Luxo

Cresce serviço de aluguel e comércio de artigos de luxo usados

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Aluguel de bolsas de luxo cresce entre consumidoras imagem: Divulgação

Erin Mizuta

Colaboração para o UOL

Quem assistiu ao filme “Sex and the City” vai lembrar que a assistente de Carrie (Sarah Jessica Parker) chega à entrevista de emprego com uma bolsa Louis Vuitton alugada. O tempo passou e essa moda pegou: o comportamento voltado ao consumo consciente influenciou o interesse e a criação de serviços de aluguel de produtos de luxo no ambiente virtual.

“A receita e o número de transações com alugueis vem crescendo a uma taxa de 15% a 20% ao mês nos últimos seis meses”, afirma Isabel Braga, 35 anos, fundadora do BoBags, site de aluguel e venda de bolsas de luxo. “A nossa previsão é de dobrar faturamento em relação a 2015”, diz.

O projeto começou em 2009 como um blog para que amigas compartilhassem peças de interesse comum. Isabel fazia a mediação e explicava o conceito de “closet virtual”. Em 2013, ela teve a ideia de transformar em e-commerce e hoje é possível alugar uma peça por 3, 7 ou 30 dias (ou renovar por mais tempo) --e ainda comprar por um preço inferior ao das lojas. As peças são enviadas via Correios para todo o Brasil.

“Tem gente que aluga uma bolsa por mês e entrou na onda de não ter muitas coisas em casa”, afirma Isabel. Famosos e pessoas que precisam variar o look também recorrem ao serviço. Desde março deste ano, a empreendedora afirma que dobrou o número de interessados em vender bolsas usadas.

A renda, em alguns casos, acaba indo para pagar a faculdade, bancar viagens ou até mesmo adquirir outros itens de luxo. As marcas mais procuradas são Chanel e Louis Vuitton. Quem quiser um produto que estiver alugado pode pedir para ser avisada por e-mail quando ficar disponível.

Juliana Lucki, de 35 anos, percebeu há cinco uma oportunidade para comércio de peças usadas com foco em grifes e criou, então, o Troca de Luxo, site voltado para a venda de artigos de luxo seminovos. Sua inspiração foram os brechós dos Estados Unidos e da Europa. “A crise ajudou o meu negócio, pois as pessoas tinham peças incríveis no armário e passaram a vender para ganhar dinheiro”, afirma.

Em busca do vestido perfeito
Após enfrentar uma “saga” em busca de um vestido ideal para a formatura, a empresária Camila Serra, de 26 anos, decidiu colocar em prática o sonho de abrir um negócio usando a própria experiência.

Em parceria com a irmã, Renata Serra, de 28 anos, ela oferece, por meio da loja virtual Closet Me, locação por aproximadamente R$ 200 de um vestido que, se comprado, custaria R$ 3 mil para ser usado apenas uma vez. De acordo com Camila, os próprios estilistas se animaram com a oportunidade de mercado.

Hoje, eles procuram a loja para criar parcerias, com modelos desenvolvidos exclusivamente para o serviço de aluguel. Em troca, aumentam a divulgação da própria marca. O primeiro foi o estilista Marcelo Quadros, que assinou o vestido de formatura da empresária. Nomes como Adriana Barra, Pedro e Reinaldo Lourenço, Hervé Léger, Badgley Mischka, Roberto Cavalli e Vitorino Campos estão na cartela de opções.

Além de contar com um showroom onde as pessoas podem provar as mais de 450 peças, há o serviço online. Lá, a marca envia um vídeo ensinando a cliente a tirar suas medidas e, após inclusão das informações necessárias, o vestido é enviado já com os ajustes. A loja atende São Paulo (capital), alguns clientes do Sul e Nordeste do país, com cerca de 320 aluguéis por mês. “A economia está em crise, mas as formaturas e os casamentos continuam”, diz Camila.

“Sentimos que as pessoas fazem compras mais conscientes durante a crise, preferindo investir em uma peça mais cara, mas em ótimo estado e que tenha durabilidade”, diz Dani Carvalho do Peguei Bode, site de venda de bolsas usadas que promove também eventos, para que as compras saiam do ambiente virtual. “Vendemos em média 300 peças por mês. Mas em nossos eventos de vendas offline chegamos a vender 200 peças em apenas nove horas”, afirma Gabi Carvalho.
 

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