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Homens resistem melhor a desejo por comida, diz estudo

Homens são mais capazes de resistir a um prato cheio de comidas tentadoras do que as mulheres, de acordo com um novo estudo americano. Em uma experiência realizada em Nova York, pesquisadores pediram a um grupo com 23 voluntários que não comessem por um dia.

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Os homens apresentaram muito menos atividade em regiões do cérebro associadas ao desejo por comida do que as mulheres


Após esse período, em uma série de testes, exames revelaram que os homens apresentaram muito menos atividade em regiões do cérebro associadas ao desejo por comida do que as mulheres.

Outros especialistas afirmam que o estudo, publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, não leva em conta diferenças hormonais e usa uma amostragem pequena demais.

Mas os responsáveis pelo trabalho dizem que, se comprovada, a aparente habilidade do homem de se "desligar" das ideias de comida talvez possa explicar índices menores de obesidade em pessoas do sexo masculino e também por que mulheres, em geral, têm mais dificuldade para perder peso do que os homens.

"Nossos resultados podem nos ajudar a compreender mecanismos neurobiológicos associados à habilidade de controlar a quantidade de comida ingerida", disse Gene-Jack Wang, principal autor do estudo.

Segundo Wang, a pesquisa também pode "sugerir novos métodos farmacológicos ou outras intervenções para ajudar a pessoa a regular seu comportamento alimentar e manter um peso saudável".

Para Wang, a diferença entre os sexos na habilidade de inibir as respostas do cérebro à comida e à fome é surpreendente e deve ser estudada mais a fundo.

Estudo
Todos os voluntários - dez homens e 13 mulheres - tinham peso considerado normal e haviam permanecido em jejum por pelo menos 20 horas antes de ter seus cérebros monitorados.

Antes do primeiro exame, os participantes foram colocados diante de seus pratos favoritos - como pizza, bolo de chocolate e costela na brasa -, aquecidos para produzir aroma e gosto agradável. Enquanto seus cérebros eram monitorados, os voluntários foram convidados a cheirar, provar, observar e reagir à comida, mas não comê-la.

Em outra sessão de exames, realizada em um dia diferente, os participantes foram orientados a inibir seu desejo pela comida antes de ficarem diante de seus pratos preferidos. No terceiro dia de exames, nenhum alimento foi apresentado aos participantes.

Após receber ordens de resistir ao desejo de comer, os voluntários homens apresentaram muito menos atividade nas regiões do cérebro conhecidas como hipocampo, amígdala, córtex órbito-frontal e striatum.

Estudos anteriores associaram essas áreas do cérebro à regulação emocional e à ativação da memória - o que sugere que os homens estavam acessando menos memórias da comida desejada e talvez sendo menos afetados pela idéia de comer.

"Embora as mulheres tenham dito que estavam menos famintas quando tentavam inibir sua resposta à comida, seus cérebros continuavam ativos nas regiões que controlam o desejo de comer", disse Wang.

A equipe de pesquisadores admite, no entanto, que mudanças sutis na forma como mulheres respondem à comida, determinadas por mudanças hormonais em diferentes fases do seu ciclo mentrual, podem distorcer os resultados do estudo e precisam ser melhor investigadas.

Ansiedade
O diretor da entidade beneficente britânica Weight Concern, que oferece apoio a pessoas com problemas de obesidade, diz que, além dos aspectos psicológicos, uma diferença importante entre os dois sexos é que as mulheres são afetadas pelo hormônio feminino estrogênio.

"Mulheres têm bastante (estrogênio), homens, não", disse Ian Campbell. "O estrogênio trabalha para promover o aumento do peso - ou impedir a perda do peso - na mulher e isso torna muito mais difícil para elas perder peso."

"Esse estudo demonstra que é preciso que programas de controle de peso reconheçam as necessidades diferentes dos diferentes sexos, idades, históricos sociais e culturais", acrescentou.

Para o cientista Andy Calder, da Universidade de Cambridge, o número relativamente pequeno de pessoas envolvidas torna difícil saber se algumas das diferenças encontradas entre os dois sexos são mesmo genuínas.

"Na população de maneira geral, pode haver fatores diferentes em termos de como as pessoas respondem à comida", disse Calder. "É possível que, por características individuais, algumas das mulheres envolvidas sejam mais inclinadas à ansiedade, o que poderia explicar as diferenças."

Em países como a Grã-Bretanha, índices de obesidade são similares nos dois sexos, mas há três vezes mais probabilidade de que uma mulher seja uma obesa mórbida do que um homem.

De acordo com padrões estabelecidos por especialistas, uma pessoa é obesa mórbida quando seu Índice de Massa Corporal (IMC) fica acima de 40. O índice é calculado de acordo com uma formula que determina o peso ideal de uma pessoa em relação à sua altura.
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