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Alexandre Schneider/UOL
A cantora baiana Claudia Leitte, em desfile de Walério Araújo, que fechou 1ª noite do evento
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A cantora de axé Claudia Leitte não tem altura nem corpo de modelo (mesmo de salto altíssimo, não deve alcançar 1,70 metro). Ainda assim, fez participação especial digna no desfile de
Walério Araújo, no encerramento da primeira noite da Casa de Criadores, que começou nesta quarta (28) a mostrar as roupas para o Verão 2008/09.
Veterano entre as pequenas e geralmente jovens marcas do evento que tem como objetivo revelar novos talentos da moda brasileira, o sempre irreverente Walério (mesmo quando escolhe a alta-costura como tema) vestiu Claudia Leitte num longo de tule marrom bordado, prendeu os cabelos da baiana de uma maneira bem sóbria, maquiagem discreta e pronto; a moça não se transformou na Gisele Bündchen, mas apareceu elegante, com um dos acessórios de cabeça marcantes do estilista para se transformar, junto com Walério, no já provável principal destaque da noite.
Ainda que não tivesse Claudia Leitte ("Não tenho cacife para ser modelo. Sou melhor cantora", dizia a moça, no backstage), Walério Araújo contou com boas sacadas de moda. A coleção de vestidos longos, com vários laços de cetim em mangas ou ajustando a cintura na parte de trás dos modelos, ganhou bonitos momentos como no caso do longo de tafetá marrom, bufante até o meio da perna, com gola levantada. Mas ficou mais divertida e animada quando os mesmos modelos tiveram as partes de baixo "destacadas" e apareceram em versões micro. A começar pelo longo com camadas de babados em paetê num tom café-com-leite usado por Bruna Sotilli, passando pelo longo de manga comprida de Claudia Leitte, na segunda verão curtíssimo.
Entre os outros cinco participantes que desfilaram suas coleções nesta quarta (28),
Gustavo Silvestre mostrou criatividade na escolha da estampa de sua coleção, inspirada nos frisos traseiros das carrocerias dos caminhões. "A idéia surgiu das idas à minha costureira. Ela mora em Campo Limpo, tenho que pegar a Marginal. E lá tem muitos caminhões, comecei a ficar louco com eles", diz. A realização da idéia é surpreendente: o resultado ganha um estilo étnico e glamouroso. Com a estampa, os famosos bordados de Silvestre apareceram menos, e, ainda que a estamparia fosse marcante (mas com o amarelo e vermelho não tão vibrantes, com um tom abaixado, como sujo), teria ganhado ainda mais personalidade com o reforço da modelagem, geralmente sem muitas variações entre calças cenoura (afuniladas embaixo) oversized, vestidos secos com mangas mais abertas e conjuntos de peças molengas em malha.
Marcelu Ferraz deixou de lado as mulheres de outras edições e lançou linha masculina. A inspiração era o Rio de Janeiro e a Amazônia. As estampas florais grandes, em azul e branco, em amarelo com folhagem verde ou com tucanos seguiram à risca o tema. Preocupado em ser ecologicamente correto, o estilista utilizou tecidos naturais como o algodão e fez a estamparia toda em "transfer" (técnica em que o desenho é feito no papel e depois transferido para o tecido), para que não houvesse, segundo ele, desperdício da tinta que vai saindo conforme as peças são lavadas. A modelagem bem perto do corpo pareceu passar um pouco do ponto em momentos em que modelos fortíssimos (ao estilo dos "pitt boys" cariocas) desfilaram (talvez o problema tenha sido mais o excesso de massa muscular dos modelos do que da modelagem em si). As peças de algodão estruturado, em contrapartida, perderam ligeiramente forma e pareceram grandes demais em modelos como a camisa em cru de manga curta. Destaque para as bonitas bolsas e mochilas com estamparia tropical e para os bons shorts.
Com 70 pontos de venda pelo país, uma loja própria na Alameda Lorena (SP) e sucesso de vendas em Minas Gerais, a grife
Diva se inspirou em Elis Regina para compor coleção entre hippie e sessentinha. Na parte hippie, longos vestidos com estampas florais meio borradas, desenhos pequeninhos geométricos apareciam em longos sem muitas novidades. Nos vestidos curtinhos, modelos tomara-que-caia com saia arredondada e brilho de brocados. Boa saída criativa nos vestidos em cetim cuja estampa de lenço acompanhava o decote e interagia sutilmente com a modelagem.
Califórnia e Oriente Médio foram as inspirações da
ADD (Attention Deaf Disorder) para sua coleção masculina para homens jovens, de até 30 anos, com modelagem sem muitas invenções e apuro nos detalhes, nas estampas simpáticas em xadrez miúdo e diagonal, camisas que lembravam túnica, camelos nas estampas. As leves referências ao mundo árabe se misturaram à Califórnia do final dos anos 70 nas listras, no degradê colorido, numa combinação que acabou dando certo, graças ao não aprofundamento em nenhum dos dois universos.
Amante dos anos 80 e dos desfiles com algum momento performático, a novíssima grife
TudiCofusi fez sua segunda apresentação na Casa de Criadores. A chamada "intervenção" contou basicamente com caras e bocas das modelos e uma abertura de uma amiga dos estilistas, numa "ode" à um pedaço de cana-de-açúcar. Nas roupas, repetição dos looks oitentistas que voltaram à moda há alguns anos, em bermudas de lycra com casacos e outras peças coloridas atoalhadas. A referência ao rock de bandas como Kiss também apareceram na coleção, que contou ainda com uma novidade para a marca; o uso de jeans, bem clarinhos e manchados.