Como sempre cercado por uma multidão de jornalistas, Karl Lagerfeld falou à imprensa na última sexta-feira (5) ao final do desfile da Chanel. Em francês, alemão e inglês (línguas que troca, conforme a nacionalidade do entrevistador, com a facilidade e a velocidade de uma tecla SAP), o estilista repetia o conceito da coleção e ainda respondia a perguntas sobre o mercado da China, a nova campanha da publicitária da grife (que será com Claudia Schiffer) e sobre as celebridades americanas presentes na platéia.
Em breve entrevista ao
UOL, em que respondeu algumas perguntas do portal, o estilista falou sobre a temática norte-americana da coleção e comentou sua decisão de não mais realizar o desfile que havia planejado no país,
anunciado também pelo UOL em março passado. "Eu adoraria ir, mas é muito perigoso", disse. Leia a seguir:
UOL - O senhor usou o estilo americano como tema da coleção, e o estilo americano tem, como estereótipo, uma imagem de deselegância. Como pegar estes elementos da cultura dos EUA e transformá-los numa coleção Chanel, chique e elegante?Karl Lagerfeld - Isto é um clichê [a idéia de que o estilo americano é cafona]. E este é o meu trabalho; criar elegância, fazer com que [a inspiração da coleção] tenha uma imagem "Chanel" e fazer esta homenagem à América, ao mesmo tempo.
UOL - O senhor disse que os Estado Unidos e a Europa são muito parecidos. Em quais aspectos?Karl Lagerfeld - No momento, porque o dólar está mais baixo, eles [a Europa] estão um pouco condescendentes com os Estados Unidos. Pensam que a América (do Norte) é "fraca". Eu não acho a América "fraca". América e Europa deveriam ficar juntos, porque têm mais relações do que o resto do mundo e os americanos. Para mim, Europa e Estados Unidos são a mesma nação.
UOL - E em relação ao estilo de americanos e europeus?Karl Lagefeld - Sim [os estilos são distintos], mas hoje em dia há muitos e diferentes estilos, não se pode falar em apenas um estilo. Estilo é a expressão certa para resumir o que está acontecendo no momento. Não há um estilo único, mas o estilo do momento, do período, de uma certa mulher, de um certo homem. Não há "um estilo", há sim "estilos".
UOL - Há um look ou uma peça que o senhor goste mais, que considere mais importante nesta coleção?Karl Lagerfeld - Eu só mostro o que eu gosto. Seria até 'racismo' se eu escolhesse um só look, mas gosto muito das jaquetas listradas, das estampas, de muitas peças.
UOL - Há três temporadas o senhor disse que planejava fazer um desfile da Chanel no Brasil [a apresentação aconteceria em 2007]. O que aconteceu?Karl Lagerfeld - Há tantos problemas com guarda-costas, o seguro. Eu adoro a idéia, mas eles [a Chanel] têm que cuidar da segurança.
UOL - Então não vai haver desfile no Brasil?Karl Lagerfeld - Eu adoraria ir [ao Brasil], mas é muito perigoso.