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28/11/2007 - 13h03

Casa de Criadores antecipa Inverno 2008 e abre temporada com Carnaval, maracatu e leggings

CAROLINA VASONE
Editora de UOL Estilo

Alexandre Schneider/UOL

A top Viviane Orth (foto) e rainhas de bateria foram destaque da passarela de Walério Araújo

A top Viviane Orth (foto) e rainhas de bateria foram destaque da passarela de Walério Araújo

Incubadora de novos talentos da moda brasileira, a Casa de Criadores cortou a fita e inaugurou, na última terça (27), os trabalhos fashion para o inverno de 2008. Na abertura da 22ª edição do evento, a primeira fila estava especialmente estrelada, com convidados como a diretora da Vogue Brasil, Patricia Carta, o estilista Alexandre Herchcovitch e a jornalista de moda Lilian Pacce. A imagem dos três também podia ser vista na exposição do lado de fora da sala de desfiles (no quinto andar do shopping Frei Caneca), de retratos de personalidades da moda usando peças de estilistas que participaram da Casa de Criadores ao longo de seus dez anos de existência. Paulo Borges engrossou o time de elite fashion nacional que prestigiou a noite marcada pelas boas e glamourosoas (cada qual a seu modo) interpretações do Carnaval e do maracatu, respectivamente nas coleções de Walério Araújo e Gustavo Silvestre, e por um curioso festival de leggings também utilizadas de maneiras diversas, com destaque especial para a coleção da promissora Ash.

Responsável pelo primeiro desfile da temporada, a Ash deu continuidade ao seu criativo trabalho de estamparia que, de em pouco tempo, já conseguiu se tornar identificável aos olhos de fashionistas, principalmente nas leggings de lycra coloridas e desenhadas da grife. Quase marca registrada da Ash, a legging veio bem acompanhada na coleção para o Inverno 2008, que mostrou calças justíssimas em jeans para homens e mulheres (mais justas para elas do que para eles), contrapondo-se às peças em malha confortáveis e mais soltas no corpo, das camisetas aos macaquinhos e vestidos curtos femininos. No masculino, a brincadeira com a alfaiataria apareceu em alguns modelos como a jaqueta estilo fraque em moletom com desenho de matelassê. As jaquetas são outro ponto forte da coleção e surgiram com as várias estampas da marca, que desta vez apostou em desenhos de pedaços de bichos, vampirinhos e bocas. O colorido do desenho é suavizado, no look com a lavagem suja das calças e a base também mais suja para as estampas.

No lado oposto do streetwear da Ash, Walério Araújo não dispensou sua alma glamourosa de sempre, com sua também característica pitada de humor e ironia, e se inspirou no Carnaval para criar a coleção de inverno que contou ainda com a presença da top Viviane Orth (queridinha de Galliano) e das rainhas da bateria das escolas de samba Vai-Vai e Águia de Ouro na passarela. Na coleção, brilhos de pedras e cristais bordados em forma de biquíni em cima do vestido e do macacão, ambos em tafetá preto, brincavam com a idéia de segunda pele, como se fossem os corpos das mulatas das escolas de samba. Os brilhos apareceram nos acessórios (sapatos altíssimos de Fernando Pires) e paletós e calças de couro metalizados masculinos, além do vestido tomara-que-caia, também em couro metalizado colorido. Penas de pluma acinzentadas formavam camadas no vestido e nas saias volumosas ajustadas na cintura, ajudando a compor a imagem com referências claras ao Carnaval (acessórios de cabeça e os suportes de seio também apareceram) mas reinterpretadas de maneira chique e glamourosa.

A imagem de glamour e sofisticação também deu o tom do desfile de Gustavo Silvestre, que encerrou a noite na verdade com uma perfomance, em que os convidados passavam entre as modelos paradas numa sala, vestidas com a coleção do estilista. O maracatu rural, inspiração de Gustavo, surgiu diluído, sem deixar o espírito da vestimenta da festa popular de lado, presente tanto na modelagem das mangas largas, da estrutura maior e mais folgada dos vestidos estilo túnica, nas calças também largas (na coleção eram pantalonas e calças estilo saruel, molengas) e, principalmente, nos bordados artesanais, que também são marca registrada do trabalho do próprio estilista. Os brilhos surgiram nos bordados, enfeitando os looks em combinações elegantes de tons de uva com verde escuro, no preto com o bordado vermelho, no dourado em peças em lurex e lamê. Em peças para noites festivas (de jantares a realmente festas), um clima oriental, com toque étnico, também podia ser sentido por quem não conhece bem as roupas do maracatu rural.

No primeiro dia de Casa de Criadores, desfilaram ainda a estreante Diva, com vestidos com estilo bem retrô, com flores, babados e cetim, misturados a leggings douradas com efeito vinilizado (uma combinação que resultou numa imagem um pouco desarmônica), a também estreante Tudi Cofusi, que optou por um desfile performance (o coletivo deveria abrir o evento, mas por problemas técnicos acabou desfilando depois de Walério Araújo), em que as leggings (novamente) coloridas em lycra apareceram também estampadas em tons fluorescente, com botas caubói e camisetas de malha e Thiago Marcon, novamente com temática inspirada nos personagens de Maurício de Souza, o que algumas vezes atrapalhava o foco nos bons momentos de brincadeira de alfaiataria no moletom, em peças femininas, bem cortadas, num desfile, porém, um pouco repetitivo em alguns momentos, como o do vestido curto de mangas bufantezinhas, ou as saias curtas, que voltaram à passarela muitas vezes.

Nesta quarta (28), segundo dia do evento, que vai até quinta (29), desfilam os novíssimos talentos do Projeto Lab, Projeto Lab, Rober Dognani, as estreantes Prints I Like e Weider Silveiro e o veterano de Casa de Criadores João Pimenta.
Hospedagem: UOL Host