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Produção de alimentos representa desafio mundial, afirma ONU

Edson Silva/Folhapress
Colheitadeira de cana trabalha em lavoura forrada com a palha da planta, em Pontal (SP). Estudo mostra que manter a palha na superfície diminui significativamente a emissão de carbono do solo imagem: Edson Silva/Folhapress

A degradação e a escassez de terras e água colocam em perigo vários sistemas de produção de alimentos em todo o mundo e representam um desafio para alimentar a população mundial que chegará a 9 bilhões de pessoas em 2050, afirmou em comunicado a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

"O estado dos recursos mundiais de terras e água para a alimentação e a agricultura assinala que apesar do aumento nos últimos 50 anos na produção de alimentos, os lucros se associaram a práticas de gestão que degradaram as terras e os sistemas hídricos daqueles que dependem da produção de alimentos", diz o relatório.
 
De acordo com a FAO, atualmente muitos desses sistemas correm o risco de perder de forma progressiva sua capacidade produtiva por uma mistura excessiva de pressão demográfica e práticas e usos agrícolas insustentáveis.
 
O comunicado assinala que não há região imune, em todo o planeta há sistemas em perigo, das terras altas dos Andes até as estepes da Ásia Central, da bacia hidrográfica do Murray-Darling na Austrália até o centro dos Estados Unidos.
 
Enquanto se percebem cada vez mais gargalos em recursos naturais, haverá concorrência pelas terras e pela água. A disputa aconteceria entre usuários urbanos e industriais e dentro do setor agrícola, entre a produção pecuária, a de cultivos básicos, a de cultivos não alimentícios e a produção de biocombustíveis.
 
"É previsto que a mudança climática modifique as temperaturas, as chuvas e a abundância dos rios, que são responsáveis pelos sistemas de produção de alimentos do mundo", diz o comunicado.
 
Em consequência, será enorme o desafio de proporcionar alimentos suficientes para um planeta que tem cada vez mais fome, especialmente nos países em desenvolvimento, onde as terras de boa qualidade, os nutrientes do solo e a água são menos abundantes.
 
O relatório ressaltou que o conjunto de repercussões destas pressões e as transformações agrícolas conseguintes puseram alguns sistemas de produção em risco de decompor a integridade ambiental e sua capacidade produtiva.
 
Estes sistemas em risco poderiam não contribuir como se esperava para satisfazer as demandas humanas em 2050. "As consequências do ponto de vista da fome e da pobreza são inaceitáveis. A ação corretiva precisa ser tomada agora", disse Jacques Diouf, diretor-geral da FAO.
 
Entre 1961 e 2009, a superfície agrícola mundial cresceu 12%, mas a produção agrícola cresceu 150%, graças a um aumento significativo dos rendimentos dos principais cultivos.
 
Entretanto, um dos "sinais de advertência" do relatório é que as taxas de crescimento da produção agrícola diminuíram em muitas áreas e atualmente não chegam à metade do que eram no apogeu da Revolução Verde.
 
O relatório ressalta a imagem de um mundo que experimenta um crescente desequilíbrio entre disponibilidade e demanda de terras e recursos hídricos nos planos local e nacional.
 
O número de áreas que chegam aos limites de sua capacidade produtiva aumenta rapidamente. O relatório adverte que "25% das terras do planeta estão degradadas".
 
Outros 8% apresentam uma degradação moderada, 36% estão em condições de estabilidade ou degradação ligeira e 10% se classificam como terras que estão melhores. A superfície restante do planeta está descoberta (cerca de 18%) ou coberta por massas de água continentais (2%).
 
A definição da FAO de degradação vai além da deterioração das terras e das águas em si, e inclui uma avaliação de outros aspectos dos ecossistemas afetados, como a perda de biodiversidade.
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