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27/08/2008 - 21h56

Alexandre Herchcovitch vende 70% de sua marca para o grupo InBrands

CAROLINA VASONE
Editora de UOL Estilo
(Atualizado em 28/8, às 14h)

Alexandre Schneider/UOL

Herchcovitch, que ficou com 30% da grife mas tem 'poder de veto' e autonomia na parte criativa

Herchcovitch, que ficou com 30% da grife mas tem 'poder de veto' e autonomia na parte criativa

Em cerca de uma semana o grupo InBrands abocanhou fatias majoritárias de dois ícones da moda brasileira contemporânea: o São Paulo Fashion Week e a marca Alexandre Herchcovitch.

Anunciada no último dia 19 de agosto (leia mais nesta reportagem), a sociedade com o grupo Luminosidade de Paulo Borges, que organiza o SPFW, ganhou companhia sete dias mais tarde, na última terça (25) quando foi divulgada oficialmente a venda da marca de Herchcovitch, depois de cerca de quatro meses de negociações. "A associação permite que haja o controle compartilhado da empresa. Por isso a InBrands chama [o negócio] de uma sociedade, não de uma compra", afirma Alessandra Höhne, do escritório KLA - Koury Lopes Advogados, representante da InBrands na aquisição dos 70% da empresa de Herchcovitch e uma parte também majoritária não divulgada da Luminosidade.

A primeira ação que selou a parceria foi a reforma da principal loja de Herchcovitch, nos Jardins (SP), recém-inaugurada há algumas semanas e com abertura para a imprensa nesta quinta (28). Os outros três endereços próprios da grife (mais um em São Paulo, no shopping Morumbi, e os outros dois em Brasília e Belo Horizonte) também já sofreram ou estão em processo de repaginação. "O próximo passo é separar a marca de jeanswear [mais jovem e barata] do prêt-à-porter. Devemos inaugurar a primeira loja só de jeanswear este ano, em São Paulo", conta o estilista, que inclui nos planos de expansão inauguração de mais oito lojas próprias no Brasil e o projeto de uma em Nova York.

Embora seja o sócio com o maior número de ações, o grupo InBrands garante que não opinará na parte criativa da grife Alexandre Herchcovitch, que inclui todos os licenciamentos do nome do estilista e a linha de jeanswear, além da marca principal. "A InBrands cuidará da parte administrativa e financeira. A parte criativa fica preservada", diz Alessandra.

Segundo a advogada, ainda, Herchcovitch, mesmo sendo sócio minoritário, tem poder de veto em várias situações, como uma possível venda da empresa. Sobre a permanência no cargo de diretor criativo, o estilista, como Paulo Borges, assinou um contrato de um período não revelado. Em aquisições de agências de publicidade, que têm processos bem semelhantes ao das aquisições recentes de moda, geralmente o tempo varia entre 3 e 5 anos.

No início do ano, Herchcovitch anunciou sociedade com o grupo I'M, desfeita meses depois. Nenhum contrato, porém, havia sido assinado. "Eles negociaram um valor e depois não tinham o dinheiro para pagar. Eu percebi e saí antes [que algum documento fosse assinado]", conta o estilista, que viu colegas de profissão não terem a mesma sorte com o I'M, como Fause Haten: o grupo teria pago apenas 5% do valor acordado, provocando a saída do designer, que deixou o próprio nome para trás e abriu outra marca.

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