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Neste Natal, doceiras investem em panetones de sabores inusitados

RAFAEL MOSNA
Colaboração para o UOL

Não há natal sem panetone. De origem italiana, mais precisamente milanesa, o pão doce, cuja forma arredondada no topo lembra a cúpula de uma igreja, tornou-se uma tradição no Brasil.

A história exata de sua criação é desconhecida. Uma das lendas indica que o panetone foi criado por um padeiro chamado Toni, que, apaixonado por uma moça e buscando impressionar seu possível futuro sogro, criou uma receita de massa de pão recheada com uvas passas e frutas cristalizadas. O "pani di Toni", com o tempo, receberia o nome de "panettone".
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    O Panetone Camafeu é uma das criações da chef Carole Crema, da La Vie en Douce


Com o passar dos anos, a receita tradicional foi ganhando novas versões. Não faltam no mercado panetones que fogem desta versão clássica e trazem novos recheios aliados ao conceito da massa produzida com fermentação natural.

Dentre os sabores mais inusitados, está o panetone recheado com trufa de limão, da Cacau Show. Aparentemente estranho, o sabor azedinho-doce revela certa harmonia com a massa tradicional. A Frutos da Amazônia também inova, com recheio de doce de cupuaçu e cobertura de castanhas-do-pará inteiras e torradas. "Criei a receita em 1998, quando resolvi inventar um panetone abrasileirado e percebi que o cupuaçu harmonizava muito bem com esta massa", conta Iolane Tavares, diretora da empresa. O resultado é um sabor equilibrado, com o toque final crocante da castanha.

Também na linha frutas, a Cristallo fabrica há sete anos o Damascone, com damascos secos picados. "Como muitos não gostam da uva passa e da fruta cristalizada, criamos esta receita", explica Giovanna Poppa, sócia-diretora da empresa. Já o Bráz combina gotas de chocolate, pedacinhos de laranja cristalizada e uma camada de amêndoas. André Lima, sócio da tradicional pizzaria, trouxe de uma viagem a Milão a adaptação à apresentação final do produto. "A maior influência foi no formato. Depois da viagem, decidimos fazer o panetone mais baixo, que é tradicional em Milão", conta.

Para quem busca um panetone bem adocicado, opções não faltam na doceria La Vie en Douce. A chef Carole Crema criou delícias como o Panetone de Alfajor, massa com frutas totalmente envolta em cobertura de chocolate e um farto recheio de doce de leite. "Minha característica é fazer um doce bem generoso e com bastante recheio. A ideia é que seja até mesmo possível comer o panetone com uma colher", explica a chef.

Tradição
Versões caprichadas e que também abusam do açúcar não faltam neste natal. A Ofner está vendendo, apenas na sua loja de fábrica em fase de teste, um panetone recheado com doce de leite. Nas demais lojas da rede, a novidade é o recheio de gianduia, tipo de creme elaborado com chocolate e avelã. Na Kopenhagen, a versão Premium Avelã recebe, além do fruto que dá nome à versão do pão, bastante chocolate - seja derretido na forma de cobertura, mousse, bolinhas crocantes ou desenhos natalinos pretos e brancos.

Para presentear, produções mais personalizadas, com embalagens e arranjos diferenciados, são ideais. O Ateliê Fabiola Toschi é impecável na decoração do produto. A versão mini do panetone, com abundante recheio de trufa, ganha um bonito doce em forma de Papai Noel em cima. No Atelier Gastronômico Chiovetto & Sato, o pão doce leva uma saborosa calda de açúcar, vem em uma simpática caixa de vidro, e é vendido dentro de uma sacola de feira, que dá charme à apresentação.

Em São Paulo, a Confeitaria Di Cunto fabrica panetones artesanais desde 1935. "Somos a mais antiga fábrica de panetone em atividade no Brasil", garante Marco Alfredo Di Cunto Júnior, sócio da confeitaria. O mais recente lançamento leva o nome de Floresta, feito com massa de chocolate recheada com gotas de chocolate e pedaços de cerejas ao licor de marasquino.

Ainda na linha tradicional, a Nestlé lançou um panetone em comemoração aos 50 anos de carreira do cantor Roberto Carlos. O produto vem em uma lata com a foto do Rei e a letra de "Como é grande o meu amor por você" impressa. "A lata foi desenvolvida com as preferências do Roberto Carlos, como as cores azul, dourado e branco, que foram escolhidas pelo artista", conta Claudio Gekker, diretor da unidade de biscoitos da Nestlé Brasil. Com tantas opções disponíveis, o mais difícil é escolher aquela que mais agrada.


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