27/02/2008 - 19h08
Hussein Chalayan discute, com história da evolução humana, futuro das roupas
CAROLINA VASONE
Enviada especial a Paris
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AFP
Esboçando sorriso, a top Irina Lazareanu desfila vestido preto criado por Hussein Chalayan
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"A coleção representa um livro abstrato de histórias descrevendo a evolução. O corpo, conduzido pela estampa e pela textura, funciona como um instrumento, primeiro retratando a não-existência, depois o Big Bang e vários estágios envolvendo água, vida, os macacos, sociedades agrícolas e as conquistas obtidas a partir do aço e das armas".
É assim que Hussein Chalayan resumiu sua coleção no primeiro parágrafo do texto colocado nos bancos da platéia para os convidados do desfile da noite desta quarta (27). Considerado um dos jovens estilistas mais importantes do mundo quando se pensa nas novas propostas para o futuro da moda, Chalayan decidiu voltar até onde tudo começou para refletir, a partir de onde viemos, sobre quem somos (ou queremos aparentar ser), para onde vamos e, claro, o que vestiremos quando chegarmos lá. Mais do que isso, ele busca o que a moda pode criar para exprimir, da melhor maneira possível, nossa identidade de humanidade de um futuro tão próximo, ou já tão presente, que se veste, no entanto, cultivando o passado.
Se em outras coleções o designer encantou e abismou com muita tecnologia em capacetes que pareciam de outro planeta, vestidos com estruturas mecânicas de metal que se moviam, se transformavam e terminavam por despir a modelo, desta vez a coisa foi mais simples do ponto de vista tecnológico. Na passarela montada no Museu do Homem (não à toa, o museu cujo tema é a história e as reflexões sobre a humanidade), em Paris, o momento "futurista" apareceu numa entrada de duas modelos cujos looks representavam o Big Bang: círculos mecânicos se expandiam usando como base o corpo das modelos, enquanto frames de luz e cristais se moviam em volta delas.
No resto dos looks, o preto dominou o inverno do estilista, que aos poucos, foi revelando um azul em lã mesclada, numa espécie de bouclê, um amarronzado nas estampas de pedras, bem realistas, o rosa que predominava o efeito de "pixels" ou de pastilhinhas, formado pelos tricôs que apareceram no sapato, no vestido solto curto, franzido no quadril. Outro material utilizado por Chalayan foi a seda em vários vestidos, como os com estampa de vários tipos de pedra, no fundo preto, assim como a lã. A modelagem, ampla, veio em peças na maior parte do tempo curtas e em alguns momentos um pouco mais longas. Na bela série de vestidos pretos, desfilados ao mesmo tempo, drapeados davam a sensação de uma versão moderna dos vestidos gregos, um pouco pela cor (preta, e não clara, como os vestidos gregos) e também pelo deslocamento destes volumes formados pelos drapeados. As modelos, entre elas top models como Coco Rocha e Irina Lazareanu, andavam pela passarela sorrindo, talvez querendo mostrar que a modernidade (ou a "hipermodernidade"), embora complexa e sofisticada em sua essência, pode ser vivida de maneira leve e simples.