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"Efeito Tiger Woods" eleva procura por terapia contra compulsão sexual

Clínicas para o tratamento de viciados em sexo no Reino Unido afirmam que tiveram um aumento na procura por seus serviços nos últimos meses, em um fenômeno que estão relacionando à admissão de infidelidade conjugal feita pelo golfista americano Tiger Woods.

 

A Clínica de Terapia Steven Pope, em Blackpool, por exemplo, disse que recebeu 52 novos clientes nos últimos dois meses - no ano passado não passavam de uns poucos por mês.

 

E muitos dos novos clientes citam Woods, que confessou vários casos amorosos que teriam abalado sua carreira e o casamento, entre as celebridades que os inspiraram a buscar ajuda para o seu problema.

 

Entrevistado pelo repórter da BBC Gavin Lee, o dono da clínica, Steven Pope, disse que o interesse de pessoas que querem ajuda tem sido sem precedentes.

 

"As pessoas agora estão se apresentando e vindo conversar sobre seus problemas", afirmou. "Por um lado, a vida de Woods se transformou em um inferno, assim como a da família dele, mas ele salvou vidas. Este é o efeito Tiger Woods."


'Droga'

Um dos clientes, Danny James, de 27 anos, disse que o vício quase destruiu seu relacionamento com a namorada e a filha.

 

"Pode ser comparado a uma droga", afirmou. "A sensação depois do sexo - eu comecei a ter necessidade de sentir isso mais e mais. Depois de um tempo aquela sensação não durava por tanto tempo, então eu fazia de novo e de novo."

 

"Eu comecei a faltar no trabalho porque estava concentrado em sair e encontrar pessoas com quem dormir. Todos os dias eu ia direto para um bar e não era difícil encontrar isso em Blackpool, porque muita gente vem aqui para isso, para festas de despedida de solteiro."

 

Esse ciclo levou James a romper seu relacionamento com a namorada e a perder o contato com a filha. Ele perdeu seu trabalho e disse que se sentiu deprimido e enojado consigo mesmo.

 

Ele agora frequenta a clínica de Steven Pope semanalmente, ao custo de 40 libras (cerca de R$ 108) por hora.


Treinamento profissional

Paul é outro viciado confesso em sexo. Ele é um membro pouco ativo no grupo e reluta em tomar parte nas discussões.

 

Ele disse ter começado a procurar conteúdo de sexo explícito em seu computador quando estava entediado, o que o levou depois a comprar centenas de DVDs e revistas.

 

Ele descreveu sua condição como uma obsessão, o que também o levou a ficar profundamente deprimido.

 

A Associação para o Tratamento da Dependência e Compulsão por Sexo, uma organização profissional estabelecida para apoiar pesquisas sobre vício em sexo, também registrou um aumento no número de clientes em busca de ajuda.

 

A psicoterapeuta Paula Hall, a responsável pelo serviço, disse que muitos terapeutas profissionais estão procurando treinamento para trabalhar na área.

 

“Eles estão vendo mais e mais clientes procurando ajuda e até agora havia pouco ou nenhum treinamento profissional disponível na Grã-Bretanha”, diz Hall.


Tratamento

O tratamento no Reino Unido é baseado em métodos usados nos Estados Unidos, onde a terapia de comportamento sexual é uma grande indústria.

 

Porém o termo não é tecnicamente reconhecido como uma condição médica.

 

O professor Glen Wilson, especialista em comportamento sexual na Gresham College, em Londres, nega a ideia de que pode haver um vício em sexo.

 

“O que quer que seja que as celebridades têm, todo nós achamos que deveríamos ter também, e é claro que a indústria farmacêutica também tem interesse nisso. Uma vez que um comportamento é medicalizado, eles aparecem com pílulas para combatê-lo”, diz.

 

“Há tremendas pressões para medicalizar comportamentos que não são mais do que apenas problemáticos. Não é o mesmo que a dependência de drogas, porque não está interferindo com os circuitos com um elemento químico, é (um comportamento) determinado pela forma como os circuitos são”, afirma.

 

“Isso é a busca de uma recompensa por um comportamento sexual que tem significado reprodutivo e de sobrevivência”, argumenta.
 

'Insulto'

Muitos especialistas médicos têm uma opinião semelhante em relação ao termo dependência de sexo.


Mas Paula Hall diz que discorda veementemente com as análises deles e acredita que o problema não foi pesquisado adequadamente.

 

“As pessoas que dizem que isso não existe não entendem a condição. A questão não é o sexo, é a dependência e a compulsão. Acho que dizer que a dependência de sexo não existe é um insulto aos muitos homens e mulheres inteligentes que sofrem com essa condição todos os dias”, diz ela.

 

Apesar da falta de reconhecimento para o termo, os clientes da clínica em Blackpool dizem que sua dependência é séria.

 

A discussão é colocada em perspectiva quando Danny James é questionado sobre o que ele acha que seria sua vida sem a terapia.

 

“Eu estaria morto. Não haveria outro caminho”, afirma. “Chegou ao ponto de que um dos meus pais ficava em casa para ficar de olho em mim, porque sabiam de minhas tentativas de suicídio. Se não fosse a terapia, eu teria conseguido (o suicídio) e estaria morto”, diz.

 

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