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Produto desintoxicante de príncipe Charles é "charlatanismo", diz especialista

O príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, foi acusado de charlatanismo por um importante professor de medicina complementar da Grã-Bretanha, Edzard Ernst, por ter lançado o que ele chamou produto desintoxicante "duvidoso".

Ernst afirmou que a solução desintoxicante da marca do príncipe, a Duchy Originals, foi elaborada baseada em "charlatanismo absoluto". Segundo o professor não existem provas científicas que mostrem que produtos desintoxicantes funcionam.

Ernst, professor da Peninsula Medical School, no sudoeste da Grã-Bretanha, afirmou que o príncipe Charles e seus conselheiros parecem ignorar deliberadamente a ciência, preferindo "confiar no 'faz de conta' e na superstição".

"Dessa forma, o príncipe Charles explora um público ingênuo em um momento de dificuldades financeiras", acrescentou.

Defesa
A marca Duchy Originals alega que o produto garante uma "ajuda natural à digestão e estimula os processos de eliminação do corpo". Divulgado como a Solução Desintoxicante de Ervas Duchy, a mistura de alcachofra e dente-de-leão é descrita como um "suplemento alimentar para ajudar a eliminar as toxinas". Cada garrafa de 50 ml custa 10 libras (cerca de R$ 32).

Andrew Baker, presidente da Duchy Originals, afirmou que a solução "não é e nunca foi descrita como um remédio ou cura para qualquer doença". "Não há 'charlatanismo', não há 'faz de conta' e nenhuma 'superstição' em qualquer uma das soluções de ervas Duchy Originals. Acreditamos ser muito infeliz o fato de o professor Ernst buscar manchetes sensacionalistas desta forma ao invés de se concentrar na objetividade e precisão", acrescentou.

"Perigosa"
Mas para o professor Ernst, a sugestão de que produtos como o promovido pelo príncipe possam remover toxinas do corpo é "inconcebível, não foi comprovada e é perigosa".

"É claro, nada é mais fácil do que demonstrar que produtos para desintoxicação funcionam. Tudo o que é preciso é retirar algumas amostras de sangue de voluntários e examinar se esta ou aquela toxina é eliminada do corpo mais rápido que o normal", afirmou.

"Mas onde estão os estudos que demonstram a eficácia? Eles não existem e a razão é simples: estes produtos não têm efeitos desintoxicantes reais."

Esta não é a primeira vez que o professor Ernst critica o príncipe Charles. Em seu livro "Trick or Treatment? Alternative Medicine on Trial" ("Truque ou Tratamento? Medicina Alternativa em Julgamento", em tradução livre), lançado em 2008, o professor ironiza o príncipe, que tem sido partidário da medicina complementar há tempos, particularmente da homeopatia.

No começo de 2009, a fundação de caridade britânica voltada para ciência Sense About Science divulgou um relatório contestando as afirmações sobre produtos desintoxicantes.

Os pesquisadores da entidade analisaram uma série de produtos, de água engarrafada a esfoliantes faciais, e descobriram que suas alegações de desintoxicação são, de forma preponderante, sem sentido.

"Parece escandaloso que companhias lucrem vendendo produtos sem sentido, mas o herdeiro do trono (britânico) fazer isso, por 10 libras a garrafa, é ainda mais inadequado", disse Tom Wells, que ajudou na realização da pesquisa original.

"Gostaríamos de ver o fim dos produtos de desintoxicação nas lojas britânicas, começando com a solução desintoxicante do príncipe Charles."
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