Comportamento

EUA ameaçam punir pais que compram pirulitos infectados com catapora

Autoridades do Estado americano do Tennessee ameaçaram tomar medidas legais contra pais que comprarem ou venderam pela internet pirulitos infectados com catapora para transmitir, voluntariamente, a doença a seus filhos.

O procurador-geral do Tennessee, Jerry Martin, disse que a prática de enviar vírus e bactérias pelo correio é crime federal nos mesmos moldes que o envio de substâncias usadas em ataques biológicos, como antraz.

O procurador resolveu falar duro depois que emissoras de TV locais divulgaram reportagens mostrando que grupos de pais estão se reunindo em "festas da catapora" cujo objetivo é fazer com que crianças infectadas com a doença a transmitam para outras crianças saudáveis.

Muitos pais não acreditam nos benefícios da vacina, e preferem que seus filhos sejam contaminados com a doença ainda novos, quando seus efeitos são mais amenos. Uma vez contraída a catapora, o indivíduo cria imunidade para o resto da vida.

Grupos na rede social Facebook, como o "Find a Pox Party Near You" (ou "encontre uma festa da catapora perto de você"), servem de ponto de encontro para que os adultos combinem os eventos.

E quando por razões logísticas os eventos não podem ser realizados, o canal WSMV, de Nashville, mostrou que é possível comprar, na internet, pirulitos lambidos por crianças enfermas, roupas usadas por elas com a doença e inclusive cotonetes contaminados.

Catapora via internet

A reportagem da emissora conversou com uma mãe de Nashville que vendia por US$ 50 na internet pirulitos lambidos por seus filhos e contaminados com catapora.

"[As crianças] não conseguem mais pegar catapora do jeito normal, simplesmente pegar e ter imunidade para o resto da vida", explicou Wendy Werkit à reportagem.

Entretanto, as autoridades de saúde alertaram para os perigos desta prática. Um médico do Departamento de Saúde do Tennessee disse que, ao expor seus filhos aos fluidos de outra criança, os pais podem estar contaminando-os com uma série de outras doenças desconhecidas.

Ao tomar conhecimento desses casos, o procurador Jerry Martin pediu à WSMV que lhe fizesse uma entrevista sobre o tema.

"A mensagem precisa ser clara para todos os indivíduos que tentem adotar esse comportamento", disse o procurador. "O governo federal e o Departamento de Justiça não vêm com bons olhos a violação de qualquer lei federal, e certamente das leis que cuidam da segurança e a saúde pública", ameaçou.

"Se você tentar expor alguém a um vírus ou doença infecciosa, e usar o correio americano ou o comércio interestadual para enviar material para outra pessoa, você estará se expondo a um processo na Justiça federal."

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