24/01/2007 - 23h40
Alexandre Herchcovitch transforma o universo dos bóias-frias em moda
CAROLINA VASONE
Editora de UOL Estilo
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Alexandre Schneider/UOL
Herchcovitch apresenta coleção feminina baseada em trabalhadores dos canaviais
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Os trabalhadores do sertão brasileiro foram alvo de pesquisa de Alexandre Herchcovitch para criar sua coleção feminina para o inverno 2007. Ninguém pense, no entanto, que isto significa doses cavalares de cultura regional literal, cartela de cores de tons amarronzados e outras suposições de interpretação mais óbvia do tema.
Embora a dramaticidade da vida difícil dos bóias-frias no campo estivesse presente o tempo todo na coleção, o caminho para alcançar este efeito passou por outro raciocínio de criação, que incluiu sobreposições sofisticadas, modelagens amplas em tecidos misturados entre brilhantes e opacos na mesma peça (algo como sol e terra), recortes e pregas decisivos para o caimento final das roupas e uma cartela de cores que misturou tons vibrantes de laranja e menta com petróleo, cinza, creme e preto mais sóbrios.
As sobreposições aparecem não só em duas camadas, mostrando o detalhe de baixo nas mangas e colarinho (como a da camisa xadrez por baixo do vestido verde oliva) mas também em recortes da parte de cima das peças, com destaque para os macacões-aventais presos nas costas.
Os macacões, aliás, apareceram muito na coleção, que misturou tecidos como seda e tecidos de alfaiataria, lã, piquê com um "tecido não tecido" (aglomerado de fibras) e, uma grande sacada, um plástico como o de saco de lixo que depois se transformou num vinil fino, fechando o desfile no vestido azul com forro e gola xadrez em azul e creme.
As amarrações e grandes pregas feitas por botões nas costas das peças são outros destaques da coleção, além dos sapatos com efeito de botas, com faixas de couro entrelaçadas, formando canos altos.
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