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02/03/2008 - 17h35

"Queria mulheres bonitas, com roupas bonitas e silhuetas gráficas", diz Marc Jacobs, para a LV

CAROLINA VASONE
Enviada especial a Paris

AFP

O estilista norte-americano Marc Jacobs ao fim do desfile da grife Louis Vuitton, em Paris

O estilista norte-americano Marc Jacobs ao fim do desfile da grife Louis Vuitton, em Paris

O último dia de Semana de Moda de Paris teve Marc Jacobs para a Louis Vuitton. Isso significa agradar gregos e troianos do mundo fashion num só desfile. Por um lado, a marca de bolsas mais famosa e cobiçada do mundo exalta a tradição do luxo. Já Jacobs, nome importante da moda irreverente e contemporânea, garante, com as roupas, o frescor de design que a grife precisa para ter sua imagem sempre renovada.

No desfile para o Inverno 2008-09, realizado na tarde deste domingo (2-3) num dos vãos do complexo do museu do Louvre, esta matemática novamente deu resultado positivo. "Queria mulheres bonitas, com roupas bonitas e silhuetas gráficas", resumiu Marc Jacobs no backstage, depois do desfile, para a imprensa. A tradução: mulheres bonitas + roupas bonitas estão para a Louis Vuitton assim como formas gráficas estão para as experimentações criativas do diretor criativo da marca.

Começando praticamente no horário - o estilista chegou até a sair, momentos antes do desfile, de dentro do backstage para dar "bronca" na platéia, mandando que os convidados sentassem para que a apresentação pudesse ter início - o show mostrou a coleção que privilegiava as roupas (embora as bolsas estivessem todas lá). A modelagem foi inspirada na escultura para criar os grafismos citados pelo estilista. "Quando digo escultura, não quero que isso pareça pretensioso. Não há qualquer pretensão", esclarecia Jacobs, antevendo possíveis interpretações artísticas de suas peças de luxo.

É fato, no entanto, que as experimentações de volumes com drapeados complexos que faziam efeito de bolso endurecido, do avesso, aumentando o quadril da saia num momento, para logo estufar a parte de cima de um vestido, ganhavam se não um toque artístico, pelo menos de sofisticação arquitetônica. As calças baggy, com pregas grandes, ou numa versão larga de jodhpur, também revelavam este estudo de modelagem, acompanhadas de jaquetas estruturadas e fofas, feitas de um material que lembrava o de mantas.

Os recortes quadrados, os casacos com pontas e as saias arredondadas traziam geometria aos looks que flertavam com um quê de futurismo, outro de orientalismo. A citação ao Oriente vinha principalmente nos chapéus que pareciam marroquinos. Na verdade, a idéia vinha das espirais de papel.

Em tecidos luxuosos e brilhantes, com uso de casacos de pele e couro, a cartela de cores privilegiou o preto e o prata, com alguns momentos de azul mais claro, vermelho, amarelo, cru e tom rosado de pele.

Na primeira fila, musas de Marc Jacobs como a diretora Sofia Coppola e a performer Dita Von Teese prestigiavam a apresentação que, depois, o estilista definiria como o "ideal de desfile francês".
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