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01/03/2008 - 22h07

Galliano evoca o Oriente, o cinema e o surreal e brinca de fazer filme em desfile

CAROLINA VASONE
Enviada especial a Paris

Antonio Barros/UOL

Vestido da coleção de John Galliano para o Inverno 2008/09 veio com forte ar oriental

Vestido da coleção de John Galliano para o Inverno 2008/09 veio com forte ar oriental

Os nomes mais importantes da moda mundial se reuniram, na penúltima noite da Semana de Moda de Paris, neste sábado (1-3), para assistir às criações do excêntrico e talentoso estilista da moda mundial atual; John Galliano. Anna Wintour (Vogue América), Carine Roitfeld (Vogue francesa), Suzy Menkes (International Herald Tribune), Michael Roberts (Vanity Fair) e até mesmo um dos jovens estilistas-sensação do momento, o também excêntrico Gareth Pug, já sabiam que desfile de Galliano não é nunca só desfile, é também espetáculo. Mas certamente não imaginavam no que se meteriam quando atravessaram a porta de entrada do ginásio onde aconteceu a apresentação.

De repente, um mundo completamente fantástico, com iluminação cor-de-rosa, se abriu diante dos olhos fashionistas como uma alucinação de moda entre surreal e bem humorada. Onde deveriam encontrar a passarela, os convidados se depararam com vários cenários em que situações diferentes eram interpretadas. No primeiro, uma dupla de belos homens, como deuses gregos (ou imperadores romanos, ou ainda xeiques árabes), tomavam champanhe numa espécie de altar no meio de um espelho de água. Em seguida, uma atriz loira reproduzia o glamour das divas de cinema de antigamente numa outra cena. No meio de tudo isso, um senhor dizia (quando perguntado pela reportagem do UOL) interpretar o famoso ator inglês Laurence Olivier (do filme "Spartacus", entre outros). Na parte dos fundos, a imagem de um buda, em dourado, era rodeada de mais adornos, que acompanhavam a mistura de influência indiana, chinesa e até grega, com duas colunas gregas colocadas em um dos cenários.

O caos criativo de Galliano representava um set de filmagem e tinha até o roteirista em cena: ele ficava na frente de uma máquina de escrever, pressionado pela "diretora", para terminar uma história de amor que envolveria Kuba Khan, o imperador da Mongólia e da China, na dinastia Yuan.

O tom surreal e divertido continuou no desfile, mas apenas no styling, com os acessórios de cabeça que beiravam o absurdo, enormes, coloridos. Nas roupas, muitas referências, e muito domínio dos códigos de moda para criar peças que flertavam com várias épocas sem perder a unidade visual, ora remetendo aos anos 60 nos casaquetos godês, curtinhos, ora aos anos 20 de Paul Poiret, com orientalismos, calças estilo saruel de cavalo baixíssimo, ora ao estilo melindrosa. A forma de casulo apareceu em vários casacos mais compridos. Nos vestidos, os babados em camadas maiores apareceram nas saias com cintura deslocada, ao longo de todo o vestido, em decotes e em mangas. As mangas, aliás, abertas, longas ou curtinhas, foram outro ponto de destaque da coleção.

As cores, em tons queimados, com um certo ar empoeirado, passeavam entre o laranja, o roxo, o verde, variações de azul e de rosa. Nos casacos sem economia de peles volumosas ou chamois, o tom era o marrom mais claro, com poucos momentos de preto.

Bordados de metal dourado formavam lindos desenhos de flores em peças como saia rosa bebê e a blusa roxa ou leques preciosos no bonito vestido roxo, de manga curta e aberta. Embora o exotismo estivesse presente no espírito de toda a coleção, Galliano conseguiu criar modelos extremamente usáveis e desejáveis.
Hospedagem: UOL Host