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25/02/2007 - 23h36

Paris valoriza diversidade cultural e fashion na abertura de sua semana de moda

CAROLINA VASONE
Enviada especial a Paris

AFP

Desfile do estilista Rick Owens, um dos destaques do dia

Desfile do estilista Rick Owens, um dos destaques do dia

Em clima de calorosas boas-vindas, o domingo amanheceu ensolarado para recepcionar, à altura de tantas belas imagens, de belas mulheres e belas roupas, a chegada da semana da moda em Paris. Foi o tempo da portuguesa Fátima Lopes inaugurar a temporada de desfiles dentro de uma galeria de arte na Place des Vosges para que a cidade, ainda no meio da manhã, se desse conta do engano e se adequasse à atmosfera da edição Inverno 2007/08 do evento.

Paris voltou a ficar nublada, com acessos de chuviscos temperamentais. Sem perder, claro, seu glamour habitual, que cai como um tailleur Chanel ou uma saia Balenciaga no corpinho da semana de moda mais importante do mundo.

No primeiro dia de desfiles, ao charme inegável de Paris e sua moda, juntou-se a interessante diversidade de raízes e visões de moda de criadores vindos dos mais diferentes lugares, com os mais distintos repertórios, acolhidos numa programação que, ao longo de oito dias, ainda incluirá entidades fashion como Givenchy, Dior e Yves Saint Laurent.

Entre as treze marcas - sim, em apenas um dia há mais de dez desfiles em Paris - que apresentaram suas coleções neste domingo, Balmain aparece como exceção de tradição francesa do dia. Jovens designers de países como Portugal (Fátima Lopes), Alemanha (John Ribbe), Coréia (Lie Sang Bong) e Bélgica (Bruno Pieters) fazem, entre acertos e erros, uma curiosa mistura de referências, trazendo, mesmo que sutilmente, o perfume de suas raízes em suas roupas globalizadas.

Entre os destaques, o americano Rick Owens (cujas roupas já foram vistas em companhia de celebridades como Madonna e no figurino do filme "O Diabo Veste Prada") aposta nos casacos e jaquetas em couro e pêlos de animais (ai, se o PETA estivesse por perto...) com modernos volumes nos capuzes, na modelagem que lembra a das casacas masculinas de época numa versão entre roqueira e motoqueira. Destaque também para as golas, ora larguíssimas, altas, com zíper no meio, ora mais estruturadas, em ambos os casos dando um ar misterioso às modelos entre glaciais e urbanas, de botas de salto anabela com franjas enormes de pêlo.

Responsável talvez pelo grande momento do dia, a chinesa Ma Ke merece menção especial. Para lançar sua nova marca Wu Yong (em português "inútil" ou "dispensável"), a estilista promoveu uma performance dentro do ginásio esportivo. No lugar de modelos, artistas de rua e pessoas comuns posavam, imóveis, como estátuas vivas, em cima de caixas retangulares individuais e brancas, iluminadas por dentro. Inteiros empoeirados num tom de areia acinzentado, os "modelos" quase se misturavam às roupas, em tons amarronzados e sujos, com sobreposições, acabamentos arredondados, drapeados, em formas amplas e dramáticas. Sentado na arquibancada, o público foi convidado a andar em meio ao "desfile" que, já no próximo dia 28/2 virará exposição, na galeria Joyce, em Paris.
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