30/09/2007 - 19h50
Tradicional maison Balmain é destaque na ensolarada abertura de desfiles em Paris
CAROLINA VASONE
Enviada especial a Paris
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AFP
Balmain apresentou sua coleção para o verão 2008 assinada por Christophe Decarnin
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A previsão incluía possibilidade de chuva, a temperatura não devia chegar a muito. Mas neste domingo, Paris deu o seu máximo - em torno de 20 graus ensolarados, o pico possível de calor, segundo a meteorologia - para que a abertura de sua semana de moda ficasse com cara de verão, a principal estação inspiradora das coleções que serão usadas em meados de 2008, na temporada de roupas para a Primavera-Verão da Europa (no caso dos europeus, até dá para considerar a primavera, que para nós brasileiros é quase imperceptível).
Num dia considerado de ressaca para fashionistas que viram a semana de Milão se encerrar na noite anterior (no último sábado), o domingo começou cedo, às dez da manhã, e mostrou doze desfiles de grifes de vários países. A maior parte era desconhecida do público brasileiro: da indiana Manish Arora à americana Rick Owens, que coleciona ocasionalmente clientes célebres como a cantora Madonna. Em meio a um cenário de poucos nomes de calibre mundial, foi a tradicional maison francesa Balmain que iluminou a abertura da semana francesa, no meio da tarde, dentro do elegante hotel Westin, nas imediações do museu do Louvre.
Num dos salões do hotel, sob a luz amarelada vinda de lustres de cristal luxuosos, Carine Roitfeld, a poderosa editora da Vogue francesa aguardava, junto ao restante dos convidados, a apresentação da coleção da marca que, nos tempos de seu criador, Pierre Balmain, vestiu de Ava Gardner a Brigitte Bardot e ficou famosa no anos do período pós-guerra por seus vestidos de noite, que, segundo o estilista Dener (contemporâneo, só que no Brasil, a Balmain) eram a primeira opção de dez entre dez mulheres ricas, elegantes e eventualmente célebres quando não sabiam o que usar, já que suas peças caíam impecavelmente e serviam como uma espécie de "curinga de luxo" do guarda-roupa feminino da época.
Os anos se passaram e, neste domingo, o que atraía os olhares curiosos da platéia da moda era a adaptação da tradição à irreverência de Christophe Decarnin, diretor criativo da Balmain pela quarta temporada. Personagem de uma reportagem elogiosa de duas páginas da Vogue americana de outubro, o jovem estilista intercalou longos soltos e vaporosos a curtos justíssimos, além de calças justas, pretas, cavalo deslocado, usadas com jaquetas molengas com bordados prateados no fundo preto. Das laterais das calças e nos vestidos, franjas e mais franjas. Para completar as peças vinham manchadas, num tie-dye de tons mais claros de rosa e azul. "A coleção tinha uma inspiração hippie", justificou Decarnin em breve e tímida troca de perguntas e respostas no camarim, depois do desfile. "Gosto de misturar o suave com o pesado", completou, repetindo a declaração que deu à Vogue (usando, inclusive, o mesmo tênis Adidas, acompanhado de jeans e camiseta preta da foto da revista).
Este balanço entre elementos mais femininos e delicados com outros mais agressivos, feito de forma irreverente porém glamurosa foi reforçado com trilha sonora roqueira, sandálias estilo gladiador (várias tiras ao longo do peito do pé) com salto alto e zíperes grossos e aparentes. No casting, as brasileiras Isabeli Fontana e Raquel Zimmermann interpretaram o estilo da marca.