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25/03/2008 - 13h16

The New York Times: Duas pessoas que acreditam que moda é mais que flash

CATHY HORYN
The New York Times

New York Times

A dupla italiana Roberto Rimondi e Tommaso Aquilano, da grife 6267

A dupla italiana Roberto Rimondi e Tommaso Aquilano, da grife 6267

Como um número de telefone, 6267 pode ser facilmente lembrado. É o nome de uma grife italiana relativamente nova. E talvez seja positivo os estilistas Roberto Rimondi e Tommaso Aquilano terem escolhido para o nome algo tão impessoal como um número, já que eles são mais técnicos do que criadores.

Ter habilidade técnica é raramente um ponto negativo, mas não é uma qualidade que recebe muita atenção ou movimenta muitas roupas. Moda é essencialmente autobiográfica e sentimental. Estilistas colocam seus nomes nas marcas, contam suas histórias, expressam seu gosto e experiência, e, se as contam bem e com freqüência suficiente, encontram um público.

É claro que muitos criadores também são técnicos: Alber Elbaz, da Lanvin, e Yohji Yamamoto, para mencionar apenas dois. Mas nos últimos anos, à medida que a ênfase tem sido colocada sobre personalidade e talento criativo, o trabalho tem recebido menos destaque para outras habilidades, como bordaria e estamparia. O trabalho é mais do que acertar uma manga. Envolve a criação de padrões e caimento, qualidades que foram parcialmente reduzidas, se não totalmente, como um resultado da queda no número de alfaiates talentosos em Nova York e na Itália.

Todo mundo sabe que roupas são caras. Mas, se a indústria quer evitar se tornar um elefante branco, precisa de consumidores diferenciados, não apenas os ricos. Precisa de estilistas que estão mais interessados nos materiais usados do lado de dentro de uma jaqueta do que no de fora. Apenas por este motivo já vale a pena lembrar da 6267.

Rimondi e Aquilano, cujas peças misturam alfaiataria italiana com uma noção de chique vinda da moda francesa, começaram a grife em 2005, em Mântua, capital da Lombardia. Eles rapidamente ganharam atenção de Franca Sozzani, editora da "Vogue" italiana, ao vencer um concurso da revista para novos talentos. Ao contrário de Paris e Londres, Milão tem sido devagar para produzir novos nomes, e Sozzani, seguindo o exemplo da colega Anna Wintour, da "Vogue" norte-americana, estava empenhada em mudar isso.

Mas Rimondi e Aquilano eram uma opção estranha. Para começar, não eram jovens. Rimondi, hoje aos 37, tinha passado mais de 15 anos na MaxMara, uma empresa que insiste na anonimidade de seus estilistas. Ele conheceu Aquilano, 38, por volta de 1999. Seus primeiros casacos e vestidos, ainda que bem feitos e femininos, não sugeriam um talento original.

A MaxMara é um local tão sóbrio e centrado, com seus donos, a família Maramotti, raramente dando entrevistas, que era difícil avaliar o que esta experiência significaria em comparação às maisons mais exibidas de Paris e Milão. Mas lá Rimondi, o mais tecnicamente obsessivo da dupla, trabalhou para duas figuras importantes da moda italiana: Achille Maramotti, fundador da empresa, e Laura Lusuardi, diretora de criação.

"Na MaxMara eu pude ver tudo - o tecido, a criação de padronagens, o desfile, as lojas", disse Rimondi. Ele descreveu Maramotti como "um cavalheiro e um gênio", com uma noção particular de proporção. "O Sr. Achille começou a gritar uma vez, dizendo que a proporção de uma jaqueta não era exatamente como a da Balenciaga", contou Rimondi carinhosamente.

Ao mesmo tempo, Maramotti, um grande colecionador de arte contemporânea, deu-lhe carta branca para desenhar o que gostasse. "Eram pessoas que amavam este tipo de trabalho", disse Rimondi.

