30/11/2007 - 12h30
Concorrente do Brazil's Next Top Model, roupa retrô e brincadeira de detetive encerram Casa de Criadores
CAROLINA VASONE
Editora de UOL Estilo
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Alexandre Schneider/UOL
P'tit montou cenário de mansão e fez brincadeira de detetive coletivo na passarela
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A última noite da temporada de moda dos jovens estilistas, a Casa de Criadores, foi marcada, nesta quinta (29), por coleções retrôs, pela participação de uma das integrantes do reality show "Brazil's Next Top Model" (a modelo Ana Paula Costa, que já havia desfilado na noite anterior, com a também concorrente do programa, Éryca) e pela brincadeira de detetive do coletivo P'tit, que montou cenário de mansão, clima de assassinato e atmosfera de exotismo para mostrar sua coleção também exótica, primando pela brincadeira de construções de formas não tão convencionais para as roupas.
Embora os materiais - os estilistas Anna O., Heloisa Faria e Leonardo Negrão continuam garimpando tecidos antigos em viagens e brechós para criar suas roupas - e algumas referências sejam vintage, a P'tit, entre os criadores que apostaram olhar para o passado, foi a única que conseguiu um resultado mais contemporâneo, apesar de seus vestidos e combinações de calças de cintura alta com jaquetas com volumes e geometrias bem acentuados, além de seus vestidos em "pedaços" que formam pontas, pedaços soltos que arrastam no chão e camadas pelo corpo (caso do amarelinho de um ombro só, inteiro de retângulos recortados) criem uma imagem bem particular, para poucas e bem específicas mulheres.
Athria Gomes, que saiu do Rio Moda Hype (o revelador de jovens talentos no Rio), e Ianire Soraluze, foram as responsáveis pelos dois outros desfiles retrôs. Athria Gomes conseguiu bons resultados de caimento em alguns modelos inspirados nos anos 40 e 50, com destaque para o longo em malha colado no corpo até embaixo do peito, com decote e mangas num drapeado molenga e saia que abria elegantemente na barra. Os modelos, porém, não trouxeram, de fato, a mistura com o rock proposta, e a imagem do desfile acabou muito literal. O mesmo aconteceu com Ianire Soraluze e suas saias godês em creme, em casas de abelha de tecidos de colcha. Com inspiração no universo de casa e tecidos de tapeçaria e decoração, a estilista fez algumas experimentações com cobertores que viravam saia (não deu tão certo) e capa estilo "chapeuzinho vermelho" (mais bem sucedida, na versão "chapeuzinho verde axadrezado"). No tecido floral de sofá (ou cortina), usado no shorts curtinhos de cintura alta ou na bermuda estilo saia-calça, o material se sobrepôs à modelagem e a imagem puxava mais para a lembrança da cortina e do sofá do que da roupa em si.
Em desfile masculino, Ivan Aguilar que fez bom início de apresentação em tons claros de bege e amarronzados. Inspirado pelas duas Grandes Guerras Mundiais, o estilista - que viajou durante um mês pela Alemanha e vários outros países para pesquisar o tema - suavizou a referência militar, alongou a silhueta em camisas, casacos e mantôs, fez boa brincadeira com o trench coat em casacos mais curtos, ajustados na cintura. Na segunda parte do desfile, nos xadrezes e looks monocromáticos em cinza, foi menos feliz na proporção e na escolha dos tecidos.
Nesta quinta desfilou ainda Marcelu Ferraz, que usou como base da coleção o Japão para criar vestidos curtos estilo quimono, calças saruel em malha para os homens, mangas longas e abertas, meio quimono meio "feiticeira" (outro tema do Inverno 2008 do estilista). A mistura da malha com o o paetê resultou interessante, assim como a modelagem de uma calça e uma bermuda com uma estrutura dura e arredondada, circundando a cintura. A mistura do brilho do cetim, com os looks todos em pretos, provocaram, em alguns momentos, imagem um pouco pesada.