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30/05/2008 - 02h48

Lenhadores, mulheres platônicas e homens fantásticos animam 2ª noite dos Criadores

CAROLINA VASONE
Editora de UOL Estilo

Alexandre Schneider/UOL

Estampa de madeira é destaque no desfile da Der Metropol, no Projeto Lab
Uma fauna cheia de idéias entusiasmadas traduzidas em roupas fez da passarela da Casa de Criadores um lugar com mais aventuras de moda na segunda noite do evento, nesta quinta (30), no shopping Frei Caneca, em São Paulo.

Já na abertura da série de desfiles, os ventos sopraram frescos. Fresquíssimos. Era a vez das seis marcas do Projeto Lab mostrarem suas minicoleções. Grupo dos mais jovens entre os já jovens estilistas, os integrantes do Lab trouxeram boas novas. Um dos destaques foi a coleção masculina da grife Der Metropol, com releitura do lenhador e inspirações folks, estampa de tacos de madeira em camisetas espertas com as listras formadas pelos tacos marrons, pitada de alfaitaria como no bem bolado paletó com pitada de fraque sobre o macacão inteiro de estampa de madeira. As meninas não ficaram à altura destes homens cool, fortes, com toques campestres; incorporaram um ar de garota "engraçada", com bermudas bufantes em tons pastéis, camisetas com recortes geométricos em tons claros de amarelo, vermelho, cavalo baixo formando um papo que deu ainda menos feminilidade e força aos looks.

Ainda no Projeto Lab, R. Rosner foi corajoso ao apostar nos vestidões de festa, em desfile de novato com direito à "grand finale" com a top Bruna Sotilli com longo de noiva. Os melhores momentos ficaram por conta dos drapeados, como no body rosa bebê e o tomara-que-caia branco justo com saia de flores. Os piores, na referência muito colada às grandes maisons franceses.

Completaram os desfiles do Lab João Elias (decotes recortados, faixas que atravessavam os vestidos, às vezes com acabamento não tão delicado quanto os tecidos finos pediam; bom vestido longo gelo no final), Tony Jr. (destaque para o meio do desfile, com peças em malharia em várias camadas de babados, como o vestido preto de manga bufante. O início e o final pareciam desconexos do miolo da coleção) e Márya Nasser (vestidos tomara-que-caia, peças bem feitas com toque retrô coquete. Degradê que lembrava o da Prada desnecessário no vestido amarronzado). Única a apresentar coleção de lingerie, Clarissa Lorenz não obteve bom resultados com suas calcinhas e sutiãs; as peças eram frouxas, em tule que sobrava e não valorizava nem o corpo "modelo" das modelos. Peças em tom bege, daquelas feitas para não marcar a roupa, comprovaram de vez: ninguém, nem as belas modelos, fica bonita com calcinhas estilo "faixa" desta cor.

Inspirado pelo mito da caverna, de Platão, o quarteto do grupo P'tit acertou o tom da performance e da coleção nesta temporada para o Verão 2008/09. Desta vez, a produção do "teatro" no desfile foi mais discreta e alcançou singelamente um resultado poético: uma garota, andava lentamente, em meio às modelos que desfilavam normalmente, a rápidas passadas. Perdida no meio daquele universo que era o seu (usava os mesmos códidos; as roupas) mas não lhe pertencia (ela não conseguia decodificar o que via, tudo passava numa outra velocidade, sob um outro ângulo, visto sob uma outra luz), a garota parava, olhava a platéia, as modelos, e criava dois ritmos na passarela, dois caminhos por onde as mulheres platônicas da P'tit transitavam. Completava o desfile uma percussão ao vivo.

Se o tom da performance mudou um pouco, as roupas da P'tit também. A combinação entre os tecidos vintage que os estilistas usam para criar novos modelos ficou mais harmônica, mais suave. A "garota P'tit" continua usando vestidos cheios de informação, mas agora eles não têm personalidade tão impositiva, ganham toque mais sensual, leveza, deixam as moças também darem suas contribuições pessoais às roupas. Surgiram então os motivos indígenas (dos índios americanos), as estampas com desenhos primitivos, florais clarinhos em vestidos pontudos, outro com franjas brancas fininhas, e ainda os que pareciam que haviam sido só amarrados no corpo da modelo.

Num mundo bem diferente do desfilado pela P'tit, os homens de João Pimenta, como sempre, ganham looks fantásticos. Se reunidas num mesmo look, as criações de Pimenta provocam imagem marcante mas quase irreal na passarela, exagerada, acompanhada de topetes enormes (referência à cantora Amy Winehouse, com música que abriu o desfile, ou à rainha Maria Antonieta) em cabeleiras masculinas, separados, os ótimos paletós, calças justas, jaquetas curtíssimas, enchem a vista num guarda-roupa de homem moderno e viril. A cartela de cores, com um bege caramelo misturado ora ao vinho, ora ao marinho, ora ao verde escuro, deu o tom chique aos modelos inspirados em beisebol, futebol e trajes a rigor. Feita com muito moletom e algodão, a coleção fica elegante e muito jovem, com descontração.

Em looks monocromáticos, brilhantes em tecidos como cetim de seda, Rober Dognani apresentou seus vestidos de festa em coleção com cartela de cores de tons fortes, vibrantes, estilo "arco-íris". O modelito roxo curtíssimo com supermangas era seguido do vermelho, que emendava no azul turqueza, e assim ia, com parte de baixo justa, a de cima em evidência. Os vários detalhes das peças, unidos aos brilhos e à cartela de cores extravagante (com sapatos combinando com os vestidos) não dava descanso aos olhos e em alguns momentos dava a impressão de buscar o mesmo tipo de modernidade monocromática, cuidadosamente arrumada, com tudo combinando, da casa cheia de invenções no final desnecessárias mas divertidas do filme "Meu Tio", de Jacques Tati.

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