Com algumas temporadas, você podia detectar um estilo que começava a emergir nas roupas da 6267. Os ombros eram mais pontudos e os volumes, mais interessantes. No desfile para a primavera-verão 2008, com jaquetas inspiradas por quimonos japoneses e o mesmo corte preciso, Rimondi e Aquilano tiveram seu primeiro grande momento. Por dentro, as peças eram refinadas, com vivos e botões costurados à mão.

Os estilistas tinham algo a mais que os diferenciava e foi rapidamente observado por compradores americanos, como Ryan Zentner, dono da Really Great Things, uma loja de Nova York. A dupla é sócia em uma pequena fábrica em Mântua, com Angela Picozzi e sua mãe, Grazziella. A família Picozzi está envolvida na criação de roupas há anos, trabalho este que começou com o pai de Ângela, Mario, 65, quando deu início a uma alfaiataria em Nápoles aos 15 anos. A primeira fábrica de Grazziella Picozzi produziu os exemplares iniciais da Martin Margiela. Ângela, uma mulher viva e desinibida, passou um ano em Londres como compradora assistente na Harvey Nichols; tanto ela como sua irmã Elena, uma advogada, são sócias da 6267.

Quando Anglea e os dois estilistas decidiram abrir a fábrica, eles chamaram várias pessoas, agora aos 70 anos, que tinham trabalhado para os pais dela.

"Eu estava mais impressionado com Angela e sua fábrica do que com os estilistas", lembrou Zentner, que cruzou com o grupo há dois anos durante uma feira em Paris. "Era a última hora do dia. Eles não tinham feito uma venda. Eu sentei e disse: 'contem-me sobre vocês'". Picozzi, mais fluente em inglês do que Rimondi e Aquilano, falou sobre a criação de padronagens e caimento.

Zentner se tornou seu primeiro cliente. "Eles ouvem o que um revendedor precisa, especialmente em relação aos comprimentos", disse ele. "É uma coisa colocar algo na passarela que fica 15 cm acima do joelho. Outra é colocar isso em uma mulher normal. Nós temos clientes de 20 a 70 anos".

Marilyn Blaszka, dona da Blake em Chicago e uma das primeiras apoiadoras da 6267, notou outras diferenças. "O que é considerado luxo hoje não tem muito a ver com o que é bem feito", disse ela. "As roupas deles têm uma modelagem ótima e boa aparência antes de você experimentá-las. Não é alfaiataria reta. Tem curvas".

Entre os looks favoritos de Marilyn para o inverno estão um vestido de lã xadrez com mangas curtas em couro preto ("Não tem idade") e um vestido de manga comprida, inspirado em Klimt, com aplicações pretas e penas brancas. "Sinto que eles representam o melhor que é italiano e milanês, mas definitivamente não o que é antigo", disse ela.

Este é exatamente o efeito que Angela quer. "A nossa idéia era vestir qualquer tipo de corpo e fazer com que a mulher se sinta elegante", disse ela por telefone de Mântua. "Acho que esta é a força da 6267. Você tem a modernidade e criatividade, mas também o caimento".

Há dois anos e meio no mercado, a empresa conseguiu 250 revendedoras, com um total de vendas em 2007 que chega a quatro milhões de euros. No ano passado, a produção em Mântua foi de 12.000 peças, assim como nas demais fábricas mantidas pela família (o pai de Ângela cuida de toda a alfaiataria). Os vestidos custam cerca de US$1.650, tornando a 6267 concorrente de outras grifes, ainda que o dólar fraco deixe tudo mais caro.

Apesar do sucesso, ainda há uma pergunta sobre quão original Aquilano e Rimondi são. Para alguns críticos, as roupas de inverno deles pareciam derivadas dos looks de Nicolas Ghesquiere para a Balenciaga. Como Sarah Moewr apontou na Style.com, eles têm uma tendência para o exagero.

A buscar por um estilo distinto parece pesar bastante para Rimondi, como ele e Aquilano conversaram em uma tarde em Paris, onde estavam para ver alguns desfiles.

"[A questão] não é sobre um vestido bonito, é sobre um look e uma linha", disse ele. "Porque vestidos bonitos estão em todas as passarelas hoje".

Eles estão chegando perto de seu objetivo?

Rimondi balançou a cabeça. "Ainda não".

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