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19/05/2008 - 11h21

Moda ocidental se apropria do véu islâmico

Da Ansa, em Paris
A moda ocidental se apropria do véu islâmico - um acessório polêmico contestado, repudiado e defendido com ardor -, o véu que encobre e mostra, que nega e promete, intriga tanto quanto repugna. E se o véu fosse o elo entre a elegância e a religião? Especialistas da moda e historiadores de religião se reuniram nos últimos dias para debater o tema na universidade de Lyon, onde acontece a mostra "Voiles d'Eglisé" (Véus da Igreja, em tradução livre).

A idéia desse evento é que o véu é um exemplo de que o limite entre pudor e sedução é muito incerto. Preso no pescoço ou na cabeça, como um turbante, deixando ou não aparecer um fio de cabelo, enfeitado ou liso, o véu islâmico sempre foi um acessório da moda que as mulheres usam para serem belas e sedutoraas.

A moda, de qualquer maneira, revisita o Islã. As novas coleções primavera-verão se reapropriaram dos códigos do estilo oriental, ou orientalizante, propondo túnicas longas e confortáveis para serem vestidas por cima das calças. O detalhe final é o véu, de cor lisa ou com estampas de arabescos, entre os cabelos ou a emoldurar o rosto.

Mas até que ponto um símbolo religioso vira um instrumento de elegância e sedução? Uma ambigüidade de fundo. Se os textos não são muito precisos sobre o papel e a forma exata de usar o véu, informa hoje o jornal Libération, sabe-se que as fés monoteístas são todas de acordo com relação ao sentido de cobrir a cabeça: por submissão (a Deus), fidelidade (ao marido) e proteção (dos homens em geral) da tentação e da libertinagem.

"O véu usado pela futura esposa ou pela prostituta, precede o ato sexual", explica o historiador Daniel Faivre, do centro universitário católico de Borgonha.

Em um antigo texto do século I a.C., o véu de uma mulher seria também comparado a uma rede para prender os homens. Em suma, o véu e a tentação sempre andaram lado a lado. Assim, como véu e o desejo: "o véu não apenas esconde, mas mostra com evidência o que quer esconder", comenta oBruno Gelas, professor de literatura da Universidade de Lyon.

Paradoxalmente, torna-se um convite para descobrir, um jogo de esconde-esconde, guiar o olhar para o invisível. "Se se esconde, significa que depois será desvelado", continua Gelas.

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