26/02/2008 - 19h50
Issey Miyake mostra seu romance apocalíptico japonês e desfila vestido de noiva de cliente em Paris
CAROLINA VASONE
Enviada especial a Paris
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Antonio Barros/UOL
Vestido de noiva de uma cliente de Issey Miyake integrou o desfile do estilista em Paris
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Suponha que você vá casar e encomende um vestido de noiva para um famoso estilista. O modelo fica tão bom que ele pede para que seja usado na apresentação de sua próxima coleção. E assim, seu vestido vai parar na Semana de Moda de Paris.
Foi exatamente isso que o diretor criativo da Issey Miyake, Dai Fugiwara, fez no desfile para o Inverno 2008-09 europeu na tarde desta terça (26). A cliente em questão vai casar daqui a três dias (29 de fevereiro) na Finlandia, e seu vestido ajudou a contar a saga romântica de um amor apocalíptico na passarela. Mas esta é apenas uma história curiosa do desfile da grife japonesa que teve muito mais do que isso para mostrar nesta coleção.
Uma das primeiras marcas do Japão a se estabelecer em Paris nos anos 80, a Issey Miyake retomou sua veia japonesa e criou um inverno ao mesmo tempo feminino e rigoroso e engenhoso nas formas, com os volumes que estufam partes das peças e ainda causam um saboroso estranhamento aos olhos ocidentais, no plissado sanfonado nos vestidos pretos e no bonito roxo, nas amarrações que, juntas, formam uma saia, uma jaqueta, um vestido, instigando o pensamento da matemática da moda (e, verdade seja dita, nós, do Ocidente, sempre fomos piores nas contas do que eles, e talvez essa ignorância torne o trabalho quase mágico, fascinante).
A matemática de Issey Miyake, no entanto, não torna a conta impossível. Grife comercial, ainda sem venda no Brasil, ela mistura o toque nipônico ao esportivo em coletes compridos, com barras franzidas, com um paletó de alfaiataria aqui, outra calça acolá, nos zíperes que aparecem logo no começo do desfile, nos casacos durinhos, ligeiramente abertos em "A".
Os looks monocromáticos em tons claros e frios como gelo e areia dão lugar a preto, que dá lugar aos degradês em tons de verde e também no framboesa. Nos tecidos, tafetá fininho, tricô, uma espécie de sarja, poliéster.
Além do vestido de noiva - que, detalhe, não era branco, mas acinzentado, com formas que lembravam origamis -, outras momentos poéticos apareceram na apresentação, desde o modelo que abriu o desfile andando de bicicleta |(ele encontrou a modelo na metade do caminho e "passeou com ela": deu certo) até a bonita parte em que a música parou de tocar e tudo o que se ouvia eram os tilintares de um instrumento de metal, carregado por cada modelo. Na inspiração para a coleção, o poeta maldito William Blake também foi citado.