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06/10/2008 - 07h08

Segredo de terno de qualidade está nos detalhes. Descubra quais

CAROLINA VASONE
Enviada especial a Milão

Antonio Barros/UOL

Paolo Vaccari, especialista em ternos da Ermenegildo Zegna, mostra estrutura do ombro do paletó

Paolo Vaccari, especialista em ternos da Ermenegildo Zegna, mostra estrutura do ombro do paletó

"As mudanças nos homens são mínimas". Ao comparar as mais ousadas propostas de roupas masculinas com a variedade de cores, formas e comprimentos mostrada no último mês durante as semanas de moda internacionais das coleções femininas, poucos discordarão da declaração de Paolo Vaccari. Um dos nomes da grife Ermenegildo Zegna quando o assunto são os ternos da marca de quase 100 anos, referência em elegância formal masculina, Vaccari lembra que, se não dá para esperar uma "virada fashion" a cada estação, o segredo de paletós, camisas e calças impecáveis está nos detalhes.

Responsável não só pelos próprios ternos e costumes, mas também pela confecção de peças para grifes como Tom Ford, Gucci e Versace, a Ermenegildo Zegna recebeu o UOL durante a semana de moda italiana em seu "quartel-general" em Milão, na Itália, de onde a marca coordena os mais de sete mil funcionários espalhados por fábricas tanto em território italiano como em outros países, para uma aula de como identificar um terno de qualidade e de como vesti-lo corretamente. "Às vezes, o problema não é a qualidade do terno, mas o fato dele não vestir bem em um determinado cliente. Aí, o culpado é o vendedor", afirma, lembrando de pontos importantes a serem observados, como a necessidade do colarinho do paletó encaixar perfeitamente no pescoço, sem ficar levemente para trás, ou apertado, para frente, ou ainda do corte do ombro acompanhar a linha real do ombro do homem, novamente sem ficar mais para fora ou para dentro.

Na modelagem, a calça, no estilo mais clássico, deve cair reta, sem sobras, como se fosse baggy. O comprimento pode variar de acordo com o gosto do frequês. Na Itália, as calças são mais curtas, chegam a mostrar quase todo o sapato. O mesmo se aplica ao comprimento da manga do paletó. "Especialmente em Milão, gostamos de mostrar a manga da camisa. A distância entre o polegar e a manga do paletó costuma ser de 20 centímetros. Mas se você for para a Rússia, perceberá que os homens usam as mangas bem compridas", afirma Vaccari. Outra curiosidade local: o nó considerado típico italiano, mais gordo, saiu de moda, pelo menos na Itália. "Agora usamos os nós menores", conta.

"Old fashioned"

Se há uma questão que não permite discussão é a maneira tradicional de se confeccionar um terno. Ela é baseada na forma como os alfaiates criavam artesanalmente, há cerca de cem anos, os paletós, calças e coletes (são as "três peças", como dizem os italianos, que definem tecnicamente um terno, mas popularmente terno também é usado quando se fala em paletó e calça sociais, ou "duas peças", acompanhadas da gravata, que é acessório). Daí surgem alguns caprichos para aqueles que realmente estão preocupados com a elegância à moda antiga: os bolsos nunca são retos, e sim levemente arredondados, a costura lateral entre o corpo da camisa e a manga não se encontra, mostrando que a manga foi feita separadamente do resto da peça (ou seja, a costura parece torta) e, principalmente, o forro é, sempre, de tecido natural, geralmente lã ou algodão. "Além de permitir que o corpo respire, os materiais naturais garantem durabilidade às peças, mesmo depois de várias lavagens", afirma Vaccari.

Tudo natural

Os tecidos, não só dentro dos paletós como na parte de fora são essenciais para definir a qualidade de um bom terno. A lã é a matéria-prima mais utilizada, em graus de espessura e leveza diferentes. Teoricamente, quanto mais leve é a lã, mais chique é o terno. "Há clientes, porém, que usam o terno para trabalhar, no dia-a-dia, e precisam de um material mais resistente", conta Vaccari. Neste caso, não é aconselhável comprar a mais fina, que é mais delicada e frágil. Mas há uma média que garante a qualidade. "Considero um terno de 16 ou 17 miligramas uma boa medida", diz Vaccari.

Quanto ao tempo de vida de um bom terno, ele também dependerá da frequência de uso. E da quantidade de modelos que se tem no guarda-roupa. Se o intervalo de uso de um terno for de cerca de dez, quinze dias, ele pode durar até vinte anos. Mas aí, quantos ternos é preciso contabilizar no armário? "Eu tenho cerca de 40", afirma o italiano, com coleção de dar inveja até a seus conterrâneos.

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