25/02/2008 - 13h46
Galliano recria anos 60 para a Dior, com um toque de perversão
CAROLINA VASONE
Editora de UOL Estilo, enviada especial a Paris
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EFE
Peças sofisticadas e com brilho foram apresentadas pela Dior para o Inverno 2008/09 em Paris
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Cascata de água como cenário, a Dior se volta para o estilo do início dos anos 60 que a própria maison ajudou a criar para conceber seu Inverno 2008-09. Na tenda montada nos jardins de Tuileries, ao lado do complexo do Louvre, porém, mais de quarenta anos de janela entre uma época e outra não poderiam ser ignorados por um estilista do calibre de John Galliano.
A releitura "sixties", portanto, veio com força, porém adaptada ao século 21. Claro, não o século 21 da mulher que anda nas ruas, pega metrô, vai ao cinema (embora no texto para a imprensa a maison tenha mencionado uma "garota Dior" que trabalha). Como grife do segmento de luxo que é, sua função é vestir mulheres quase de outro mundo, com gosto por se enfeitar com bordados, peles e materiais de primeira linha que incluem a seda pura e a pele da cobra python (recentemente bastante utilizada em bolsas, sapatos e outros acessórios). Ao gosto pela riqueza de roupas que literamente brilham, contrapõe-se, de maneira a balancear o que poderia ficar exagerado, uma certa perversão já conhecida de Galliano, reforçada pelo toque "caubói" em peças como os bonitos chapéus coloridos envernizados (o outro chapéu lembrava versões com lacinho dos "bobs", modelo usado pelos policiais britânicos) e também pelo styling dos cabelões anos 60 bagunçados (quase faziam menção aos de Amy Winehouse), das unhas longuíssimas coloridas em tons como roxo, o make com cores fortes e linhas pretas marcadas.
Na modelagem, cada casaqueto curto aberto em "A" ganha uma forma diferente, que para olhos atentos, faz toda a diferença nos inúmeros tailleurs coloridos em lã (a maioria) para o Inverno 2008-09. A cartela de cores também poderia esbarrar no literal se não ganhasse em sofisticação de meios tons (quase sempre fortes, vibrantes), com destaque para o rosa ora mais fechado, indo para o framboesa, ora mais vivo, pink, ora com um pouco de roxo, no magenta. O tom arroxeado violeta, o laranja e os verdes num tom abacate e limão completam a cartela de cores da coleção que ainda conta com o preto, com o branco e com o cru, em poucos e pontuados momentos ou detalhes.
Nos tecidos, além da lã, da seda e do couro, a pele também aparece suntuosa, cobrindo os casacos na altura do joelho, também abertos em "A". No joelho, ou levemente acima dele ficam também as saias, muitas estufadas, arredondadas, no formato "bolha" sessentista. As luvinhas curtas também fazem menção à década.
Na parte do desfile dedicada à linha para a noite, os vestidos são longos e novamente ganham detalhes "divisores de água" para que a inspiração nos anos 60 seja domada pelo espírito contemporâneo que a grife quer precisa, e conta com o talento de Galliano para ter.