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17/06/2007 - 18h58

O mundo da moda perde um de seus maiores astros, o italiano Gianfranco Ferré

MILÃO, Itália, 17 Jun 2007 (AFP) - O mundo da moda ficou de luto neste domingo com a morte de Gianfranco Ferré, o estilista italiano de fama universal que faleceu em Milão vítima de um derrame cerebral aos 62 anos.

O designer morreu no início da noite no hospital em que foi internado na sexta-feira em estado crítico.

"Um homem civilizado. Quando penso em Gianfranco Ferré, esta é a expressão que me vem à mente devido à sua dignidade, sua tranqüilidade e seu sentido de responsabilidade", declarou outro "gigante" da moda italiana, Giorgio Armani, ao ser informado da morte do colega.

"Sempre acompanhei seu trabalho e admirei sua coerência e, inclusive, a retidão intelectual e artística de suas idéias até o fim", acrescentou.

Por sua parte, para Valentino, outro colega de Ferré também mundialmente conhecido, o estilista falecido foi "um dos maiores talentos da moda italiana".

Nos últimos dias, o estado de saúde Ferré foi considerado muito grave e parentes e amigos admitiram que a "esperança de uma melhora era ínfima".

O estilista se sentiu mal na sexta-feira e foi por conta própria para o hospital São Raffaele de Milão para fazer exames. Seu estado, no entanto, se debilitou bruscamente e ele foi internado na unidade de cuidados intensivos.

Ferré já havia sofrido dois derrames cerebrais, o primeiro há quatro anos. Conseguiu se recupera, mas, no entanto, não seguiu os conselhos médicos.

Apesar de ser diabético, jamais moderou sua paixão pelos doces, segundo a imprensa local.

Depois de sua morte, a família decidiu levar o corpo imediatamente para Legnano, localidade do norte da Itália onde ele nasceu em 15 de agosto de 1944.

Ferré, que amava as linhas impecáveis, era um estilista que jamais esqueceu suas origens de arquiteto, e por isso suas coleções eram marcadas por linhas e volumes perfeitamente equilibrados.

"Vestir uma mulher ou um homem significa refletir em termos de linhas, volumes e proporções. É exatamente como 'vestir' um espaço. A diferença reside no fato de que, para o criador de moda, o elemento de referência é o corpo humano, uma entidade em movimento", explicou ele numa entrevista.

Ferré debutou na moda nos anos 70 desenhando acessórios como jóias e cintos antes de criar, em 1974, sua própria linha de roupas, chamada "Baila".

"Recordo-me do meu primeiro desfile, dos aplausos, do entusiasmo e também da incredulidade. Meu primeiro projeto para a 'Baila' foi fazer uma roupa prática para as manhãs e bonita para a noite", afirmou Ferré em seu site de sua maison.

Barbudo, corpulento e sempre usando óculos, o estilista fundou em 1978 sua própria empresa e, nesse mesmo ano, apresentou sua primeira coleção feminina, enquanto que suas primeiras coleções masculinas tiveram que esperar até 1982 e seu primeiro perfume até 1984.

Segundo ele próprio afirmava, desenhava seus vestidos para uma "mulher inteligente, livre e forte, forte em seu temperamento, caráter e seu lado passional".

Falava muito do Oriente e adorava viajar para esta região.

"Sem meu encontro com o Oriente, meu estilo teria sido profundamente diferente", afirmou, ao enfatizar sua preferência pelas cores rosa, laranja e amarelo e sua "relação imediata com a forma do corpo".

De 1989 a 1997, época dourada de sua carreira, Ferré foi o diretor artístico da maison francesa Christian Dior.

Em 2000, o grupo Tonino Perna comprou 90% da empresa Gianfranco Ferré Spa, que, em 2002, passou a fazer parte do "It Holding".

Em fevereiro de 2007, durante os desfiles de prêt-à-porter de Milão, apareceu sorridente ao final da apresentação de sua última coleção feminina e caminhou pela passarela com a cantora britânica Skin, ex-líder do grupo Skunk Anansie e musa de Ferré.

Skin e o modelo francês Patrick Petitjean foram escolhidos por ele para protagonizar suas campanhas publicitárias das últimas temporadas.
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