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24/03/2008 - 22h57

Marie Rucki fala sobre a nova geração da moda, em São Paulo

Da Redação

Folha Imagem

Marie Rucki em sua passagem por São Paulo no ano passado

Marie Rucki em sua passagem por São Paulo no ano passado

A diretora do Studio Berçot, em Paris, Marie Rucki, deu início nesta segunda-feira (24) a uma série de workshops e conferências que acontecerão até sexta-feira no Shopping Iguatemi, em São Paulo. Neste primeiro dia, à noite, Marie falou a estudantes e profissionais do mercado sobre a nova geração da moda.

Em francês, a experiente diretora traçou paralelos entre o perfil dos jovens estilistas atualmente e há décadas. Segundo ela, "as gerações mudaram e as necessidades também". Com a globalização e a rapidez com que as informações de moda atingem diferentes cantos do mundo, há um novo ritmo no mercado, menos inocente e emocional, mais focado nos negócios.

Por meio da história de sete estilistas, em sua maioria, em início de carreira, Marie procurou mostrar como esta geração - na Europa e nos Estados Unidos - vê a moda e se relaciona com ela.

Hoje, disse ela, os novos talentos lançam-se na moda já sabendo onde querem chegar e como, têm objetivos claros dentro da profissão e não hesitam em partir para outros ramos ao longo da carreira. "Há 20 anos, quem queria ser estilista o era para a vida inteira. E deixava de ser apenas por fracasso. Agora não é mais assim", afirmou ela.

De acordo com os exemplos citados durante a conferência, que incluíram as trajetórias de Jean-Philippe Gawronsk, Talc, Adam Kimmel, Hedi Slimane e Christian Lacroix, muitos dos promissores profissionais entram na moda por interesse e afinidade, apesar de muitas vezes terem formações acadêmicas distintas, como arquitetura e direito. A sua visão de mercado, no entanto, chega a ser parecida: trabalhar em uma importante maison, pesquisar e analisar as características da grife, sua organização e criar um produto que se torne peça-chave da empresa. A presença de jovens nomes à frente de marcas tradicionais tem se tornado algo comum, em uma tentativa de refrescar e atualizar suas coleções, por exemplo a passagem de Alber Elbaz pela Yves Saint-Laurent e atualmente na Lanvin, ou de John Galliano pela Dior, e Olivier Theyskens pela Nina Ricci.

A nova geração, segundo Marie, conhece o mundo da moda, "o mundo mundano", e seus movimentos, é realista e possui raciocínio frio. Para eles, que flertam com as artes e vêm de uma certa elite econômica e intelectual, está claro que os produtos não são artigos para apenas uma estação e devem ser focados no individual, em oposição a uma estética industrial, mais geral. Sua pesquisa é profunda, desde os croquis, até a escolha do material, sua confecção e preço final, procurando aliar custo-benefício, qualidade e quantidade.

Até sexta-feira, Marie Rucki abordará ainda o desenvolvimento do processo criativo, a moda como linguagem de nosso tempo, as grandes carreiras da moda, entre outros temas.(FERNANDA SCHIMIDT)
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