Moda

Zara aguarda decisão do MP para indenizar trabalhadores

SÃO PAULO, 15 de setembro (Reuters) - A maior varejista de vestuário do mundo, a espanhola Zara, afirmou que pagará indenização aos 15 bolivianos que trabalhavam em condições de escravidão em oficinas terceirizadas em São Paulo, mas que aguardará decisão do Ministério Público do Trabalho.

Em audiência pública promovida na quarta-feira pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, o diretor corporativo do Grupo Inditex-- dono da Zara e de outras marcas de roupas--, Jesus Echevarria, disse que a empresa só indenizará os danos morais após manifestação do Ministério Público do Trabalho, que ainda vai decidir se propõe ou não uma ação judicial.

"Estamos buscando com o Ministério Público do Trabalho, que está vendo se há alguma questão a mais a analisar. O importante é que a Zara se pôs em contato com os trabalhadores, está em contato permanente. Estamos convencidos de que tudo vai se resolver", afirmou Echevarria, segundo a agência de notícias da Câmara.

Em meados de agosto, a Zara foi alvo de denúncias de utilização de mão de obra escrava em duas oficinas na capital paulista. Na ocasião, a Inditex informou à Reuters que o caso envolvia a "terceirização não autorizada" de oficinas de costura por parte de um fornecedor brasileiro, a empresa AHA.

Durante a audiência na quarta-feira, a Zara apresentou as providências adotadas, entre as quais, fortalecimento do sistema de monitoramento, implementação de um programa de capacitação de fornecedores e disponibilização de telefone para denúncia de abusos.

Segundo informações da Agência Câmara, a Zara recebeu 48 autos de infração, sendo que as multas chegam a 1 milhão de reais. A empresa também corre o risco de ser incluída na "lista suja" do Ministério do Trabalho.

"A partir daí, ela perde qualquer tipo de relacionamento com o Poder Público, acesso a financiamentos públicos. Alguns bancos privados também cortam linhas de financiamento. Mas sempre a partir da inclusão da empresa na lista suja", disse o auditor do Ministério do Trabalho Luís Alexandre de Faria.

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