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Carrie e Samantha apostam nas peles para rem à semana de NY; Charlotte e Miranda ficam nos pretos
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Na próxima sexta (6) estréia no Brasil a tão esperada versão cinematográfica de "Sex and the City". Para quem não assistiu à série e/ou não adora moda - e pelo verbo "adorar", conjugue ser realmente curioso pelo assunto, não só gostar de olhar as roupas nas vitrines dos shoppings - um aviso amigo: nem perca seus preciosos tempo e dinheiro no cinema mais próximo. Como já se podia prever, "Sex and the City", do ponto de vista cinematográfico, não passa de uma sessão da tarde. Já em relação à história, assim como nas novelas de televisão, se você não acompanhou a "vida" das personagens ao longo dos capítulos da série ao ponto de criar intimidade com seus dramas e histórias, tudo perde um pouco a graça. É como sentar numa mesa de bar e ouvir uma fofoca "quente" sobre alguém que você nem conhece.
Recados dados, sobram ainda as pessoas que são fãs das peripécias e dos Manolos (os famosos sapatos Manolo Blahnik) de Carrie ao ponto da expectativa ser tão grande e idealizada que nem mesmo um novo "new look" da Dior é capaz de superá-la. Relaxe. Afinal, a série não era só moda e diversão? Pois é o que você vai encontrar na telona.
Realizado quatro anos depois do fim da série televisiva (e dez anos depois de seu primeiro episódio), o filme "Sex and the City" dá continuidade às aventuras de Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker), Samantha Jones (Kim Cattrall), Miranda Hobbes (Cynthia Nixon) e Charlotte York (Kristin Davis) em Nova York. Mais velhas, as personagens, todas passadas dos quarenta anos (Samantha completa 50 no filme), têm agora preocupações mais "adultas": cada uma, a seu modo, administra a rotina de um dia-a-dia sem tantos altos e baixos da juventude.
Divulgação  Looks da personagem de Sarah Jessica Parker estão mais equilibrados, como neste vestido branco com flor grande |
Mulheres e roupas mais madurasSe as personagens estão mais maduras, as roupas acompanham a mudança. Responsável por dar alma fashionista ao guarda-roupa cheio de personalidade (com destaque para o de Carrie) do quarteto que fez a alegria dos apaixonados por moda e estetas em geral durante os anos da série, Patricia Field teve o cuidado de não atropelar a história das personagens com o que vestiriam no filme. "Vi Carrie um pouco mais sensual, mais evoluída, mais calma consigo mesma e como mulher", diz a figurinista, no texto de divulgação da produção para o cinema, que justifica o uso de mais peças em tons sóbrios nos looks da colunista, que não deixou, porém, a irreverência de fora. "Carrie ainda usa aquelas coisas ecléticas", diz Field.
A prova de que Carrie está mais equilibrada (inclusive em relação aos ataques histéricos típicos femininos que costumava ter na série), mas não perdeu a alegria de brincar com a moda aparece logo na primeira cena, em que a personagem surge com um vestido branco elogiado por quatro garotas que cruzavam seu caminho na rua. Modelito quase básico, não fosse a flor gigante enfeitando o lado direito do decote. Da parte das admiradoras, uma das integrantes do quarteto que parece uma versão mais jovem das quatro amigas do "Sex and the City" (a equivalente, inclusive, à Carrie) usa top do brasileiro Alexandre Herchcovitch. Detalhe para "fashion victims": não é da última coleção (nem da anterior, mas de pelo menos duas passadas); só para mostrar que para ter estilo não é necessário estar sempre com as peças da última temporada.
Acessórios e grandes marcasNo quesito "lição de como ter estilo", aliás, Patricia Field dá aula de misturar peças de estilistas underground ou desconhecidos do grande público e peças totalmente anônimas aos gigantes da moda. Os sapatos Manolo Blahnik aparecem, mas é um par de sandálias pesadas Dior que é visto em mais de uma cena, assim como o ótimo cinto de largura média, em couro preto com tachas, que quebra o romantismo de vários looks de Carrie. Outra dica de sucesso: repita acessório, sim. Como o próprio nome diz, trata-se de uma peça coadjuvante, que pode passear por várias produções e te ajudar a reforçar algum traço de sua personalidade, presente naquela peça (no caso do cinto de tacha, um toque de rebeldia meio punk, roqueira).
Cintos e sapatos podem se repetir e roupas de coleções passadas desfilarem sem cerimônia, mas não se engane; é tudo proposital. No figurino de mais de mil looks (sim, looks, estima Patricia Field), 80 só para Carrie, há muito Chanel, Dior, Dolce&Gabbana, Thierry Mugler, Valentino, Ferragamo, às vezes misturados na mesma produção, como a de paletó Thierry e saia Valentino, tudo em vermelho, numa das escolhas de Samantha (veja os looks no
álbum de fotos). O famoso vestido de noiva de Carrie (ela vai casar? Não vai? Muita calma: este não será um texto estilo "o culpado é o mordomo". Embora, é claro, o "noivo" seja Mr. Big) que apareceu em vários sites, revistas e blogs é Vivienne Westwood. Já as roupas de todas as madrinhas são Zac Posen. Dizem as fofocas blogueiras que o vestido de noiva foi escolha de Sarah Jessica Parker: Patricia Field queria a versão em branco do modelo preto que acabou colocando em Charlotte. Para compensar, vestiu todas as outras de Posen.
Divulgação  Vestindo Vivienne Westwood, a noiva Carrie é acompanhada pelas amigas Miranda, Charlotte e Samantha, todas de Zac Posen |
Homens, sexo e amizadeConsiderada a quinta protagonista da série, a moda continua reinando no filme "Sex and the City" e ganha até homenagens explícitas, como no editorial de noivas em que Carrie é fotografada para a Vogue América. Dior, Oscar de la Renta e Carolina Herrera são alguns dos nomes citados em "off" pela protagonista, enquanto posa para a revista.
O sexo e os homens, sempre relacionados (ou não, dependendo do drama de cada personagem...) e coadjuvantes, na versão cinematográfica têm seu valor, mas são ofuscados por uma relação mais forte: a da amizade sólida entre Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda. Longe de demonizar os homens em condenações por sua conduta, o quarteto tenta refletir sobre as próprias responsabilidades e escolhas em relação ao amor (homens + sexo incluídos) e à vida. E revelam, umas pelas outras, amizade incondicional, dessas que o senso comum acha que só existe entre homens e pais e filhos. Quando assistir ao filme, preste atenção ao comportamento de Charlotte em relação a Carrie, em dois momentos tocantes que são bons exemplos: quando ensaia por meses, como se o problema realmente fosse com ela, um discurso contra um desafeto da amiga e, quase no final, quando precisa ser socorrida às pressas por causa de uma emoção fortíssima, causada também pelo sofrimento vindo do que Carrie sentia.
Feito para divertir e encher os olhos com boas sacadas de moda e belíssimas produções, "Sex and the City" também acaba mostrando que, assim como o julgamento em relação à promiscuidade de Samantha, ao conservadorismo de Charlotte, à intolerância de Miranda e à histeria de Carrie, a idéia da falta de amizade sincera entre mulheres é puro preconceito.
Não é nada que valha uma grande reflexão, mas não deixa de ser simpático às garotas que gostam não só de roupas, sexo e drinques Cosmopolitan, mas também de ser generosas nas relações humanas.