Comportamento

Prêmio celebra filmes pornográficos para o público feminino no Canadá

Divulgação/Lust Films
Imagem de filme erótico direcionado para o público feminino imagem: Divulgação/Lust Films

Uma festa de três dias está celebrando e premiando filmes pornográficos feitos por mulheres e dirigidos ao público feminino.

O evento, o sexto Feminist Porn Awards, acontece na cidade de Toronto, no Canadá.

Este ano, mais de 50 filmes foram indicados. Entre eles, a série de filmes "eróticos educativos" Oral Sex for Couples (Sexo Oral para Casais, em tradução literal) da cineasta Jalya.

Outros títulos são Artcore, de Carlos Batts, Mommy is Coming, da diretora independente Cheryl Dunye e Sex Experiments: Bisexual Scenes and Sex Interviews (Experimentos Sexuais: Cenas Bissexuais e Entrevistas sobre Sexo, em tradução livre), da britânica Anna Span.

Os indicados concorrem em categorias como Filme Heterossexual Mais Sexy, Cena ou Filme Trans Mais Quente e Elenco Mais Deliciosamente Diverso, entre outras.

O evento de três dias é uma iniciativa da sex shop canadense Good For Her, uma empresa criada por feministas que aluga e vende filmes pornográficos e comercializa produtos como brinquedos eróticos.

Militância

Segundo as organizadoras, o prêmio foi criado como uma tentativa de transformar a indústria de filmes pornográficos tradicional - criticada por não representar adequadamente a sexualidade feminina e, em muitos casos, a masculina.

Clichês associados aos filmes convencionais - baseadas em personagens como a enfermeira depravada ou a babá ninfomaníaca - não estão presentes nas produções indicadas.

Falando à BBC Brasil, a diretora do festival, Alison Lee, explicou o que diferencia o filme pornográfico feminista dos convencionais:

"A diferença muitas vezes é sutil e, em alguns casos, talvez você nem perceba a diferença", disse Lee. "Eu costumo dizer que o que diferencia essa produção é a audiência alvo. Como o filme é dirigido às mulheres, os homens, por exemplo, são mais bonitos".

"A produção também tende a ser mais cuidadosa. Mulheres não querem ver duas pessoas fazendo sexo em um hotel barato. Outra coisa que elas querem também é um pouco de contexto, ou seja, querem saber como aquelas pessoas acabaram ali naquela cama".

Controle de Qualidade

O site do evento explica que critérios um filme deve atender para concorrer a um prêmio para pornografia dedicada a mulheres:

É preciso que haja envolvimento de mulheres na produção, criação do roteiro ou direção da obra. O filme deve mostrar prazer feminino genuíno. Finalmente, o júri espera que a produção expanda as fronteiras da representação do sexo na tela, questionando os estereótipos da filmografia pornô tradicional.

Como resultado, os filmes vencedores tendem a incluir, por exemplo, orgasmos femininos genuínos, e mostrar mulheres assumindo o controle sobre suas fantasias sexuais - mesmo quando a fantasia implica entregar o controle a outra pessoa.

A festa deste ano inclui mostras de filmes de diretores que despontam no circuito, como Maybe He's Gifted, da dupla N. Maxwell Lander e Beau Charlie, Said and Done, de Link Ross, e Picnic In the Rain, de Sam Martin.

Também haverá debates com a participação de alguns dos diretores indicados.

Publico Desconhecido

Segundo Lee, é difícil saber ao certo quem vê os filmes ou quanto dinheiro a indústria arrecada.

"É menos provável que a mulher que consome esses filmes fale sobre o assunto".

"Para mim, o fato de que ninguém até hoje se interessou em obter essas estatísticas já é em si um fator importante".

Grande parte dos títulos é vendida pela internet, mas alguns consumidores visitam pessoalmente a loja da Good For Her em Toronto.

Segundo Lee, eles são mulheres heterossexuais, lésbicas, bissexuais e, surpreendentemente, homens.

"Muitos homens nos visitam à procura de filmes que possam assistir junto com suas parceiras. Eles querem algo que a mulher possa apreciar também".

Alison Lee acredita que a produção pornográfica para mulhere não vai mudar radicalmente a indústria convencional, mas está definitivamente deixando sua marca.

"Estamos provando à indústria tradicional que dá para fazer algo diferente, que o filme pornográfico não precisa ser aquela coisa chata e repetitiva".

Ela não soube especificar se há pornografia direcionada à mulher sendo produzida no Brasil. Mas disse que adoraria receber inscrições de representantes brasileiros para concorrer aos próximos Feminist Porn Awards.

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