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Bairro de SP convive com água suja e medo de doenças há dois meses

Rodrigo Durão Coelho Da BBC Brasil em São Paulo

Os moradores do Jardim Helena, na Zona Leste de São Paulo estão entre os mais afetados pelas chuvas diárias que caem sobre São Paulo há quase dois meses. Em algumas ruas, mais próximas do rio Tietê, a água não baixou completamente desde 8 de dezembro. "Agora, dizemos que está 'seco', já que normalmente quando chove a água chega acima da cintura", diz a doméstica Sônia, apontando a água escura que cobre o chão até a altura da canela.
 


Assim como outros proprietários de casas na travessa Laranjeiras, Sônia teve que deixar sua casa, onde mantinha um bar, e procurar refúgio em outro lugar após desistir de combater as águas por mais de um mês.

O autônomo Antônio, outro que saiu de sua casa inundada, conta que, de 8 de dezembro até o final de janeiro, colocava o celular para despertar de tempos em tempos durante a noite por medo de ser surpreendido pelo rio enquanto dormia. "Comecei a fazer isso depois que fui acordado pelo cachorro, que deu o alarme de que a água estava subindo rapidamente", diz. Ele afirma que costumava dormir com a água a poucos centímetros de distância do colchão.

Os moradores dizem que a água escura e mal-cheirosa costuma atrair ratazanas, peixes e cobras, além do medo de doenças. É possível ver colônias de mosquitos por toda a parte. "Antes, gastávamos um dinheirão com inseticida, mas agora a gente queima casca de ovo, para espantar os mosquitos", diz a auxiliar de enfermagem Edileuza, dona de um sobrado no local.

Ela diz que, nos piores momentos, chegou a hospedar 17 pessoas no andar de cima de seu sobrado. Hoje, no entanto, olha as rachaduras na estrutura, surgidas segundo ela no último mês em que esteve em contato com a água, e diz não saber quanto tempo a casa ficará de pé.

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