Moda

Edição da SPFW foi marcada por diversidade e pouca inventividade artística

Julia Guglielmetti

Do UOL, em São Paulo

A SPFW, que terminou na última sexta-feira (28), foi marcada pela pluralidade ao exemplificar o peso que as ruas têm de influenciar as passarelas. A marca do rapper Emicida, estreante no evento, por exemplo, deu aula de representatividade com negros, gordos e “pessoas reais” desfilando suas peças. Além dele, Ronaldo Fraga fez história com um emocionante time de mulheres transgêneros protagonizando seu desfile, porque mais importante do que o vestido é quem o está vestindo.

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A inserção do formato de "veja já, compre já", disponibilizando rapidamente as peças nas lojas, encurtou o tempo entre lançar a tendência e levá-la ao dia a dia. Logo, as marcas que abraçaram o modelo acabaram apresentando pouca novidade na semana de moda, reforçando o que já estava em alta.

Um bom exemplo desta falta de apostas para o futuro são as cores. As clássicas, como branco e preto, e as tonalidades eleitas as cores do ano, caso do rosa quartzo e azul serenity (ambos quase em tom pastel), dominaram as coleções.

No entanto, houve alguma mostra de ímpeto artístico com estilistas que preferiram apresentar os chamados desfiles conceituais, com peças sem apelo comercial. Foi o caso da Nohda, que juntou três estilistas mineiros em um projeto experimental.

Nesta edição acabou a obrigatoriedade de apresentar looks para uma determinada estação do ano. A mistureba de coleções de verão, inverno, alto-verão e resort ajudou bagunçar as tendências e propostas dos estilistas. Abaixo, veja as principais disparidades da SPFW TRANS N42

Alexandre Schneider/UOL
imagem: Alexandre Schneider/UOL

Sem gênero vs. feminina (A. Brand e Samuel Cirnansck) A roupa sem gênero está com tudo --e não definir se uma peça é feminina ou masculina é uma discussão que tem gerado discussão. Por isso, o unissex dominou os looks das passarelas nesta temporada, com formas amplas e visual estilo "pijamão". Por outro lado, estilistas que têm a feminilidade sempre presente nas coleções, nadaram contra a maré e exibiram seus vestidos acinturados e delicados, como de costume.

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Biquíni tradicional vs. diferentão (Água de Coco e Amir Slama) Duas grandes marcas de moda praia apresentaram coleções de biquínis bem diferentes entre si. A primeira trouxe estampas tropicais e modelagens tradicionais, já a segunda ousou com looks fetichistas e pouco usuais. Para os dias quentes na areia ou na piscina, o basicão cortininha, por exemplo, continua sendo o preferido do público. Mas o mercado também acaba oferecendo opções para as fashionistas mais ousadas.

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Futurista vs. retrô (Gloria Coelho e À La Garçonne) Tendência entra, tendência sai e o futurismo, com suas linhas retas e recortes secos, segue como marca registrada do trabalho da estilista Gloria Coelho. Por outro lado, Alexandre Herchcovitch, no comando da À La Garçonne, trabalha com reuso de materiais e tecidos antigos em coleções com toque de brechó descolado.

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Minimalista vs. extravagante (Lilly Sarti e Fernanda Yamamoto) As peças básicas, com poucos detalhes e em cores neutras, estão em alta há alguns anos e persistiram nesta edição. Fácil de adaptar para as ruas e de agradar o público geral, o estilo minimalista está com tudo. Mas existem personalidades que precisam de mais do que um conjunto simples, como o da Lilly Sarti. E é com looks repletos de detalhes e informações que Fernanda Yamamoto se encaixa neste time, apresentando sua coleção com formas malucas e muita textura.

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Branco vs. preto (Experiência Nohda e Fernanda Yamamoto) Nesta temporada, duas cores clássicas, branco e preto, foram as mais recorrentes. Uma é clara, leve e a cara do verão. A outra é escura, pesada e típica do inverno.

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Sexy vs. recatada (Amir Slama e Reinaldo Lourenço) Na moda há espaço para todo mundo. Tem quem goste de apostar em transparências provocantes em produções fashionistas e tem quem não abre mão da tradição de uma boa alfaiataria em um look mais formal. As passarelas do evento, portanto, deram espaço a ambas personalidades contrastantes.

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imagem: Alexandre Schneider/UOL

Esportivo vs. festa (Memo e Helô Rocha) As roupas fitness apareceram na coleção da Memo, que trouxe leggings, casacos de náilon e outras peças esportivas. Em contraponto, vieram os vestidos de festa rendados e glamurosos, como o apresentado por Helô Rocha.

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