem ajudado o país a superar a crise.

No Brasil, embora o modelo seja ainda embrionário, o compartilhamento vem ganhando cada vez mais espaço. Para Ricardo Abramovay, professor da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo), estamos passando por um processo de mutação da economia, de um sistema de oferta para outro que valoriza a experiência. O futuro? É se adaptar. ?O mundo se transformou e a economia já percebeu isso. Hoje o capital mais valioso é a relação humana?, define.

Veja onde encontrar alguns guarda-roupas compartilhados:

SÃO PAULO (SP)

Roupateca
Rua Lisboa, 445 - Cerqueira César
Aberto de segunda a sexta-feira, das 11h às 20h, e aos sábados, até as 17h
www.instagram.com/roupateca/

Lucidbag
Rua Aimberê, 2004 - Sumaré
Atendimento com hora marcada
www.lucidbag.com.br

Casa Goiaba
R. Marta, 115 - Barra Funda
Atendimento com hora marcada
www.facebook.com/casagoiaba

BELO HORIZONTE (MG)

Armário compartilhado
Aberto de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h e aos sábados, das 10h às 14h.
R. Araripe, 245 - Floresta
www.armariocompartilhado.com.br

GOIÂNIA (GO)

Casulo Moda Coletivo
Terça-feira a sábado, das 16h às 22h.
Rua 1136, Qd 244, Lt 13, Nº 550 - Setor Marista
www.casulomodacoletiva.com
 

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